“Aprendi muitas coisas importantes aqui hoje. Se tivesse esse conhecimento antes não teria tanto desperdício de palha e esterco de boi frango. Quando voltar à minha comunidade, já vou compartilhar com os companheiros no nosso encontro mensal”.
Estas palavras da agricultora Maria da Conceição Lima, da comunidade Linda Flor, em Porto da Folha, no Alto Sertão Sergipano, resumem o sentimento dos participantes do dia de campo sobre práticas sustentáveis, no dia 15 de setembro.
A atividade foi promovida pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) no Campo Experimental de Itaporanga D’Ajuda, a Reserva do Caju, no litoral da Grande Aracaju, e teve a participação de 20 agricultores do semiárido sergipano, numa articulação com a Associação do Semiárido (ASA) e a ONG Centro Dom José Brandão de Castro.
Os produtores foram recebidos por técnicos de transferência de tecnologia, pesquisadores e assistentes de campo da Embrapa. Após as boas vindas, os trabalhos começaram com a sensibilização dos participantes para os temas abordados durante o dia de campo.
De acordo com o supervisor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Fernando Curado, o foco principal da atividade era o conceito de sustentabilidade. “O principal objetivo é fazer um intercâmbio de saberes e disseminar a ideia de que o aproveitamento dos resíduos, a reciclagem e o não desperdício são a chave para a sustentabilidade”, disse.
Os agricultores ouviram poesias sobre o sertanejo compostas e recitadas pelo assistente Roque de Jesus, e assistiram ao vivo a uma demonstração de como é produzido o programa de rádio da Embrapa, o Prosa Rural, com Roque e o assistente de transferência Joel Lamoglia.
Estações
Nas estações espalhadas pelo campo, os participantes viram de perto e ouviram explicações sobre diferentes tecnologias simples a baratas que podem auxiliar no aproveitamento de resíduos e promover a sustentabilidade na agricultura.
O supervisor de campo Erivaldo Moraes apresentou a fossa séptica biodigestora, que utiliza dejetos sanitários para a produção de adubo. O pesquisador Joézio dos Anjos mostrou a estação de vermicompostagem, onde as minhocas trabalham a terra com esterco e restos orgânicos produzindo húmus. Ele apresentou também o processo de preparação do ‘Biogeo’, líquido à base de resíduos orgânicos que é rico em nutrientes para as plantas.
Mas à frente no campo, o pesquisador Edmar Siqueira mostrou a aplicação dos conceitos de sistemas agroflorestais (SAFs) em que as interação entre as diversas espécies garante renda ao agricultor e respeita a sucessão ecológica das espécies. O pesquisador Humberto Rollemberg apresentou o sistema de plantio de coqueiro em consórcio com outras culturas, como feijão e gliricídia, aproveitando as palhas e restos para fazer cobertura morta.
Ao final, os agricultores se reuniram para compartilhar suas impressões sobre o que aprenderam no dia de campo.
Para o educador e coordenador de projeto do Centro Dom José Brandão de Castro, Gildo de Oliveira, a visita representou uma grande oportunidade de aprendizado para os agricultores. “O dia de campo atingiu plenamente o objetivo de repassar conhecimentos que os agricultores possam aplicar em suas propriedades e obtenham opções de renda de forma sustentável”, declarou.
Saulo Coelho (MTb/SE 1065)
Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE)
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