O processo de transferência de tecnologia do Sistema Bragantino tem dado bons resultados. Após o curso a respeito da tecnologia, nesta quinta-feira(7) e
sexta-feira ( 8), no município paraense de Barcarena, o pesquisador
Manoel da Silva Cravo, da Embrapa Amazônia Oriental, unidade da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, avalia que a maioria dos
extensionistas da Emater-PA terão sido capacitados como agentes
multiplicadores.
Apenas com relação à Emater-PA, a programação de quatro cursos nos
últimos dois anos e meio atingiu técnicos dos escritórios regionais de
Capanema, Castanhal, São Miguel do Guamá e, agora, do Baixo Tocantins e
das Ilhas. A capacitação está aberta também a técnicos agrícolas em
geral e de secretarias municipais de agricultura, estudantes e produtores.
Manoel Cravo estima que duas mil pessoas já foram capacitadas com as
técnicas do Sistema Bragantino desde seu lançamento em
2005, em Tracuateua (PA). O sistema, recomendado como opção de
agricultura sustentável para a Amazônia, envolve o cultivo, em rotação e
consórcio, das culturas de maior expressão socioeconômica no nordeste
paraense: mandioca, feijão-caupi, milho e arroz.
Os resultados iniciais indicavam, na época do lançamento, que a adoção
do Sistema Bragantino permite aumentar, no mínimo, por hectare, em
quatro vezes mais a produtividade da cultura da mandioca por hectare; em
sete vezes mais a do milho e em oito vezes mais a do arroz. As pesquisas
científicas comprovam que o modelo é mais rentável ao produtor e menos
danoso ao meio ambiente que o sistema itinerante (derruba-e-queima)
utilizado na região há mais de um século.
Avanços
Após quase três anos desde o lançamento, o Sistema
Bragantino avançou em várias frentes. Atualmente existe uma negociação
em andamento para introdução no sistema de culturas energéticas (mamona,
girassol e amendoim), para produção de bionergia, “mas sem descuidar da
segurança alimentar dos pequenos produtores rurais”, ressalta Manoel Cravo.
As atividades do Sistema Bragantino, que antes se restringiam apenas a
culturas anuais, hoje são também dirigidas para culturas perenes, com
Unidades de Observação em Terra Alta (2), Inhangapi e Tracuateua. Quanto
a Unidades Demonstrativas no modelo convencional, atualmente existem
oito no Pará, instaladas em Barcarena, Tomé Açu, São Miguel do Guama,
Terra Alta (3), Maracanã e Tracuateua.
Por meio de cursos semelhantes a este de Barcarena, o Sistema Bragantino
já foi introduzido no Amapá e no Acre. Palestras no Pará e em outros
Estados, como o Amazonas, têm ajudado a divulgar as técnicas e os
benefícios entre estudantes de colégios agrícolas, universitários e
participantes de congressos.
Izabel Drulla Brandão (MTb 1084/PR)
Embrapa Amazônia Oriental
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