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Seminários de Agroecologia reúnem mais de 200 pessoas em Parintins (08/10/2009)
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Foto Embrapa
Seminários de Agroecologia reúnem mais de 200 pessoas em Parintins
O município de Parintins (AM) está sendo sede de palestras e debates tendo como foco a busca por formas de agriculturas mais sustentáveis, integrando
os aspectos social, econômico, cultural, ecológico e ético.

O interesse em torno do tema da Agroecologia reuniu mais de 200 pessoas, entre eles agricultores, ribeirinhos, indígenas, sindicalistas rurais,
líderes de associações comunitárias, estudantes, professores e pesquisadores que participam do Seminário de Construção do Conhecimento
Agroecológico, que tem abrangência para a região da Amazônia Ocidental reunindo representantes de projetos e experiências agroecológicas dos
estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima.

Na quinta-feira( 8)  começaram a ser apresentadas 17 experiências selecionadas de projetos desenvolvidos nesses estados contemplando ações
que envolvem agricultura familiar, agricultura orgânica, sistemas agroflorestais, agroextrativismo, agricultura indígena, educação, saúde, pesquisa e extensão rural.

Destas serão selecionadas quatro, para serem
apresentadas em seminário em âmbito nacional a ser realizado em Curitiba, em novembro. Todas essas experiências estão sendo sistematizadas e vão
compor uma base de informações para serem compartilhadas, como parte da construção do conhecimento agroecológico.

A programação integra ainda o II Seminário de Agroecologia do Baixo Amazonas e a II Feira de Saberes e Sabores, que conta com a presença de
produtores rurais dos municípios amazonenses de Manacapuru, Boa Vista do Ramos, Manaus, Codajás, Tefé, São Sebastião do Uatumã, Nhamundá,
Parintins, Urucará e Maués.

Os eventos são realizados em parceria pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Até a sexta-feira ( 9), serão mais de 30 atividades entre palestras e discussões em grupo, a exemplo da construção da Rede de Agroecologia do Baixo Amazonas, projeto que está sendo articulado por pesquisadores da Embrapa, UEA, Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), associações de agricultores familiares e movimentos sociais de toda a região.

A rede consiste numa ampla parceria para que o meio rural do Baixo Amazonas tenha maior sustentabilidade.
Os seminários acontecem no Centro de Treinamento Dom Archângelo Cerqua, localizado às margens do lago Macurany, em Parintins. Manifestações culturais, artesanato e alimentos típicos da região do Baixo Amazonas serão apresentados na II Feira Saberes e Sabores, nas noites de quinta(8), e sexta, 9, na Praça Digital.

Na quarta-feira ( 7), primeiro dia do evento, representantes da Embrapa e UEA fizeram um panorama sobre sua contribuição institucional dentro do tema da agroecologia. A reitora da UEA, Marilene Corrêa, destacou entre as ações da Universidade o curso de Tecnologia em Agroecologia desenvolvido em
Parintins, como parte de um amplo programa de formação tecnológica da instituição com foco nas vocações regionais e nas demandas de
desenvolvimento local.

Na seqüência, a chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Maria do Rosário Rodrigues, apresentou o que o centro de pesquisa vem fazendo na
perspectiva da transição da agricultura convencional para a agroecologia.

Nesse sentido, uma das principais linhas de atuação da Embrapa no Amazonas acontecem em relação aos estudos de Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE),
Zoneamento Agroecológico (ZAE) e Zoneamento de Riscos Climáticos, principais ferramentas para auxiliar nas políticas públicas de ordenamento, gestão e monitoramento territorial.

Outras duas linhas de atuação agroecológica da Embrapa no Amazonas, destacadas por Rosário, têm foco nos arranjos produtivos locais e se referem às temáticas do manejo, valoração e valorização da floresta; e do uso sustentável para produção agrícola em áreas já alteradas.

Nesse contexto sobressaem as pesquisas com integração lavoura/pecuária /silvicultura e com sistemas agroflorestais, estudos sobre quantificação
de serviços ambientais, pesquisa participativa com agricultores familiares voltada para o planejamento integrado da propriedade considerando o aspecto produtivo e a conservação de recursos ambientais, além de práticas para recuperação de áreas em processo de degradação e ainda pesquisas com
reflorestamento e com aqüicultura.

Reflexão Política

O presidente da Associação Brasileira de Agroecologia, Francisco Caporal, fez um panorama dos impactos negativos deixados pela agricultura convencional baseada no grande consumo e dependência de agroquímicos, os interesses econômicos das indústrias associadas a essa questão, o avanço destrutivo sobre os ecossistemas e os efeitos danosos dos agrotóxicos.

Apresentando a trajetória da agroecologia como uma ciência emergente, Caporal destacou que o cerne do debate envolve principalmente uma reflexão
e opção política sobre o tipo de desenvolvimento que a sociedade quer, e a partir daí escolher quais as formas de agricultura que ofereçam maior nível de sustentabilidade.

 “Se não conseguirmos criar consciência de
solidariedade com as futuras gerações, nossa trajetória será de destruição e não de desenvolvimento”, alertou.

Código Florestal

Os agricultores também discutiram com a representante do Ministério Público Federal no Amazonas, Luciana Valente, as características dos
projetos e emendas parlamentares em trâmite no Congresso Nacional, que propõe alterações significativas no atual Código Florestal que vigora
desde 1965.

As propostas trazem divergências marcantes. De um lado, as propostas da bancada ruralista caracterizam-se pela redução das áreas de reserva legal e de preservação permanente. De outro lado, as propostas que recebem apoio do movimento social, ambientalistas e da agricultura familiar, beneficiam
a agricultura familiar com anistia de multas e embargos dos desmatamentos ilegais, sem obrigatoriedade de recuperação ambiental em estabelecimento de até quatro módulos.

Por conta dessas divergências, que possivelmente o Código Florestal continuará sem sua reformulação. Ao final do evento será elaborada a Carta de Parintins, contendo princípios e posicionamentos em relação a esses assuntos discutidos.



Embrapa Amazônia Ocidental
Síglia Regina MTb 066/AM
Contatos em Parintins: (92) 8101-2555
Com a colaboração da Assessoria de comunicação da UEA


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