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Pesquisas com catadoras de mangaba são reconhecidas como tecnologia social pelo BB (10/10/2011)
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Raquel Fernandes
Pesquisas com catadoras de mangaba são reconhecidas como tecnologia social pelo BB

O trabalho de pesquisa e desenvolvimento ‘Estratégias para conservação da biodiversidade e modos de vida de mulheres extrativistas de mangaba’, desenvolvido pela Embrapa com as catadoras da fruta do Norte e Nordeste do Brasil, especialmente de Sergipe, foi certificado como Tecnologia Social (TS) pela Fundação Banco do Brasil (FBB).

Desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA) e Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), o projeto é uma das 264 tecnologias sociais certificadas pela fundação em 2011, e passa a integrar o Banco de Tecnologias Sociais da FBB. O banco é o principal instrumento utilizado pela FBB para disseminar, promover e fomentar a reaplicação de soluções sociais. No ciclo deste ano, mais de 1.100 projetos foram submetidos em todo o país.

A tecnologia é fruto de um trabalho de nove anos coordenado pelas duas Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O projeto tem participação de diversos parceiros, como a UFPA, MCM, Incra, ICMBio, Prefeitura de Barra dos Coqueiros, Semarh-SE, Seides-SE, Adema, e conta com apoio do CNPq e PNUD.

Em 2003 ocorreu no Brasil a primeira pesquisa sobre o extrativismo da mangaba e as catadoras no Povoado Pontal, em Indiaroba, litoral sergipano.  Os pesquisadores Josué Francisco da Silva Júnior, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, e Dalva Mota, da Embrapa Amazônia Oriental, coordenaram o projeto pioneiro.

Tecnologia

A metodologia consiste no entrelaçamento de três tipos de ações desenvolvidas pelo grupo de pesquisadores, catadoras de mangaba e técnicos. A primeira foi a produção de conhecimentos sobre o extrativismo e o papel das mulheres catadoras de mangaba na conservação da biodiversidade. O passo seguinte foi o apoio à mobilização das catadoras de mangaba em diferentes âmbitos – nacional, estadual e local.

O ciclo se fecha com a disponibilização de informações, dados e análises sobre o extrativismo para as instituições responsáveis com foco na conservação dos recursos e formulação de políticas públicas direcionadas à melhoria da realidade dessa população tradicional. Um exemplo é o ‘Mapa do Extrativismo da Mangaba em Sergipe – Ameaças e Demandas’, lançado em 2010, com coordenação da analista da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Raquel Fernandes, e Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). A publicação traz um diagnóstico detalhado sobre a realidade das catadoras, suas nuances sociais, econômicas, políticas e ambientais.

O trabalho foi realizado em áreas de ocorrência natural da mangabeira nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, no período de 2003 a 2010. Foram empreendidas expedições de prospecção dos recursos genéticos e de reconhecimento das populações e comunidades denominadas tradicionais. As ações de pesquisa foram conduzidas em 167 áreas naturais e mais de 140 comunidades no Brasil, com a identificação daquelas de uso comum e/ou privado e do estado de conservação dos recursos genéticos da espécie.

O desafio foi buscar alternativas de coexistência dos diferentes modelos de uso dos recursos, garantindo o acesso das catadoras de mangaba às plantas e melhores condições de comercialização da fruta. Ao mesmo tempo, busca-se garantir um modo de vida culturalmente diferenciado e as condições de conservação in situ de espécies valiosas, mas ameaçadas.

Dificuldades

No Brasil as áreas naturais estão sendo dizimadas e as catadoras de mangaba se vêm diariamente sob a ameaça de perder a fonte que assegura 60% dos seus rendimentos anuais.

Uma situação crescente de destruição dos recursos naturais, intensificação das indústrias imobiliária e do turismo, privatização das áreas e impedimento do acesso às plantas em locais anteriormente de entrada livre são os maiores obstáculos. Além disso, a mangaba tem sido valorizada pelo seu sabor marcante, tendo demanda superior à oferta.

Para os pesquisadores envolvidos, os projetos que deram origem a essa TS foram um avanço muito grande com relação à conservação da biodiversidade, principalmente da mangabeira, e marcam o pioneirismo de ações com as catadoras em Sergipe. “Agradeceremos sempre as catadoras pela confiança e recepção calorosa nos nossos encontros e por abrir as suas casas para trocarmos experiências ao longo de todos esses anos”, revela Josué.

“Continuaremos desenvolvendo nossas pesquisas sempre com a finalidade de contribuir para definição de políticas públicas que incluam essas populações e conservem a biodiversidade e os recursos genéticos dos quais retiram seu sustento”, concluiu.

Fruta

A mangaba é uma fruta brasileira, rica em vitamina C e Ferro. Sua árvore é oficialmente reconhecida como símbolo do Estado de Sergipe. O consumo in natura é voltado, principalmente, para o preparo de polpa para sucos e sorvetes, além de licores e geleias. Na medicina popular, a casca, o látex (leite do tronco), raiz e folhas são remédios que combatem a hipertensão, diabetes, o colesterol alto, úlceras e gastrite.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros mantém um Banco de Germoplasma da Mangaba com mais de 200 plantas no Campo Experimental Reserva do Caju, em Itaporanga D'Ajuda, no litoral sergipano.

A Unidade coordena, também, um projeto de Conservação in situ dos Recursos Genéticos da Mangabeira por Populações Tradicionais de Catadores do Litoral do Nordeste. A conservação in situ dos recursos genéticos é a ideal, já que as plantas estão em seu local de ocorrência e sujeitas às ações seletivas das forças da natureza.


Saulo Coelho  (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE)
Contatos: saulocoelho@cpatc.embrapa.br / (79) 4009-1381

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