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Você está aqui: Página Inicial Imprensa Notícias 2003 Junho Pesquisadores desenvolvem sistema para criação de bovinos em condições irrigadas
Pesquisadores desenvolvem sistema para criação de bovinos em condições irrigadas (25/11/2004)
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Não apenas as frutas são alternativas produtivas e econômicas para as áreas irrigadas do Nordeste. A pecuária também é. Um sistema intensivo de engorda de bovinos em pastagem irrigada desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Semi-Árido (Petrolina, PE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, leva o animal a ganhar entre 0,900 e 1,300 kg de peso vivo diário. Isto representa um potencial de produção anual superior a 130 arrobas de carne por hectare.

Em outra conta, esse resultado gera uma renda líquida anual correspondente ao valor de 1.000 kg de peso vivo. Se, ao invés da pecuária de corte, o sistema for usado para produção de leite, estima-se a obtenção de uma renda líquida mensal mínima igual a 1.200 litros. È uma rentabilidade muito boa para as duas atividades, garantem os pesquisadores Luiz Maurício Cavalcante Salviano e José Givaldo Goes Soares, da Embrapa Semi-Árido.

Forragens de alta produção - Os dados correspondem ao sistema da Embrapa que permite uma elevada taxa de lotação por hectare: 7 a 10 animais bovinos adultos. Na criação são combinados os cultivos de forragens que registram altas produções por unidade de área, além de valores nutritivos adequados, e o pastejo direto de forma alternada em áreas cercadas que subdividem os pastos. As forragens recomendadas pelos pesquisadores são o capim elefante e a leucena. O capim, em condições de irrigação, chega a produzir cerca de 400 t/ha/ano de massa verde. A leguminosa, por sua vez, atinge produção de até 100 t/ha/ano.

Para montar o sistema de forma eficiente, o produtor deve observar alguns coeficientes técnicos. Em especial aqueles que compatibilizam a oferta de forragem com o consumo demandado pela quantidade de animais ingressos no sistema. Esta é uma questão importante porque a relação entre esses dois fatores irá dimensionar com exatidão o tamanho da área cultivada com as forragens, explica Luiz Maurício.

Manejo e utilização da pastagem - As demandas de consumo pelos animais de capim elefante e leucena são diferentes. Isto define o espaço que cada uma das forrageiras ocupa dentro do sistema. No capim, o pastejo é feito em forma de sistema rotacionado pelos piquetes que dividem a área. O número de divisões varia com o tanto de dias que os animais são levados a pastejar e o tempo em que a forragem é deixada em descanso.

O tamanho dos piquetes com capim elefante depende do número de animais a serem ingressos no sistema. Um número excessivo de animais pode provocar mudança nos seus comportamentos, reduzindo o consumo de forragem e provocando redução no ganho de peso.

Em geral, a taxa de lotação recomendada é de 7 a 10 animais adultos por hectare ou de 25 a 35 m2 de pastagem bem formada, por dia, para cada animal. Considerando um lote de 30 animais, uma área de pastagem de 28m2  e um período de ocupação de quatro dias em cada um deles, seriam necessários dividir a área em 10 piquetes iguais de 3.360 m2 cada (30x28x4). Com esse período de ocupação, os piquetes terão um tempo de descanso de 36 dias, calcula Maurício.

A área com leucena é submetida ao ramoneio rotacionado. Seu tamanho varia de 20 a 25% da área total ocupada com capim elefante. Isto corresponde a aproximadamente 6 a 8 m2 do espaço destinado por animal/dia na leucena. A rotação do ramoneio é efetivada em quatro piquetes. Em cada um deles, porém, a ocupação recomendada é de apenas uma hora por dia, durante 10 dias e descanso de um mês.

Pastejo e romaneio - As cercas externas das áreas plantadas devem ser fixas. Nelas podem ser utilizados arames farpado ou liso, com mourões e estacas de madeira. As cercas internas que dividem os piquetes também podem ser fixas e com os mesmos tipos de arames. Outra opção, no entanto são as cercas eletrificadas com os mesmos tipos de arame. Segundo Maurício, estas cercas têm custo de implantação e manutenção inferior aos das cercas convencionais. O seu uso, no entanto, não é recomendado para piquetes que não tenham boa largura e, também, nos corredores de manejo para evitar o estresse dos animais pela possibilidade de maior freqüência de choques elétricos.

A área estabelecida com capim elefante poderá ser utilizada para pastejo quando as plantas estiverem com altura em torno de 1,5 e 2,0 metros de altura. Isto ocorre, aproximadamente, três a quatro meses depois do plantio. Após o primeiro pastejo, o pesquisador orienta a fazer um corte em todas as plantas para haver uma melhor uniformização e desenvolvimento da pastagem. Este procedimento resulta em maior perfilhamento e aumento do diâmetro das touceiras.

O corte deve ser efetuado a uma altura de 20 cm do nível do solo logo após o último dia de ocupação do piquete. Desta forma, as pastagens de cada piquete terão um crescimento diferenciado, facilitando o uso posterior das plantas de maneira mais uniforme e com melhor valor nutritivo.

A leucena, também, deve ser consumida quando estiver com 1,5 a 2,5 metros de altura. A partir desta altura a leucena encontra-se no tamanho adequado para ser utilizada no ramoneio. Esta altura ocorre 5 a 6 meses após o plantio. Para a leucena, não há necessidade de se fazer corte de uniformização. Entretanto, explica o pesquisador, se for observado um desenvolvimento da planta acima da linha de ramoneio, ou seja, partes da planta ficarem fora do alcance dos animais, é conveniente se fazer uma poda na altura entre 0,50 e 1,0 m, após a ocupação do piquete.

A criação de animais em áreas irrigadas no Nordeste ainda é pequena, diz Luiz Maurício. A região, contudo, é importadora de carne e leite. O consumo anual de leite no Nordeste é de cerca de 0,112 litros por dia. O recomendado é de 146. Com relação ao consumo de carne, estima-se que há um déficit estimado em 220 mil t/ano. Estes números evidenciam o mercado potencial para a criação bovina em áreas irrigadas, garante o pesquisador.


Mais informações:
Luiz Maurício Cavalcante Salviano – Pesquisador - salviano@cpatsa.embrapa.br
Marcelino Ribeiro – Jornalista
Embrapa Semi-Árido
Contatos: (87) 3862-1711 - marcelrn@cpatsa.embrapa.br
 
Tema: Produtos Agropecuários\Pecuária e Pastagens\Gado de Corte\Carne
 
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