O 31º Congresso Paulista de Fitopatologia, organizado por pesquisadores do Instituto Biológico, que acontece de 12 a 14 de fevereiro, na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), em Campinas, SP, irá discutir o aquecimento global e suas implicações para o estudo de doenças de plantas.
A abertura do congresso será feita por Carlos Nobre,
pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que há
muitos anos trabalha com mudanças climáticas globais.
Nobre discorrerá sobre a situação mundial diante do efeito estufa, com
ênfase para a situação do país. Também serão abordadas a contribuição do
Brasil para a sua mitigação, bem como a adaptação às mudanças que já
ocorreram e são praticamente irreversíveis.
Doenças de plantas
Raquel Ghini, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP),
unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, irá apresentar
cenários climáticos futuros em doenças de plantas.
O aumento já verificado da concentração de CO2 atmosférico e as
previsões de que isso continue por décadas, apesar dos esforços
internacionais para redução das emissões, torna necessário o estudo dos
impactos sobre doenças de plantas, explica Ghini. Trabalhos de
experimentação podem fornecer informações quanto às alterações na
planta, no patógeno e na doença e suas conseqüências.
A taxa de aquecimento dos últimos 50 anos é quase o dobro da observada
nos últimos 100 anos. “Além disso, observa-se que padrões de
precipitação estão sofrendo alterações, especialmente com o aumento da
freqüência de chuvas intensas e secas, em algumas regiões”, diz a
pesquisadora.
Dessa forma, as mudanças climáticas podem representar uma das maiores
ameaças para a humanidade nas próximas décadas. Como a agricultura é um
setor particularmente vulnerável, isso torna estratégica a avaliação de
impactos sobre doenças de plantas e estudos de medidas de adaptação a
esses problemas, enfatiza Ghini.
Cenários climáticos futuros
Por meio de base de dados disponibilizada pelo Painel Intergovernamental
de Mudanças Climáticas (IPCC), é possível avaliar a tendência de aumento
ou diminuição da incidência ou severidade de doenças, aplicando-se
modelos de previsão com variáveis como temperatura média, máxima,
mínima, precipitação, insolação, umidade relativa e outras. Conforme
Ghini, na Embrapa Meio Ambiente, as médias dos dados climáticos
disponibilizados para o Brasil estão sendo utilizadas para a confecção
de mapas com uso do Sistema de Informações Geográficas (SIG).
Assim, mapas de distribuição nos cenários futuros para a Sigatoka negra
da bananeira, bicho-mineiro-do-cafeeiro, nematóides e ferrugem do
cafeeiro e míldio da videira estão sendo comparados com os mapas
referentes ao clima da normal climatológica de 1961 a 1990, com
possibilidade de se avaliar a tendência de evolução desses problemas.
Outros temas do congresso são o controle de Pythium em sistemas
hidropônicos, leprose e Huanglongbing dos citros, expansão da cultura da
cana-de-açúcar e doenças em pós-colheita de frutos.
Cristina Tordin
Jornalista, MTb 28499
Embrapa Meio Ambiente

