Uma missão da Embrapa e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) está fazendo, até o final dessa semana, em três províncias moçambicanas (o correspondente a estados no território do Brasil), um diagnóstico que será usado como a base para a construção da plataforma de inovação agropecuária para Moçambique, na qual serão aplicados um volume total de US 10,7 milhões.
A plataforma, com a execução prevista para começar em 2010, é uma articulação trilateral formada pelos governos do Brasil, de Moçambique e dos Estados Unidos. Pelo lado brasileiro estão a ABC e a Embrapa, os norte-americanos estão representados pela Agência Interamericana de Desenvolvimento (USAID) e pelo lado moçambicano o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM).
Os US$ 10, 7 milhões são recursos a serem repassados parte da USAID e parte da ABC, dependendo de cada ação da plataforma. O foco é o fortalecimento do IIAM. O papel da Embrapa será o de atuar nos chamados domínios transversais. Isso significa trabalhar em áreas que estão identificadas como frágeis na pesquisa agrícola do país africano, entre elas o sistema de sementes, recursos naturais, informação e transferência de tecnologia, comunicação e gestão territorial da agricultura.
Em uma semana de trabalho, os dados levantados pela equipe da Embrapa (formada por pesquisadores e um analista) reforçam a preocupação do coordenador da missão, Alberto Santana. Segundo ele, será necessário dar ênfase à produção familiar, que conta com limitado acesso à informação e a material genético de qualidade.
O pesquisador da Embrapa Transferência de Tecnologia, Raul Osório Rosinha, observa dificuldades que vão desde o acesso ao produto, até a distribuição, ao analisar o sistema de produção de sementes em Moçambique.
Além disso, há o que se poderia chamar de ausência de empresas dispostas a produzir o material genético local. O diretor de um dos centros do IIAM, localizado em Chimoio, David Manote, conta que muitas vezes a variedade é liberada à multiplicação e não há quem faça essa etapa. “Não temos pessoal ou empresas”, lamenta Manote.
Outro entrave ao desenvolvimento das comunidades de pequenos agricultores é a tímida e pouco eficiente forma de transferir a tecnologia. Dados apurados pela equipe da missão apontam ser preciso, por exemplo, ampliar o uso das emissoras de rádio como ferramenta para transferir tecnologia, considerando o analfabetismo e o grande número de línguas locais.
Somente na província de Manica, chegam a quatro o número de línguas locais. Conforme o radialista Paulino Morteiro, da Rádio Moçambique/Chimoa, caso as informações agrícolas não sejam veiculadas nas línguas locais não haverá audiência, pois a maioria da população rural não fala Português.
A missão que está em Moçambique começou as atividades no dia 9, com reuniões e visitas a campos experimentais e centros de pesquisa do IIAM nas províncias de Maputo, Nampula e Manica. O grupo estará até o dia 20 de novembro no país, quando encerrará a agenda de trabalho dessa fase preparatória da plataforma de cooperação trilateral.
Da Embrapa participam, além de Santana e Raul Rosinha, Carlos Cesar Ronquim (Embrapa Monitoramento por Satélite), Levi Barros (Embrapa Agroindustria Tropical) e Deva Rodrigues (ACS). Pela ABC, André Capella e os consultores Antônio Maria de Castro e José Madeira Netto.
Deva Rodrigues (MTb/RS 5297)
Contato: deva.rodrigues@embrapa.br
Telefone (61) 3448-4015

