Minimizar o uso de produtos químicos no controle de parasitas em animais, de modo a diminuir o impacto de resíduos no meio ambiente e nos produtos alimentícios de origem animal, como leite, carne e derivados. Esse é o objetivo da nova linha de pesquisa implantada na Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), sobre controle alternativo de parasitas por meio de medicamentos feitos a partir de plantas, a fitoterapia.
Os estudos têm como objetivo controlar os parasitas animais com a utilização do princípio ativo das plantas, isoladamente ou associados a formulações químicas.
Em alguns casos, a planta pode ser utilizada diretamente como um vermífugo natural. Por isso, pode ser facilmente adotada pelos agricultores e pecuaristas, familiares ou capitalistas.
Um dos fatores positivos é que a fitoterapia elimina ou, ao menos, reduz, o uso de produtos químicos, com efeitos positivos para o meio ambiente e também para a qualidade de alimentos, como leite e derivados e carnes bovina e ovina. Outras vantagens são a redução de custos para o pecuarista, além de maior vida útil do medicamento, pois a resistência do parasita é menor. Nos últimos anos os parasitas se tornaram mais resistentes ao princípios ativos (químicos).
Entre os principais problemas da fitoterapia está a variação do princípio ativo das plantas, de acordo com o local, o solo e o clima. Nem sempre uma planta que apresenta ótimos resultados na Região Sul, terá o mesmo desempenho no Norte do País. “Por isso, é preciso a realização de pesquisas regionalizadas e controle de qualidade por meio de técnicas de análise do material vegetal”, opina a pesquisadora.
Em função da rápida aquisição de resistência, por parte dos parasitas, aos produtos químicos comerciais, a fitoterapia tem sido amplamente estudada na atualidade. Os experimentos são realizados com o apoio da fitoquímica e toxicologia, para conhecimento das substâncias ativas das plantas e seus efeitos.
Atualmente, Ana Carolina estuda um produto feito à base de eucalipto. Os resultados no laboratório foram de grande eficácia e os resultados em bovinos tratados indicaram efeito a campo também. O novo fitoterápico é feito a partir do óleo de eucalipto, que é comprado diretamente de empresas especializadas, algumas produzindo em larga escala.
“Essa foi uma forma que encontramos para fugir um pouco da dependência de fatores climáticos, de solo, entre outras coisas”, diz ela. A intenção agora é aprimorar o produto com o apoio da tecnologia disponível em empresas fabricantes de medicamentos veterinários. Dessa forma, um produto fitoterápico comercial poderia ser disponibilizado aos produtores.
Jorge Reti - MTb 12693-SP e MS 14130/SJPSP/FENAJ
Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP)
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