A aplicação e a difusão das geotecnologias estão cada vez mais presentes nos estudos sobre o ecossistema Pantanal. Cerca de 250 pesquisadores, estudantes e especialistas apresentaram trabalhos científicos durante o 2° Simpósio de Geotecnologias do Pantanal – GeoPantanal, realizado em Corumbá, MS, de 7 a 11 de novembro de 2009.
Imagens de satélite podem ser adquiridas gratuitamente pela internet e estão disponíveis aos cidadãos facilitando as pesquisas e o ensino. Tecnologias de sensoriamento remoto, sistemas de informações geográficas, banco de dados georreferenciados e GPS (sistema de posicionamento global) vêm se popularizando nas universidades e instituições públicas.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) querem capacitar mais professores, especialmente do ensino público, de todas as regiões do País, para que usem imagens espaciais em sala de aula. O Inpe desenvolve várias ações, como produção de material educativo e oferta de treinamento, focadas no ensino das geotecnologias.
Outro objetivo é levar esse conhecimento para a população, na forma de serviços ambientais, para que ela possa compreender melhor como funcionam os mapeamentos, ajudando na preservação do espaço que ocupam. Para Rosely Ferreira dos Santos, professora da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, os sistemas de informação georreferenciada (SIG) são instrumentos eficazes na análise de cobertura vegetal.
A Unicamp faz análises de paisagens da região e promove circos temáticos, no Estado de São Paulo, usando fotos antigas e imagens atuais que retratam as mudanças ocorridas ao longo da história e o impacto na flora. Como foi o processo de ocupação e quais os efeitos das atividades humanas na perda da vegetação natural podem ser entendidos com os SIG e o sensoriamento remoto, explica Rosely.
“As geotecnologias são ferramentas poderosas para os licenciamentos ambientais” afirma o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) João Vila. Ele apresentou o Sistema Interativo de Suporte ao Licenciamento Ambiental – Sisla implantado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul – Imasul.
Com o uso do sistema, uma consulta espacial para a concessão de um licenciamento pode ser feita pela internet, em menos de dois minutos, de acordo com Vila. As análises baseiam-se na legislação ambiental e no banco de dados da cobertura vegetal de 2007 do estado. “Hoje tem muita informação útil disponível. Falta torná-la de fácil acesso para qualquer pessoa”, diz.
A viabilidade ambiental deve ser a ótica da política para equilibrar preservação com desenvolvimento, na visão do professor Marcelo Pereira de Souza, da Universidade de São Paulo – USP. Os sistemas de informação são importantes para a elaboração de um diagnóstico preciso que vai permitir efetuar um prognóstico eficiente para a tomada de decisão.
Entretanto, ele alerta que o atual modelo brasileiro de zoneamento ignora os diagnósticos realizados e, por isso, é inviável, uma vez que não considera os impactos ambientais. “Política ambiental é responsabilidade de Estado; requer uma visão da sociedade e prazos compatíveis com o interesse público”, afirma Souza.
O 2° GeoPantanal foi organizado pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) e Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - campus do Pantanal (UFMS/CPAN).
Nadir Rodrigues (MTb/SP 26.948)
Embrapa Informática Agropecuária
Contatos: (19) 3211-5747 - nadir@cnptia.embrapa.br
Saulo Coelho Nunes (DRT/SE – 1065)
Embrapa Pantanal
Contatos: (67) 3234-5807 – saulocoelho@cpap.embrapa.br

