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Você está aqui: Página Inicial Imprensa Artigos técnicos 2002 Nutrição e produtividade da soja com molibdênio e cobalto
Nutrição e produtividade da soja com molibdênio e cobalto (07/12/2004)
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Áureo Francisco Lantmann
 
O efeito benéfico do molibdênio (Mo) na produtividade de leguminosas é conhecido desde 1930. Sua principal atuação está no processo de fixação simbiótica do nitrogênio e em outros processos fisiológicos das plantas superiores. O Mo participa ativamente como cofator integrante nas enzimas nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase do sulfato, e está intensamente relacionado com o transporte de elétrons durante as reações bioquímicas. A falta de Mo no solo irá ocasionar menor síntese da enzima nitrogenase, com consequente redução da fixação biológica do nitrogênio (N2).

O teor de Mo total no solos encontra-se na faixa de 0,5 a 5,0 ppm, onde ocorre nas seguintes fases: solúvel na solução do solo, adsorvido na fração coloidal, retido na rede cristalina dos minerais primários e quelado à matéria orgânica.
Em condições de pH extremamente baixo, o Mo existente na solução do solo encontra-se predominantemente em forma não dissociada de ácido molíbdico (H2MoO4). Com o aumento do pH, o H2MoO4 se dissocia em (HMoO4-) e, posteriormente, a molibdato (MoO42-), o qual se torna a forma predominante em solos de pH neutro e alcalino. O suprimento para as plantas É feito principalmente na forma de MoO42-, presente na solução do solo, via fluxo de massa.

O Mo É facilmente liberado dos minerais primários pela intemperização. Comparado com os outros micronutrientes, ele permanece relativamente móvel como molibdatos potencialmente solúveis. Entretanto, esses molibdatos são adsorvidos nas superfícies de minerais primários e da fração coloidal, fazendo com que a disponibilidade do Mo no solo seja dependente do pH. A correção do pH dos solos ácidos, através da calagem, aumenta a disponibilidade de molibdênio, justificando-se esta ocorrência com o mecanismo de troca dos �nions de molibdato (MoO42-) por hidroxila (OH-). Muitos trabalhos de pesquisa indicam que o uso do calcário em solos ácidos elimina a possibilidade de resposta à fertilização com o Mo.

A deficiência de Mo na soja pode ser percebida na coloração (amarelada pálida) das folhas mais velhas, semelhante a deficiência de nitrogênio. Nas situações de deficiência, o �on Mo se desloca das folhas mais velhas para as mais novas.
As formas de Mo mais utilizadas em adubações são os molibdatos de sódio e de amônio e o trióxido de molibdênio, sendo ainda utilizado o ácido molib�dico e fertilizantes compostos contendo o Mo em sua composição como as fritas (fritted trace elements). Estas formas podem ser supridas às plantas como adubo de solo, aspersão foliar (exceto o FTE) ou aderido com as sementes.

Como as quantidades requeridas pela soja são pequenas, a aplicação de 12 a 30 g Mo/ha junto com as sementes, são suficientes para o estabelecimento do processo de fixação biológica do nitrogênio e como consequência alta produtividade de soja. A aplicação de Mo nas sementes de soja na forma de molibdato pode ocasionar sérios problemas de sobrevivência do Bradyrhizobium, bem como prejuízos à nodulação e à fixação do N2. é necessário que o processo de inoculação das sementes de soja seja efetuado levando-se em conta todos os cuidados recomendados, como plantio das sementes logo após a inoculação, quantidade e qualidade do inoculante, e boas condições de umidade do solo para garantir rápida germinação, reduzindo os danos causados pela aplicação de Mo junto com o Bradyrhizobium.

Aplicação de Mo via foliar, antes do início da floração da soja e na mesma concentração recomendada para as sementes, é uma alternativa para a nutrição da soja com esse micronutriente.

O Cobalto (Co) é um elemento essencial aos microorganismos fixadores de N2, mediante a participação na composição da vitamina B12 e da coezima cobamida, também conhecida como Dacobalamina. A cobamida funciona como ativadora de enzimas importantes que catalizam reações bioquímicas em culturas de bactérias fixadoras de N2, entre as quais o Bradyrhizobium japonicum e seus bacter�ides presentes nos nódulos das leguminosas. Vários trabalhos de pesquisa atribuem à ausência do Co, a diminuição da fixação do N2 para a soja com repercuss�o negativa para a produtividade.

A deficiência de Co na soja se apresenta sempre nas folhas mais novas, sendo essa uma característica de sintomas produzidos por elementos de baixa mobilidade nas plantas.

A necessidade de Co para a soja é muito pequena, perto de 300 vezes menos do que a necessidade de Mo. Nos casos de deficiência deste nutriente, a aplicação de 1 a 2 kg/ha de sulfato de cobalto (21%de Co) no solo ou até 3,0 g de Co/ha junto com as sementes de soja, são suficientes. As aplicações de Co via foliar apresenta menos eficiência que a aplicação do Mo, devido a baixa translocação deste nutriente na planta, entretanto trabalhos de pesquisa têm mostrado que a aplicação do Co junto com o Mo via foliar promovem aumento, da fixação biológica do nitrogênio e da produtividade da soja.

