A
história da inserção e integração
japonesa na Amazônia é tema do livro “A Imigração
Japonesa na Amazônia - sua Contribuição ao
Desenvolvimento Agrícola”, do pesquisador da Embrapa
Amazônia Oriental, Alfredo Homma. O lançamento se
realiza nesta quinta-feira, dia 31, às 19h, na Federação
das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em Belém/PA.
A
obra faz parte das comemorações do centenário da
imigração japonesa no Brasil promovida pela Embrapa e
mostra a particular experiência do desenvolvimento agrícola
promovida por esses imigrantes na região amazônica,
principalmente na introdução de juta e
pimenta-do-reino, duas importantes culturas exóticas da região
que ganharam, cada uma, seu espaço no livro.
A
curiosidade do autor em estudar sobre o tema possui, além de
tudo, valor sentimental, já que seus antecedentes chegaram na
região no início da década de 1930. Para Homma,
amazonense, natural de Parintins, discutir a imigração
japonesa é analisar a compensação da
transferência de recursos genéticos e as transformações
resultantes. “Até meados do século 1920 era comum a
transferência de recursos genéticos em vários
sentidos, característica inata de migrantes, na busca de
sonhos e esperanças na sua nova terra. Em alguns casos essa
transferência representava interesses de estado na busca de
novas plantas para gerar riquezas”, diz o autor, no prefácio
do livro.
Homma
dedicou um capítulo exclusivo para a questão das
transferências genéticas promovidas pelos imigrantes
japoneses. “A região amazônica sempre se caracterizou
por um intenso movimento de material genético, desde os
primórdios de sua ocupação”, explicou.
Inserção
japonesa
Segundo
relatos do livro, os primeiros imigrantes japoneses que se destinaram
a Amazônia saíram do Porto de Kobe, no Japão, no
dia 24 de julho de 1926, e só chegaram ao município de
Tomé-Açu, no dia 22 de setembro do mesmo ano, com
paradas no Rio de Janeiro e Belém.
Além
da juta e a pimenta-do-reino, os japoneses foram responsáveis
também pela introdução de mamão hawai e
do melão em junho de 1970. A terceira maior colônia
japonesa no Brasil está no Pará, com cerca de 13 mil
habitantes, perdendo para os estados de São Paulo e Paraná.
Eles vivem principalmente nos municípios de Tomé-Açu,
Santa Izabel e Castanhal. "Aliás, Tomé-Açu
foi o primeiro local do Norte do país a receber imigrante
japoneses, por volta de 1929. Os colonos nipo-brasileiros permanecem
no mesmo local, onde se tornaram modelos no desenvolvimento de
sistemas agroflorestais e tiveram a capacidade de se adaptar às
mudanças de mercado e aparecimento de pragas e doenças,
adotando sempre novas estratégias produtivas e os preceitos de
conservação", explica Homma.
O
autor
Alfredo
Homma é pesquisador da Embrapa desde 1974 e colabora com
cursos de pós-graduação da Universidade Federal
do Pará e na Universidade Federal Rural da Amazônia. É
Engenheiro Agrônomo, formado pela Universidade Federal de
Viçosa (1970), com Mestrado (1976) e Doutorado (1989) em
Economia Rural, pela mesma Universidade. Entre os prêmios
recebidos ao longo do seu trabalho, destaca-se o Prêmio
Frederico de Menezes Veiga, concedido pela Embrapa em 1997.
Juliana
Freire (MTb 3053/DF)
Contato:
(61) 3448-4039
juliana.freire@embrapa.br

