- Antônio Luiz Oliveira Heberlê
Informação e comunicação são processos férteis, envolventes e complementares e encontram nas tecnologias eletrônicas uma aliança que estabelece diferenças marcantes no nosso tempo. Aliás, com tais recursos as variáveis tempo e espaço passaram a ser cada vez mais relativas. Hoje praticamente todas as áreas do conhecimento manifestam a geração acelerada de informações, oriundas das diferentes atividades, motivadas pela velocidade dos processos simbólicos de interação social, mediados pelos diferentes aparatos tecnológicos.
Como resultado desse processo, parece bastante natural que tenham acontecido mudanças no comportamento social, demarcados pelos diferentes dispositivos, especialmente aqueles motivados pela proliferação ímpar de informações a respeito de atividades de desenvolvimento científico e tecnológico, o que se dissemina através dos diferentes meios de comunicação disponíveis na sociedade.
Não há nada mais inócuo hoje do que controlar a informação. Afinal, a informação tem por destino migrar, proliferar na sociedade, pois é esse o seu propósito e assim vai se incorporando ao cotidiano, praticamente sem controle, pois são inúmeros os recursos de recuperação. Além disso, a informação quanto mais curiosa, maior o seu valor no mercado atual.
Mas informação não é exatamente comunicação. Torna-se importante distinguir a preocupação com as instâncias interativas do processo de relacionamento social, porque elas se dão pelas competências ou pelas capacidades comunicativas dos grupamentos sociais. Neste sentido, difere bastante das preocupações da informação, onde os interlocutores se configuram como entidades que respondem a perguntas, dão ordens, fazem descrições, expressam dúvidas etc.
Além disso, pensar o espaço público não implica mirar um lugar de encontro unitário. Ele hoje é vasto, fragmentado e escapa pelos caminhos micro, das pequenas pátrias comunitárias e do macro, o grande mercado mundial. Tais contextos da esfera pública geram, para os diferentes campos, desafios a mais, que necessitam ser avaliados nas estratégias de divulgação.
Com os desafios que se apresentam continuamente no mercado da informação, as agendas públicas se organizam para apresentar seus conteúdos. Parece ser este o propósito de muitas instituições, ao considerar estratégico tanto gerar informações quanto multiplicá-las e fazê-las circular para o maior número possível de interessados.
Uma boa oportunidade para discutir aspectos como estes será o próximo Congresso Regiocom, idealizado pela Intercom e pela Cátedra da Unesco, que será realizado em Pelotas no mês de outubro de 2008. A temática eleita para a décima terceira edição – Comunicação e Desenvolvimento Local e Regional: as experiências dos países do Mercosul – será focalizada a partir da realidade comunicacional dos países que compõem o bloco do Cone Sul, em busca de compreender seus modelos, dinamizar as ações e projetar trabalhos integrados de comunicação, transferência e extensão.
- Pesquisador da Embrapa Clima Temperado

