Segundo Waltemilton Cartaxo, supervisor da Área de Comunicação Empresarial e Negócios Tecnológicos da Embrapa, Oliveira estaria interessada especialmente em desenvolver um programa municipal que dê suporte a cerca de 300 agricultores familiares daquele município envolvidos no cultivo de mamona e do algodão.
“A princípio, queríamos que a Embrapa nos ajudasse a capacitar os agricultores na criação e manutenção de bancos de sementes, para garantir uma certa sustentabilidade da agricultura local”, diz Cleide Oliveira, que veio à Paraíba acompanhada da consultora Ana Navaes, pesquisadora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que coordena o projeto de Arranjos Produtivos Locais do biodiesel em Pesqueira.
Uma das sugestões apresentadas pelos técnicos da Embrapa Algodão à prefeita foi que os projetos de financiamento agrícola do município passem a ser vinculados aos cuidados com a conservação dos solos nas áreas agricultáveis da região. “Seria interessante que a prefeitura buscasse uma parceria com órgãos públicos como IPA, INCRA, MDA e Embrapa para a realização de análise e mapeamento completo dos solos do município, a exemplo do que ocorreu em Petrolina”, defendeu Napoleão Beltrão.
Ele lembrou que para a sustentabilidade de qualquer empreendimento agrícola familiar com a cultura da mamona, são necessários, o plantio de, no mínimo, oito hectares, no entanto, é preciso iniciar com uma área menor para que o agricultor familiar aprenda a cultivar e valorizar a mamona fazendo dela, parte da sua renda no campo. Beltrão também lembrou à prefeita que as atividades pecuárias são as que mais degradam os solos e que devem ser monitoradas mais de perto para evitar a compactação danosa dos solos para posterior uso agrícola.
O município de Pesqueira conta hoje com mais de uma dezena de assentamentos da reforma agrária, além de uma área de reserva indígena da nação Xucuru. “Somos o segundo maior produtor de mandioca do estado”, ressalta Cleide Oliveira.
Ainda em fevereiro, especialistas da Embrapa Algodão devem realizar um primeiro seminário sobre conservação dos solos para técnicos e agricultores daquele município. “Em seguida deveremos oferecer um seminário técnico sobre o cultivo da mamona, do algodão e de outras culturas oleaginosas e alimentares, visando a instalação de unidades de teste e demonstração/ escolas de campo no município”, acrescenta Cartaxo.
Para o técnico da Embrapa Algodão, o mais recomendável é que o município desenvolva capacidade própria na condução da assistência técnica para cultivos consorciados, com mamona, algodão e culturas alimentares de ciclos mais curtos, como amendoim, gergelim e feijão.
Dalmo
Oliveira
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