Os sistemas agroflorestais (SAFs) são praticados em pequenas como em
grandes áreas e o estímulo à sua adoção deve ser apoiada por políticas
públicas. A defesa foi feita nesta quarta-feira (24) pelo pesquisador
Jean Clement Dubois, em palestra proferida em painel do VII Congresso
Brasileiro de Sistemas Agroflorestais. O evento realizado pela Embrapa e
parceiros segue até sexta-feira (26), no Centro de Treinamento Educacional da
CNTI, em Luziânia (GO).
Fundador da Rede Brasileira Agroflorestal (Rebraf), organização não
governamental criada em 1990, Dubois explica que SAF não é um sistema
para adoção apenas em pequena escala. Segundo afirma, cerca de três
milhões de hectares na Amazônia brasileira são ocupados por castanhais -
que têm como ponto de partida a roça; há 20 anos eram cerca de sete
milhões de hectares na região, aponta.
Políticas Públicas
O especialista lembra que, na Bahia, o cultivo do
cacau era feito à sombra das árvores por pequenos, grandes e médios
agricultores que abandonaram a lavoura após queda no preço do produto.
“Por isso vou continuar batendo nessa tecla da necessidade de políticas
públicas voltadas para SAFs como forma de fortalecer, em especial, a
economia das comunidades tradicionais e do pequeno agricultor”, diz Dubois.
A professora da Universidade Federal Rural da Amazônia, Leila Sampaio,
que acompanhou o debate destacou a importância dos SAFs para os grandes
produtores, em especial os dedicados à monocultura e diante de um
cenário de aquecimento global. “A árvore funciona como tampão, diminui a
amplitude térmica mantendo médias de temperatura mais baixas”. Por isso,
argumenta Sampaio, os sistemas agroflorestais transformam-se em
alternativa ao deslocamento das plantações como a soja e o feijão para
regiões de maiores altitudes.
Associação
O biólogo da Embrapa Transferência de Tecnologia, Márcio
Armando, que dividiu o painel /Biodiversidade em SAFs/ com Duboi,
acredita que uma forma de o campo se preparar para enfrentar as
conseqüências das mudanças climáticas deva ser experimentando a
associações de espécies locais com outras de diferentes latitudes,
aproveitando a biodiversidade do território nacional.
O congresso também dedicou painel ao sistema Integração
Lavoura-Pecuária-Floresta, que vem sendo desenvolvido e aperfeiçoado
pela Embrapa e parceiros do Sistema Nacional de Pesquisa, e tem sido
apontado como alternativa para aumentar a produção de grãos, carne,
leite, fibra e energia aproveitando apenas áreas em degradação.
Para acompanhar a programação completa e as notícias sobre o VII
Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais que segue até sexta
feira, 26, basta acessar www.embrapa.br/viicbsaf
<http://www.embrapa.br/viicbsaf>.
A sétima edição do Congresso de Sistemas Agrofloretais é promovido pela
Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais e realizado pela Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Empresa
de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF)
e a organização não-governamental Mutirão Agroflorestal.
A organização do VII CBSAF é da Embrapa Transferência de Tecnologia
(Brasília/DF) e o evento conta com apoio da Embrapa Cerrados (Planaltina
–DF), Embrapa Floresta (Colombo/PR) e da Embrapa Informação Tecnológica
(Brasília/DF).
Valéria Costa – Mtb.15533/59/32 – SP
Embrapa Transferência de Tecnologia
Contato: 61 3448.4510

