A Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) recebeu na última sexta-feira (24)
um grupo de produtores de morango da região do Distrito Federal.
Acompanhados por técnicos da Emater-DF, à frente o gerente da Unidade
Local de Brazlândia, Blaiton Carvalho, os produtores receberam
orientações e instruções a respeito da importância de produzir alimentos
seguros, tanto do ponto de vista da saúde dos consumidores, como do
retorno financeiro propiciado pela atividade.
A participação de produtores e extensionistas faz parte do roteiro
previsto no projeto "Segurança alimentar e inclusão social na cadeia
produtiva de morango do DF: agregação de valor, geração de renda,
capacitação técnica e redução da pobreza no meio rural", que envolve um
pool de instituições como a Embrapa Hortaliças, Emater-DF, Universidade
de Brasília e Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Esta última
foi o destino, em setembro de 2008, de dez extensionistas da Emater que
participaram, com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, de um
curso de capacitação na área de produção e pós-colheita de morango, e
conheceram a experiência local de transferência de tecnologia.
O pesquisador Celso Moretti, chefe geral da Embrapa Hortaliças, que deu
início aos trabalhos, discorreu sobre o tema Boas Práticas Agrícolas –
BPAs do morango, "fundamentais para dissociar o produto da aplicação
indiscriminada de agrotóxicos". Para fazer um contraponto a essa ideia,
segundo ele, é essencial que a cadeia produtiva do morango leve em conta
os elementos que podem maximizar ou minimizar os riscos de oferecer ao
mercado um produto contaminado. "Não apenas com excesso de agrotóxicos,
mas também com a presença de micro-organismos prejudiciais à saúde",
acrescenta.
Para Moretti, o princípio básico que deveria nortear toda essa questão
está diretamente relacionado a uma tomada de consciência que pode ser
conferida a partir da seguinte reflexão: "Somos produtores de alimentos
e se o que produzimos pode ser consumido sem riscos pelas nossas
famílias, pode também ser oferecido à população".
O pesquisador observou que as normas preconizadas nas BPAs não se
constituem em simples imposições, mas os meios que permitem ao produtor
atingir novos mercados e consolidar a sua posição junto ao mercado
consumidor. E afirmou sua certeza no sucesso do projeto do morango,
tendo em vista a união de forças em torno dele. "A Embrapa Hortaliças e
a Emater, sozinhas, não vão conseguir alcançar os resultados esperados
se não houver o engajamento dos produtores", destacou Moretti.
A pesquisadora Iriani Maldonade reforçou as recomendações de Celso
Moretti, ao chamar a atenção para o fato de que todos os envolvidos nas
diferentes etapas do processo produtivo do morango são responsáveis pela
segurança do alimento. A Análise dos Perigos e Pontos Críticos de
Controle – APPCC, um sistema de gerenciamento que prevê o cumprimento de
diversas etapas dentro da cadeia produtiva, foi apresentada por Iriani
como mais uma ferramenta para alcançar o objetivo de produzir alimentos
seguros.
Segundo ela, o sistema permite detectar onde está o problema, como e
quem pode resolver, mas faz uma ressalva: seu êxito depende da correta
aplicação das BPAs, "base de qualquer tipo de gerenciamento".
Sistema de rastreabilidade
Traduzido pela pesquisadora Leonora Mansur como "comprar morango e saber
a sua origem", o sistema de rastreabilidade ainda é pouco conhecido pela
maioria dos produtores. Mas por pouco tempo, já que uma das propostas do
projeto prevê a implantação da rastreabilidade nos diversos segmentos da
cadeia produtiva. "Na prática, isto significa que o consumidor ficará
informado sobre todo o caminho percorrido pelo morango, através das
informações contidas nas embalagens", assinalou.
A esse respeito, a pesquisadora alertou para a necessidade dos registros
por parte dos produtores, para que todo o processo de produção tenha o
"seu DNA" devidamente identificado. "Dessa forma, o produtor terá os
elementos para contestar uma possível informação que considere
equivocada, como a de que o morango produzido na sua propriedade
apresenta altos índices de resíduos de agrotóxicos. Não tendo como
provar sua isenção, poderá sofrer grandes prejuízos."
Produção Integrada foi o último tópico abordado. O pesquisador Jorge
Anderson foi o responsável pela apresentação do tema que fechou mais uma
etapa do curso de capacitação.
Anelise Macedo – MTb 2749/DF
Embrapa Hortaliças
Contatos:(61) 3385 9109

