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A origem do bovino da raça pé-duro (06/12/2010)
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  •  Por Geraldo Magela Cortes Carvalho

                                                                                              

             Quando os colonizadores Ibéricos chegaram a terras americanas, depararam com uma fauna e flora diversa da existente na Europa e outras colônias da África e da Ásia. Juntamente com as famílias de colonizadores, vieram diversas espécies de animais domésticos com a finalidade de auxiliar o homem na sua árdua tarefa de desbravar e assegurar o domínio sobre o "Novo Mundo" que então se descortinava. Dentro dessa premissa, destacaram-se os bovinos, que forneceram couro, leite, carne e trabalho aos nossos antepassados, colaborando sobremaneira para a exploração e desenvolvimento das novas colônias.

          Os primeiros bovinos importados para a América chegaram em 1493, na costa norte da ilha então denominada Hispaniola, hoje República Dominicana e Haiti. Todos os bovinos que povoaram a América Latina e o Sudeste dos Estados Unidos vieram nos primeiros anos da colonização e não passavam de mil cabeças. Aqueles bovinos que foram importados direta ou indiretamente da Península Ibérica no período de colonização da América são aqui definidos como gado crioulo.

          A maioria do gado importado era originária do sudeste da Espanha havendo semelhanças fenotípicas entre o gado crioulo e as raças atuais Retinta Andaluza e Berrenda. Entretanto, Colombo embarcou seu gado nas Ilhas Canárias, que havia sido comprado no Norte da Espanha alguns anos antes para trazê-los às Américas.

          A menor distância entre as Ilhas Ibéricas e a América era obviamente, vantajosa. Também foi dessas Ilhas que em 1542 partiu a primeira remessa de gado para a Colômbia e para San Antonio, Texas, em 1731. Portanto, não é surpresa a semelhança entre o gado Crioulo e as atuais raças da Galicia e Asturia do Norte da Espanha.

          A população original de bovinos multiplicou-se, sendo contada aos milhões no início do século XIX passando a povoar toda a América Latina, do Sul dos Estados Unidos até a Patagônia na Argentina, em vários tipos de ambientes e ecossistemas. As relações genéticas entre Texas Longhorn no Norte e o Crioulo argentino no Sul, foram confirmadas por pesquisas com marcadores genéticos com Crioulos argentinos com resultados de um estudo similar realizado na raça Texas Longhorn.

         

 

 

          O gado crioulo da raça Caracu, no Brasil, tem origem e semelhanças com as raças conhecidas como Minhota, Barrosã, Arouquesa e Mirandesa. Todas essas raças são provenientes do Norte de Portugal e a raça Minhota do Norte da Espanha é extremamente semelhante a raça Galicia. A semelhança fenotípica entre as raças naturalizadas do Brasil e da América Espanhola se deve às proximidades geográficas de suas origens.

          As informações a respeito da introdução do gado bovino no Brasil, embora haja discordância em relação a datas, dão um roteiro historicamente seguro de como isto ocorreu. Para alguns historiadores as primeiras cabeças de gado bovino foram introduzidas na região Nordeste (Pernambuco e Bahia) em 1535 por Tomé de Sousa, vindas diretamente da ilha de Cabo Verde.

         Segundo Santiago (1960), foi Martim Afonso de Sousa quem primeiro importou bovinos para a capitania de São Vicente em 1534, da qual era donatário, proveniente da Ilha da Madeira e de Cabo Verde. Esses animais eram trazidos juntos com os escravos e trocados por açúcar e outras mercadorias.

          Essas raças chamadas de crioulas, nativas, locais ou naturalizadas deram início ao povoamento dos campos naturais do Brasil, adaptando-se ao novo ambiente. O gado Crioulo formou grandes rebanhos e deu origem a diversas variedades, algumas das quais hoje já foram melhoradas, estando a grande maioria em perigo de extinção

           Em 1958, Athanassof descreve 13 raças Crioulas no Brasil, entre elas o Caracu, Igarapé, Pedreiro, Tourino, China, Mocho Nacional, Lageano, Pantaneiro, Junqueira, Franqueiro, Pé-Duro e Malabar. Apenas a raça Caracu não se encontra mais em perigo de extinção. Enquanto algumas raças já se extinguiram como a Igarapé, Pedreiro, Tourino, China, Franqueiro e Malabar, outras como a Junqueira, Mocho Nacional, Pantaneira, Lageano e Pé-Duro encontram-se em perigo de extinção e são conservadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

           Conforme José Herculano Carvalho, 1985, os primeiros bovinos foram introduzidos no Piauí por volta de 1674, por Domingos Afonso Mafrense, membro da casa d'Ávila, a partir do Rio São Francisco. Esses animais ocuparam inicialmente as regiões dos rios Canindé, Tranqueiras, Piauí e Gurguéia, espalhando-se depois para o Norte.

           Outros tipos que tiveram participação menor na formação do rebanho de origem colonial foram o Caracu, o Turino e o Malabar. Essas raças foram as principais responsáveis pela formação do tipo peculiar de bovinos que, comumente, é denominado no Piauí e no Nordeste do Brasil em geral, como Pé-Duro. Esses Bovinos foram ambientando-se ao calor e a outros fatores adversos, resultando, depois de séculos, em animais muito resistentes e adaptados a essas condições desfavoráveis.

             Portanto, os bovinos que habitam o Semiárido do Nordeste brasileiro foram introduzidos através do Rio São Francisco, de onde foram levados para os campos e cerrados de Minas Gerais e Goiás, dando origem ao gado Curraleiro no Planalto Central do Brasil. Para alguns autores, essa raça seria descendente direta da Mirandesa e, mais particularmente, da variedade Beiroa, que, além de Portugal, é encontrada na província espanhola de León.

            Entretanto, parece pouco provável que apenas bovinos mirandeses tenham dado origem ao gado Pé-Duro, mas sim um conjunto de reses de diferentes grupos genéticos, naquela época ainda não estabelecidos como raça. Por meio de seleção natural, predominaram os animais mais aptos a sobreviver e se multiplicar nessas regiões, constituindo assim o gado Pé-Duro.



Pesquisador da  Embrapa Meio-Norte                                                                                                       geraldo@cpamn.embrapa.br

 


 

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