Na quarta-feira (6) a Embrapa Semiárido e a Universidade da
Filadélfia (USA) realizarão o II Workshop sobre Alternativas
Tecnológicas para Convivência com o Semiárido. O evento é organizado
para agricultores familiares, assentados de reforma agrária e técnicos
com atividades vinculadas à extensão rural em organizações não
governamentais e instituições públicas da Bahia e de Pernambuco.
Os pesquisadores destas instituições vão dar ênfase, no evento, ao
cultivo consorciado de três espécies forrageiras: guandu, sorgo e
milheto. As duas primeiras são bem conhecidas dos agricultores da região
dependente de chuva no Nordeste. No entanto, nos sistemas de produção
mais comuns da região são cultivadas de forma isolada. Perdem, assim, os
benefícios que a interação entre essas espécies proporcionam tanto ao
solo quanto na produção de forragem.
Essencial
Segundo o engenheiro agrônomo, Francisco Pinheiro de Araújo,
pesquisador da Embrapa Semiárido, as gramíneas (sorgo e milheto) e a
leguminosa (guandu) têm características que, ao serem cultivadas juntas,
se ajudam mutuamente a crescerem no ambiente quente e seco, e de chuvas
irregulares, do sertão nordestino.
Ele explica que o guandu explora melhor o solo devido à capacidade de
suas raízes buscarem maiores quantidades de nutrientes nas camadas mais
profundas da área onde está cultivado. Além do mais, esta espécie é
capaz de absorver, de forma biológica, o nitrogênio (N) que existe na
atmosfera e o deixa disponível no solo para as gramíneas o absorverem. O
nitrogênio é um nutriente essencial para o crescimento das plantas, afirma.
Outra vantagem apontada pelo pesquisador é que, como o guandu e as
gramíneas crescem em ritmos diferentes, elas mantêm o solo sempre com
cobertura vegetal. Isto tem um efeito ambiental importante, pois evita
que as chuvas ao escorrerem, carreguem os nutrientes da área plantada.
Esta é uma situação de grande impacto no semiárido, onde, em geral, os
solos são pouco férteis e rasos.
Forragem
De acordo com Francisco Pinheiro, o guandu é uma espécie
hábil em produzir em solos com déficit hídrico e de baixa fertilidade. O
teor de proteína e de fibra bruta na massa seca das folhas dessa planta
é estimado em 22% e 42%, respectivamente. São características que
apontam a leguminosa como forrageira de alta qualidade para ampliar os
níveis de produção e de sustentabilidade dos sistemas de criação
pecuária do sertão nordestino, garante.
Misturados às gramíneas, milheto e sorgo compõem uma forragem com maior
índice de proteína e de palatabilidade, além de uma ração bastante
melhorada. O II Workshop vai avaliar as vantagens de consorciar as
espécies. O pesquisador da Embrapa Semiárido considera que dessa forma o
agricultor da caatinga vai ter disponível essa forragem que evita, no
verão, a necessidade de adquirir alimentos concentrados, como grãos e
farelos de oleaginosas, para suprir a dieta dos rebanhos.
Na programação do II Workshop, está prevista uma palestra de Francisco
Pinheiro sobre “Alternativas tecnológicas para a convivência com o
semiárido”, e outra da professora Rosa Guedes, da Universidade da
Filadélfia, acerca de “O cultivo consorciado de guandu, sorgo e
milheto”. Em outra parte do evento, os participantes visitarão uma área
de demonstração de tecnologias de convivência com o semiárido da Embrapa.
Eles também irão conhecer a fazenda Marizinho, no município de Lagoa
Grande (PE), onde um trabalho baseado em métodos participativos tem
apoiado testes de adaptação de várias tecnologias às condições
econômicas de pequenos agricultores.
Contato:
Francisco Pinheiro de Araújo – pesquisador;
pinheiro@cpatsa.embrapa.br;
Rosa Guedes – pesquisadora/Universidade da Filadélfia;
GuedesR@philau.edu
Marcelino Ribeiro – jornalista;
marcelrn@cpatsa.embrapa.br
Gilberto Pires - Área de Comunicação;
gpires@cpatsa.embrapa.br
Embrapa Semiárido – 87 3862 1711

