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You are here: Home Imprensa Artigos técnicos 2011 Água: sem ela seremos o planeta Marte de amanhã
Água: sem ela seremos o planeta Marte de amanhã (22/03/2011)
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*Marco Antonio Ferreira Gomes


Considerações Gerais

Todos os seres vivos, indistintamente, dependem da água para viver. No entanto, por maior que seja sua importância, as pessoas continuam poluindo os rios e suas nascentes, esquecendo o quanto ela é essencial para a permanência da vida no Planeta.

Trata-se de um recurso natural essencial, seja como componente bioquímico de seres vivos, como meio de vida de várias espécies vegetais e animais, como elemento representativo de valores sociais e culturais e até como fator de produção de vários bens de consumo final e intermediário.

Os dados citados pela ONU, a seguir, mostram a necessidade urgentíssima de se utilizar a água de forma prudente e racional, evitando o desperdício e a poluição, pois:

- Um sexto da população mundial, mais de um bilhão de pessoas, não têm acesso à água potável;

- 40% dos habitantes do planeta (2.600 milhões) não têm acesso a serviços de saneamento básico;

- Cerca de 8 mil crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à água insalubre e a um saneamento e higiene deficientes;

- Segundo a ONU, até 2025, se os atuais padrões de consumo se mantiverem, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água.


A Água no Mundo

No dia 22 de março, é comemorado o dia mundial da água. Se hoje os países lutam por petróleo, não está longe o dia em que a água será devidamente reconhecida como o bem mais precioso da humanidade.

A Terra possui 1,4 milhões de quilômetros cúbicos de água, mas apenas 2,5%, desse total, são de natureza doce. Os rios, lagos e reservatórios de onde a humanidade retira o que consome só correspondem a 0,26% desse percentual. Daí a necessidade de preservação dos recursos hídricos. Em todo mundo, cerca de 10% da água disponibilizada para consumo são destinados ao abastecimento público, 23% para a indústria e 67% para a agricultura.


Água no Brasil

O Brasil tem a maior reserva de água doce do Planeta, ou seja, 12% do total mundial. Sua distribuição, porém, não é uniforme em todo o território nacional. A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume d’água do rio Amazonas é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta. Ao mesmo tempo, é também uma das regiões menos habitadas do Brasil.

Em situação oposta, as maiores concentrações populacionais do país encontram-se nas capitais e nos centros urbanos de maior porte, distantes dos grandes rios brasileiros, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná. O maior problema de escassez ainda é no Nordeste, onde a falta d’água por longos períodos tem contribuído para o abandono das terras e para a migração aos centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, agravando ainda mais o problema da escassez de água nestas cidades.

Embora existam alguns cenários preocupantes, o Brasil ainda está em condições privilegiadas em relação ao resto do mundo, principalmente quanto à disponibilidade de recursos hídricos dentro dos padrões qualitativos e quantitativos aceitáveis; porém, há de se pensar que os mesmos deverão servir as futuras gerações, o que aumenta muito nossa responsabilidade sobre esse legado.


Considerações Finais

O Século XXI será decisivo quanto à adoção de manejos sustentáveis dos recursos hídricos. Duas frentes básicas desafiam este processo: o aumento crescente da população, com maior demanda por água, e a disponibilidade reduzida em função da sua má distribuição no Planeta, cuja origem está preconizada pelas mudanças climáticas globais nas próximas décadas.

Em síntese, o Planeta está em curso para uma condição ambiental de caráter catastrófico, talvez semelhante à condição do Planeta Marte, guardadas as devidas proporções, considerando que lá o processo de extinção da água (pelo menos em superfície) levou milhares ou milhões de anos, aliado a uma mudança climática implacável à permanência da vida, ou seja, o predomínio de temperaturas muito abaixo de zero. Será este também o destino do nosso Planeta?


Fontes Consultadas


BORGHETTI, N. R. B.; BORGHETTI, J. R.; ROSA FILHO, E. F da. Aqüífero Guarani: a verdadeira integração dos países do Mercosul. Curitiba, 2004. 214p.

MARENGO, J.A. Mudanças Climáticas Globais e Seus Efeitos Sobre a Biodiversidade: caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do Século XXI. Brasília: MMA, 2006. 212p. (Série Biodiversidade, v. 26).

www.geologo.com.br/aguahisteria.asp

www.socioambiental.org/esp/agua/pgn/

www.eco21.com.br


*Geólogo; D.Sc. em Solos, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP).
E-mail: gomes@cnpma.embrapa.br

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