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Eventos avaliam impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis (10/11/2009)
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Nilza Patrícia Ramos
Eventos avaliam impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis

O Projeto de Pesquisa em Rede sobre Biodiesel da Embrapa já avaliou oleaginosas com potencial de geração de biocombustíveis, como dendê, mamona, soja e canola. Agora é a vez do girassol. Em 24 e 25 de novembro, a equipe do projeto promove curso e dia de campo sobre avaliação de impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis no Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS e em propriedade rural em Três Pontas, MG, respectivamente. São parceiros a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) e a usina Biosep - Biodiesel e Agronegócio.

O cultivo do girassol vem aumentando no Brasil, impulsionado principalmente pelo interesse da região Centro-Oeste e Sudeste em culturas de sucessão à safra de verão, denominada “safrinha”.

A política brasileira de incentivo à produção de biodiesel, dentre as oleaginosas disponíveis, tem tido distintos resultados de acordo com as particularidades regionais e, principalmente, pela matéria-prima utilizada no processo, explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Cláudio Buschinelli, um dos responsáveis pelo projeto.

“A opção pelo girassol está associada à ampla vantagem técnica que inclui, além do grande potencial de uso para biodiesel pelo elevado teor de óleo (38 a 47%) e facilidade de extração, outras características como torta de excelente qualidade, possibilidade de adaptação a diferentes condições climáticas, fácil manejo e bom rendimento econômico, em termos de investimento e retorno”, diz o pesquisador.

Entretanto, questões relacionadas à importância do girassol como alimento de nobre valor nutricional, do uso extensivo de terras para a produção de energia e da sustentabilidade dessa expansão, têm sido levantadas como possíveis entraves para o setor agroenergético no médio e longo prazos.

A atenção à cultura do girassol teve início na Embrapa Meio Ambiente há aproximadamente três anos, e já permite inferência sobre o comportamento da cultura dentro do Estado de São Paulo. Na XVIII Reunião Nacional de Pesquisa de Girassol, realizada em Pelotas, RS recentemente, a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Nilza Patrícia Ramos apresentou os resultados do último monitoramento paulista das safras 2007/08 e 2008/09.

“Esse estudo aponta para redução na área plantada”, diz Nilza. Segundo o Levantamento de Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo – Lupa, o girassol foi cultivado em aproximadamente 1.055 ha na safra 2007/08, distribuído em diferentes municípios paulistas, com destaque para as micro-regiões de Casa Branca e Reginópolis.

Em 2008/09 a área plantada ficou em aproximadamente 1.100 ha, com médias de produtividade próximas a 1.300kg/ha e cultivo no período de safrinha - semeadura entre fevereiro-março, após milho e soja. “O cultivo como segunda cultura ou de safrinha apresenta vantagens sob o ponto de vista de melhor uso e aproveitamento da terra, redução no consumo de insumos e geração complementar de receita”, explica a pesquisadora.

“No Estado, a produção de grãos tem sido destinada basicamente ao mercado de óleo alimentício, com pequena parte para forragem e alimentação de pássaros, sem expressão como matéria-prima para a geração de biodiesel”, completa Nilza.

Notou-se que a soja é a matéria-prima mais empregada nas usinas paulistas, seguida pelo sebo bovino. Os principais problemas enfrentados pelos produtores para a cultura do girassol são a falta de produtos para controle fitossanitário registrados, dificuldade de semeadura, em função da necessidade de melhor classificação de sementes, ataque de pássaros em áreas pequenas e dificuldade de comercialização da produção.

Já como necessidade de pesquisa foram identificadas oportunidades relacionadas ao controle de pássaros, zoneamento de risco climático para doenças, cultivo em sistemas integrados e consórcios, potencial para cultivo em áreas de reforma de cana-de-açúcar a partir do desenvolvimento tecnológico voltado para ciclo precoce, tolerância à alternaria e atenção a herbicidas com longos períodos residuais (usados em cana-de-açúcar).

Curso e dia de campo

O curso irá abordar a realidade e as perspectivas do cultivo de girassol no Brasil e a prática de avaliação socioambiental dessa cadeia produtiva para geração de biodiesel.

O dia de campo irá demonstrar procedimentos de avaliação e gestão ambiental de estabelecimentos rurais no sentido de oferecer aos produtores um mecanismo integrado das relações entre a atividade produtiva e a qualidade do ambiente. Para tanto, será aplicado o Sistema APOIA-NovoRural; uma ferramenta de análise de estabelecimentos rurais, que orienta as ações produtivas seguindo critérios de sustentabilidade.

Haverá visita técnica ao campo de cultivo, ao estabelecimento e início da avaliação, com análise de indicadores, entrevista ao produtor e preenchimento das planilhas eletrônicas do Sistema APOIA-NovoRural, além de debate sobre o desempenho ambiental do estabelecimento e proposição de práticas de manejo e tecnologias.

Cristina Tordin, MTb. 28.499
Embrapa Meio Ambiente
Contatos:(19) 3311.2608
cris@cnpma.embrapa.br

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