A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa promove nesta sexta, dia 25, na Sede da Empresa em Brasília, reunião com uma delegação chinesa composta por representantes de várias instituições de pesquisa com o objetivo de discutir as diretrizes de cooperação técnica entre os dois países para produção de álcool a partir de mandioca. O evento está sendo promovido pelas unidades da Embrapa - Recursos Genéticos e Biotecnologia; Cerrados; Agroenergia e Mandioca e Fruticultura e conta com a presença de pesquisadores e dirigentes da Empresa. A comitiva chinesa fica no Brasil até o dia 28 de janeiro, quando visita a Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas, na Bahia.
A cooperação técnica tem como base a utilização de mandioca açucarada para
produção de etanol, como explica o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho. Em 1996, o pesquisador e
sua equipe identificaram mutantes naturais de mandioca na Amazônia ricas em
glicose.
Hoje, depois de testes bioquímicos e genéticos, já se sabe que a mandioca
açucarada tem grandes vantagens, como o alto teor de glicose. “Os programas de
melhoramento de mandioca no Brasil são orientados para produção de farinha e
fécula. As novas variedades obtidas a partir da mandioca açucarada podem
diversificar o mercado de derivados da mandioca em uso comercial na
atualidade”, afirma Castelo.
Uma delas é a produção de álcool, já que a mandioca açucarada permite a obtenção
de etanol direto da garapa extraída da raiz. Este fato contrasta com o processo
convencional que exige hidrólise do amido presente no tubérculo. A China
cultiva cerca de 200 mil hectares com mandioca para produção de álcool usando o
processo convencional de hidrólise do amido para açúcar e a sua conversão em
etanol.
De acordo com Castelo, as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa desde 1996 já
permitiram identificar genes e características responsáveis pelas mutações
naturais que podem beneficiar vários setores da indústria. Atualmente, essas
características estão sendo transferidas para variedades comerciais por
técnicas de melhoramento genético convencional e utilizadas para incrementar os
estudos genômicos e o conhecimento sobre a funcionalidade das mutações naturais
nas variedades de mandioca açucarada.
Os resultados alcançados pela Embrapa despertaram o interesse da CATAS -
Chinese Academy of Tropical Agricultural Sciences em desenvolver cooperação
técnica para utilização das variedades mutantes de mandioca na produção de
etanol. Pelo lado brasileiro, a parceria técnica com a China vai promover
avanços no projeto do genoma da mandioca que já tem um piloto do genoma
funcional e melhoramento convencional em desenvolvimento na parceria entre a
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Cerrados. Segundo o
pesquisador, os chineses detêm uma técnica genômica de alta escala que aumenta
a eficiência na obtenção e sistema de análises do genoma de natureza
equivalente da mandioca e em populações, como é o caso das variedades de
mandiocas açucaradas.
É importante ressaltar que a cooperação está sendo
estabelecida de acordo com os parâmetros ditados pela legislação brasileira que
trata do acesso e repartição de benefícios oriundos da biodiversidade
Programação da delegação chinesa no
Brasil
A vinda da comitiva chinesa ao Brasil prevê ainda visitas a duas unidades
da Embrapa no Distrito Federal: a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e
a Embrapa Cerrados.
Fernanda Diniz (4685/89 DF)
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