A observação dos hábitos alimentares espontâneos dos animais nas áreas
secas do Nordeste tem levado à identificação de plantas com potencial
forrageiro para cultivo pelos agricultores. É assim com a Pustumeira
(Gomphrena sp.), uma espécie de arbusto que chamou a atenção do
pesquisador Francisco Pinheiro de Araújo, da Embrapa Semi-Árido, por se
destacar com um verde “exuberante” numa paisagem em que a vegetação se
encontrava já totalmente seca em municípios do sudoeste da Bahia.
A observação do pesquisador foi acentuada pelo local onde as plantas de
pustumeira vegetavam: uma encosta de estrada com solo cheio de
pedregulhos e de baixa fertilidade. Levada para análise no Laboratório
de Nutrição Animal, constatou-se outra qualidade importante em uma
planta forrageira: altos níveis de proteína na folha (22,6%) e caule
(13%). A espécie ainda é muito palatável, o que significa dizer que os
animais consomem sem qualquer dificuldade, pastejando diretamente no
campo, explica Pinheiro.
Perene
Identificar plantas com essas características na rica
biodiversidade da caatinga contribui para estabelecer manejos
sustentáveis de atividades agrícolas fundamentais na região, a exemplo
da criação caprina e ovina. Bem adaptada aos rigores climáticos do
semi-árido, a pustumeira pode ser implantada em áreas já desmatadas e
que estão em descanso nas propriedades.
Na Embrapa Semi-Árido, a espécie está num processo de domesticação. Os
pesquisadores e técnicos realizam vários testes de campo em diferentes
ambientes e em laboratórios a fim de estabelecer a melhor maneira de seu
uso nos sistemas de produção pecuário no sertão nordestino. A
disponibilidade de uma forragem com os níveis nutricionais e a
resistência à seca dessa espécie nativa, aumenta a capacidade de suporte
dos animais nas propriedades.
Os resultados já obtidos nos testes animam o pesquisador a estimular o
plantio pelos agricultores. Segundo ele, já se sabe que a melhor maneira
de cultivo é por meio de mudas que pode ser feita de modo bem simples,
em sacos plásticos. Um galho tenro (ainda verde) com 15 cm de
comprimento e pelo menos quatro gemas (locais de onde sairão novos
galhos) é o bastante para o plantio nos sacos. A brotação e a formação
de raízes ocorrem após 35 dias. Sessenta dias depois, as mudas estarão
prontas para serem levadas ao campo. O ideal é que este período coincida
com o início das chuvas.
Colheita
A primeira colheita já pode ser feita cerca de 6-7 meses após o plantio.
Neste momento, é comum a vegetação da caatinga se encontrar em adiantado
estado de seca. Em apenas hum hectare, sob o espaçamento de 1,0 m nas
linhas e 0,5 m entre as plantas é possível colher até 5 toneladas de
matéria seca. “É uma produção muito boa” para uma espécie rústica que
pode ser cultivada nos mais variados tipos de solo da região semi-árida,
especialmente, nas áreas de pousio, além de apresentar a vantagem de ser
uma espécie perene.
A reunião das características de ser uma espécie altamente palatável,
tolerante à seca, com potencial produtivo e nutritivo, torna a
pustumeira uma importante alternativa para cultivo pelos agricultores
familiares nas áreas dependentes de chuva. Por essas qualidades, pode
ser usada como banco de proteínas, com pastejo direto de apenas duas
horas por dia, ou ser utilizada nas formas de feno e silagem. .
Contato:
Francisco Pinheiro de Araújo – pesquisador;
pinheiro@cpatsa.embrapa.br
Marcelino Ribeiro – jornalista,
marcelrn@cpatsa.embrapa.br
Embrapa Semi-Árido – 87 3862 1711