A toxicidade de Co em soja, quando aplicada via semente, além da dose máxima recomendada (3,0 g de Co/ha), é percebida alguns dias após a germinação. A planta apresenta uma clorose generalizada, que dependendo do grau de toxidez pode desaparecer após alguns dias ou comprometer toda a lavoura havendo necessidade de replantio. O sintoma de clorose generalizada, à característica de deficiência de ferro, promovida pelo excesso de Co.

A disponibilidade do molibdênio no solo é dependente do pH - Trabalhos de pesquisa indicam que o uso do calcário em solos ácidos elimina a necessidade de fertilização com Mo. A influência do pH do solo na disponibilidade de Mo para as culturas pode ser entendida conforme revelou Lindsay (1972), que estimando solubilidade do MoO42- a partir da reação:

MoO42- + solo solo + 2OH- e encontrou a relação (MoO42-) = 10-20,5/(H+)2
mostrado que a concentração de molibdato aumenta cem vezes para cada unidade de aumento do pH.
Trabalhos realizados pela Embrapa Soja no Estado do Paraná, com objetivos de determinar a produtividade da soja em função do Mo, em diferentes níveis de pH do solo alterados pela ação de calagem, revelaram a grande influência do pH na resposta da soja a aplicação do Mo. (Tabela 1)

Em Campo Mourão a soja, cultivar Paraná, respondeu de forma mais acentuada à calagem, quando não se utilizou o Mo, apresentando diferença de 755 kg/ha entre os tratamentos 0 e 4t/ha de calcário; com a utilização de Mo, essa diferença foi de 465kg/ha. Esse fato evidencia que o Mo, nessa condição de solo, seria um elemento pouco disponível para a soja até determinado nível de calagem. A partir da dose de 2,0 t/ha de calcário, o Mo do solo já se encontraria em forma disponível para cultura, sendo sua disponibilidade afetada pela condição de acidez natural do solo. Entretanto, é fundamental salientar que, na ausência de calagem, na dose 0 de Mo, a produção de soja foi de apenas de 2340kg/ha, enquanto que, com aplicação do Mo, o rendimento partiu de 2710kg/ha, ou seja, um aumento significativo de cerca de 400 kg/ha de grãos.

Em Ponta Grossa, a soja respondeu de forma menos acentuada à calagem, tanto na ausência como na presença de Mo. Apenas até a dose equivalente a 3t/ha de calcário foram observados acréscimos significativos de rendimento em relação ao tratamento testemunha.

Resposta significativa na produção de grãos ao Mo, dentro de um mesmo nvel de calagem, só ocorreu no tratamento correspondente a 0 t/ha de calcário, com diferença de 477 kg/ha. A utilização do cultivar FT-2, considerado como tolerante à acidez do solo, pode justificar esse comportamento, ou seja, a menor resposta da soja ao Mo pode estar associada à menor sensibilidade à acidez.

Tanto o Mo como Co são nutrientes essenciais à nutrição da soja. A decisão quanto sua aplicação como fertilizante, deve ser criteriosa. Quantidade, forma de aplicação, condições do solo e fontes dos nutrientes são fatores que devem ser considerados e aliados a um diagnóstico da real necessidade de aplicação, em função de análises de solo e folha e histórico de área com observações sobre sintomas de deficiência desses nutrientes.


        Tabela 01. Rendimento de grãos de soja em função de doses de calcário e molibdênio em duas localidades paranaenses, Campo Mourão – cultivar Paraná, e Ponta Grossa – cultivar FT-2. Embrapa Soja. 1989.
___________________________________________________________________________
Campo Mourão ( 1 )Ponta Grossa ( 2 )
__________________________________________________________________________
.............................................................Dose de Mo ( 3 ) g/ha.......................................................
Calcário________________________Calcário______________________
030030
t/haPH----------------kg/ha--------------t/hapH-------------kg/ha-----------------
04,52340 dB (4)2710 bA04,41625 bB2102 bA
24,72595 cB2890 bA34,92424 aA2529 aA
45,13095 bA3175 abA65,22509 aA2556 aA
65,33185 abA3280 aA95,62538 aA2586 aA
85,53275 abA3295 aA125,82618 aA2619 aA
105,83400 aA3290 aA156,02623 aA2600 aA
________________________________________________________________________
(1) Cultivar Paraná. (2) Cultivar FT-2. (3) Molibdênio via semente na dose de 30 g/há de Mo na forma de molibdato de sódio. (4) Médias seguidas de mesma letra minúscula (nas colunas) e maiúsculas (nas linhas) não diferem entre si pelo teste de Duncan a 5%.
(2) pH medido em CaCl2.
Fonte: LANTMANN, 1989.
Texto da palestra apresentada no "XX Ciclo de Reuniões Conjuntas da CESM-PR, Produtores de Sementes, Mudas e Responsáveis Técnicos."

Aureo Francisco Lantmann é pesquisador da Embrapa Soja (Londrina - PR) aureo@cnpso.embrapa.br
 
Tema: Grãos e Matérias Primas
 
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