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Pesquisa avalia estiagem no Rio Grande do Sul (28/01/2009)
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Foto:Equipe Projeto Xisto
Pesquisa avalia estiagem no Rio Grande do Sul

Pesquisas revelam que o Estado do Rio Grande do Sul convive há décadas com ciclos de estiagem durante o verão. Segundo dados do Sistema de Monitoramento Agrometeorológico – Agritempo (Rede de Agrometeorologia da Embrapa e empresas parceiras), nas regiões centro e sudoeste do Estado, a estiagem agrícola situou-se entre 30 e 55 dias, de dezembro passado a janeiro deste ano.

A Embrapa Clima Temperado acompanhando essas oscilações e por meio do Laboratório de Agrometeorologia, buscou desenvolver inúmeras pesquisas em climatologia agrícola voltadas para a região de clima temperado.  “Esse ano, ao longo de janeiro, apenas as regiões leste e nordeste apresentaram excedentes de chuva, e as demais regiões  tiveram  chuvas abaixo do volume esperado”, explica o  pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Ivan Rodrigues de Almeida.

Ele ressalta que “nesta safra não há um sinal claro de influência de El Niño ou La Niña, e por isso a quantidade e distribuição regional das chuvas fica mais irregular. Em resposta a essas alterações, algumas culturas podem sofrer influências negativas”. Ivan destaca a vantagem do cultivo de arroz irrigado, que apesar do longo período de estiagem ainda não teve sua produção prejudicada na maioria das regiões e continua sendo no momento a cultura com a melhor situação. As recentes chuvas na região Norte do Estado também contribuíram com as lavouras de soja

Entretanto, chama a atenção para as lavouras de milho, que tiveram sua produção prejudicada em função da estiagem. Por outro lado, lavouras que foram plantadas mais tardiamente e se encontram em desenvolvimento vegetativo, as precipitações dos últimos 15 dias proporcionaram condições favoráveis.

Além do milho, Ivan destacou os prejuízos relacionados a cultura do fumo, prejudicadas com as chuvas de granizo. “Ainda temos alguns meses antes da colheita, em que a chuva poderá ocorrer, amenizando os danos”, acrescentou.

Pesquisas

Entre os estudos  que contribuem para  o desenvolvimento agrícola do Estado, destacam-se: os zoneamentos agroclimáticos, as pesquisas sobre mudanças climáticas e de melhoramento genético.

A Unidade é responsável pelo aperfeiçoamento e realização dos zoneamentos agroclimatológicos de diversas fruteiras de clima temperado, tais como: pêssego,  nectarina,  pera, citrus,  além de arroz irrigado, eucalipto e mamona.  “Esses estudos podem contribuir com a redução de riscos na agricultura e servem como subsídio para o Governo Federal estabelecer políticas públicas relacionadas, inclusive, ao crédito e ao seguro rural”, disse o pesquisador.

Outra linha de pesquisa desenvolvida pela equipe do Laboratório são as relacionadas às mudanças climáticas globais, que auxiliam no estabelecimento de cenários  de longo prazo. “A pesquisa é realizada com base nos dados históricos, que por meio  de modelagens possibilitam simulações de estiagem, variações de temperaturas e o estabelecimento de possíveis cenários futuros de longo prazo”, explica Ivan.

Além disso, a equipe do Laboratório é responsável pela manutenção das estações meteorológicas da Unidade e, recentemente, dispõe de uma nova estação que apresenta os dados meteorológicos em tempo real. A cada dez segundos, são captadas as médias de temperatura, umidade relativa do ar, sensação térmica, entre outros; tais informações são atualizadas a cada 30 minutos e mostram as principais variáveis meteorológicas ocorridas no dia e durante a semana.

Os detalhes das pesquisas desenvolvidas encontram-se disponíveis para consulta no site da Embrapa, no endereço eletrônico  http://www.cpact.embrapa.br/agromet/.

No que diz respeito às  pesquisas  para  adaptação às condições climáticas do Sul do país, a Unidade desenvolveu  a variedade "Atalanta", arroz irrigado, que  utiliza uma menor quantidade de água do que as demais cultivares comerciais, porque tem um ciclo (da emergência à colheita) reduzido, de cerca de 100 dias.

O sorgo granífero é uma cultura que apresenta formas de proteção nas folhas (cerosidade e fechamento dos estômatos) que evitam a perda de água por transpiração, sendo considerada uma cultura mais resistente à estiagem, quando comparada com as demais gramíneas.

Finalmente, as variedades de milho que possuem um período prolongado de floração são consideradas mais tolerantes à estiagem porque tem possibilidade de "escape" maior para a uma provável falta de umidade do solo.

Em parceria com a Embrapa Soja, a  Embrapa Clima Temperado, unidades da Empresa  Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento também realiza pesquisas de melhoramento genético desenvolvendo cultivares de soja que tem a capacidade de reter água por mais tempo, tornando-as mais tolerantes a estiagens. Porém, esta é uma linha de trabalho preliminar e ainda sem previsão de lançamento de tecnologias.

“De qualquer forma a água é o elemento vital para toda a fisiologia da planta e será sempre, de alguma forma, prejudicial a sua falta. É adequado que os agricultores utilizem algumas formas de manejo na lavoura que possam conservar a água no solo, tais como: plantio direto, rotação de culturas, cobertura com palha, semeadura nas épocas indicadas pelo zoneamento agroclimático e, principalmente, utilização de variedades adaptadas à sua região”, salientou a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, Marilda Porto.

Christiane Rodrigues Congro Bertoldi – Mtb-SC 00825/9
Embrapa Clima Temperado
Contatos: (53) 3275-8113congro@cpact.embrapa.br




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