Depois de cinco anos de pesquisas para obter alimentos biofortificados (variedades melhoradas que apresentam um conteúdo maior de minerais e vitaminas) chegou o momento de ver qual a aceitação de alguns deles.
Cerca de 100 crianças de duas escolas estaduais do povoado Santana dos Frades, em Pacatuba, Sergipe, opinarão sobre variedades de feijão ricas em ferro e zinco (BRS Pontal) e de macaxeira-amarela com altos teores de betacaroteno.
Na terça-feira( 30) , o teste será realizado com os alunos da Escola Estadual Padre Nestor Matieu. Sergipe, assim como o Maranhão, foi escolhido para participar do projeto de biofortificação por apresentar altos índices de hipovitaminose A e anemia ferropriva.
O teste de aceitação que está sendo aplicado utiliza a escala hedônica facial e é conduzido por professores e alunos do curso de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Neste teste as crianças avaliam o
sabor de duas amostras dos alimentos testados, sendo uma biofortificada e outra não. Ao final será verificado, no grupo estudado, o grau de aceitação do produto pela população infantil.
Essa é uma das atividades do projeto de biofortificação desenvolvido por meio dos programas Harvest Plus e AgroSalud, que formam uma rede de instituições de pesquisa que atuam em vários países para melhorar a
qualidade dos alimentos amplamente consumidos pelas populações de baixa renda da América Latina, África e Ásia. As variedades usadas nos testes de aceitação foram desenvolvidas por pesquisadores da Embrapa e produzidas em áreas de pesquisa localizadas nos municípios sergipanos de Frei Paulo e Umbaúba.
O feijão BRS Pontal, do tipo carioca, foi lançado recentemente para o agreste sergipano. Ele tem teores aproximados de 70% e 50% de ferro e
zinco, respectivamente, além de apresentar alta produtividade. Com relação à macaxeira, estão sendo testadas três híbridos, ainda em avaliação, com
teores de betacaroteno em torno de 9 microgramas por quilo. A meta é atingir 15 microgramas por quilo. A ausência de ferro, zinco e betacaroteno na alimentação pode provocar cegueira, anemia, baixa resistência a doenças e menor desenvolvimento do intelecto.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju –SE) Fernando Curado, o propósito deste trabalho é favorecer o levantamento de
informações fundamentais nas intervenções futuras das instituições relacionadas com a temática da alimentação e nutrição no estado. “Neste sentido, essas intervenções estarão relacionadas com a melhoria da qualidade nutritiva e a disponibilidade desses alimentos para a população”, afirma o pesquisador.
Desnutrição
Além do teste de aceitação, os pesquisadores já realizaram a avaliação do estado nutricional de 136 crianças e adolescentes das duas
escolas do povoado de Santana dos Frades. Segundo os pesquisadores, os resultados encontrados evidenciaram a desnutrição crônica desta população,
sendo os adolescentes os mais afetados.
Em Sergipe, o projeto de biofortificação está sendo conduzido pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, Universidade Federal de Sergipe (UFS), secretarias
de Estado de Inclusão e Desenvolvimento Social; Educação e Saúde, e Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).
No Brasil, o projeto de biofortificação, iniciado em 2003, conta com pesquisadores de sete Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa –vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Outros alimentos que fazem parte do projeto de biofortificação são arroz, abóbora, batata-doce de polpa alaranjada, feijão-caupi e milho.
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