No município paraense de Tracuateua será realizado na manhã desta
sexta-feira (19) um dia de campo voltado à transferência de tecnologias
para produção do feijão-caupi, cultura com agronegócio em franca
expansão no Estado do Pará.
O Pará é o maior produtor de feijão-caupi da
região
Norte, mas a imensa maioria (cerca de 90%) dos grãos plantados no
Estado é consumida fora dele, especialmente no Nordeste brasileiro. E
isso não acontece por acaso: o feijão-caupi é
a espécie de leguminosa comestível que se torna inseparável do arroz no
prato típico nordestino baião-de-dois, também consumido em outras
regiões do País mas em menor escala que no Nordeste.
Tracuateua é município da região Bragantina, na qual se concentra o
pólo produtivo do grão no Pará. Durante o evento (na área de produção
da Agropecuária Milênio, Ramal Braço Grande, Vila Fátima),
especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa,
vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
juntamente com os produtores-parceiros da Embrapa na pesquisa com a
leguminosa, vão se encarregar de fazer explanações sobre os diferentes
aspectos da pesquisa e os impactos gerados com os avanços tecnológicos
introduzidos no agronegócio do feijão-caupi.
O pesquisador Francisco Rodrigues Freire Filho, da Embrapa Meio-Norte
(Teresina/PI), que estará em Tracuateua, é especialista em melhoramento
genético do feijão-caupi e o centro da Embrapa onde desenvolve
pesquisas nessa linha é referência nacional e mundial no trabalho com a
leguminosa.
A Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA), por sua vez, “tem sido parceira
da Embrapa Meio-Norte no sentido de fazer os experimentos nos campos
paraenses e validar as pesquisas para que as novas cultivares possam
ser recomendadas de acordo com as particularidades agrícolas
regionais”, explica o pesquisador Manoel da Silva Cravo, responsável
por experimentos com feijão-caupi no Pará.
Nas quatro estações demonstrativas do dia de campo, o público receberá
informações sobre melhoramento genético (por Francisco Freire Filho),
avaliação de linhagens promissoras (por Altevir Lopes, pesquisador
responsável também pela organização do evento), manejo da fertilidade
do solo (por Manoel Cravo) e variações no modelo produtivo Sistema
Bragantino, no qual um dos componentes é o feijão-caupi.
HISTÓRIA DE INOVAÇÕES – A parceria entre a Embrapa Amazônia
Oriental e a Embrapa Meio-Norte resultou, nos últimos anos, no
lançamento de cultivares com porte moderno, maturidade mais uniforme e
grãos de ampla aceitação comercial, informam os especialistas. A BRS
Novaera, por exemplo, lançada em 2007, é considerada uma tecnologia
agrícola com diferencial marcante para o cultivo do feijão-caupi no
Brasil. "A colheita dos grãos da Novaera pode ser totalmente
mecanizada. É uma cultivar adequada para agricultores empresariais mas
também recomendada para agricultores familiares, porque as vagens da
leguminosa maturam na mesma época, permitindo colheita de uma só vez
por meio do arranquio manual ou do corte das plantas”, salienta o
pesquisador Francisco Freire.
As variedades Milênio e Urubuquara, lançadas em 2005, marcaram época
porque há 20 anos não havia lançamentos de cultivares de feijão-caupi
recomendadas à região e por isso se tornaram símbolo dos avanços
tecnológicos conquistados com o esforço conjunto da pesquisa e do setor
produtivo regional. “E isso foi fruto de uma demanda vinda dos próprios
produtores da região Bragantina, que procuraram a Embrapa por volta do
ano 2000 e se mantêm parceiros nas pesquisas até hoje”, relembra o
pesquisador Manoel Cravo.
Quanto ao Sistema Bragantino, lançado também em 2005, é um modelo
produtivo (para agricultura familiar e empresarial) que alia a técnica
do plantio direto ao cultivo da mandioca, feijão-caupi, milho e arroz
em rotação e consórcio. De acordo o pesquisador Manoel Cravo,
responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, outras culturas estão
sendo incorporadas ao sistema e algumas dessas inovações, com
resultados já disponíveis, vão ser apresentadas ao público do dia de
campo pelos produtores Benedito Dutra Luz
Souza e Francisco Douglas Rocha Cunha.
Izabel Drulla Brandão (MTb 1084/PR)
Jornalista
Embrapa Amazônia Oriental (Belém/PA)
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