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Congresso debaterá aquecimento global, agricultura e doenças de plantas (23/01/2008)
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Congresso debaterá aquecimento global, agricultura e doenças de plantas

O 31º Congresso Paulista de Fitopatologia, organizado por pesquisadores do Instituto Biológico, que acontece de 12 a 14 de fevereiro, na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), em Campinas, SP, irá discutir o aquecimento global e suas implicações para o estudo de doenças de plantas.

A abertura do congresso será feita por Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que há muitos anos trabalha com mudanças climáticas globais.

Nobre discorrerá sobre a situação mundial diante do efeito estufa, com ênfase para a situação do país. Também serão abordadas a contribuição do Brasil para a sua mitigação, bem como a adaptação às mudanças que já ocorreram e são praticamente irreversíveis.

Doenças de plantas

Raquel Ghini, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, irá apresentar cenários climáticos futuros em doenças de plantas.

O aumento já verificado da concentração de CO2 atmosférico e as previsões de que isso continue por décadas, apesar dos esforços internacionais para redução das emissões, torna necessário o estudo dos impactos sobre doenças de plantas, explica Ghini. Trabalhos de experimentação podem fornecer informações quanto às alterações na planta, no patógeno e na doença e suas conseqüências.

A taxa de aquecimento dos últimos 50 anos é quase o dobro da observada nos últimos 100 anos. “Além disso, observa-se que padrões de precipitação estão sofrendo alterações, especialmente com o aumento da freqüência de chuvas intensas e secas, em algumas regiões”, diz a pesquisadora.

Dessa forma, as mudanças climáticas podem representar uma das maiores ameaças para a humanidade nas próximas décadas. Como a agricultura é um setor particularmente vulnerável, isso torna estratégica a avaliação de impactos sobre doenças de plantas e estudos de medidas de adaptação a esses problemas, enfatiza Ghini.

Cenários climáticos futuros

Por meio de base de dados disponibilizada pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), é possível avaliar a tendência de aumento ou diminuição da incidência ou severidade de doenças, aplicando-se modelos de previsão com variáveis como temperatura média, máxima, mínima, precipitação, insolação, umidade relativa e outras. Conforme Ghini, na Embrapa Meio Ambiente, as médias dos dados climáticos disponibilizados para o Brasil estão sendo utilizadas para a confecção de mapas com uso do Sistema de Informações Geográficas (SIG).

Assim, mapas de distribuição nos cenários futuros para a Sigatoka negra da bananeira, bicho-mineiro-do-cafeeiro, nematóides e ferrugem do cafeeiro e míldio da videira estão sendo comparados com os mapas referentes ao clima da normal climatológica de 1961 a 1990, com possibilidade de se avaliar a tendência de evolução desses problemas.

Outros temas do congresso são o controle de Pythium em sistemas hidropônicos, leprose e Huanglongbing dos citros, expansão da cultura da cana-de-açúcar e doenças em pós-colheita de frutos.



Cristina Tordin
Jornalista, MTb 28499
Embrapa Meio Ambiente

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