A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE) recebe, nesta semana, duas comitivas de técnicos e pesquisadores da Colômbia e Moçambique. Os visitantes buscam obter mais informações sobre a área de processamentos de frutas, com o objetivo de incrementar a economia de seus países. A programação da viagem contempla ainda uma visita ao Campo Experimental da Embrapa em Pacajus e a participação no VI Caju Nordeste, no município de Beberibe-CE, um evento anual dedicado à cajucultura.
A cultura do caju é o foco principal dos colombianos, em especial as áreas de pós-colheita, melhoramento vegetal e propagação. Segundo a pesquisadora Laura Arango, da Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (Corpoica), os conhecimentos adquiridos aqui deverão ser usados na revitalização econômica de duas regiões do país com baixos índices de industrialização, mas com muito potencial de crescimento no que diz respeito à cajucultura.
Ainda segundo Arango, a parceria com a Embrapa nessa área teve início em 1998, com a primeira vinda dos pesquisadores colombianos a Fortaleza e Pacajus. Essa nova missão busca dar conta dos avanços surgidos durante todo esse tempo, acrescentou a pesquisadora. Dois professores da Universidade Jorge Tadeu, de Bogotá, e o presidente da Associação de Produtores de Caju da Colômbia também integram a comitiva.
Impulsionar o surgimento de micros, pequenas e médias empresas na área de processamento de frutas tropicais, cereais e vegetais é o grande objetivo da missão moçambicana. De acordo com Madina Ismail, do Instituto para a Promoção de Pequenas e Médias Empresas de Moçambique (Ipeme), estão sendo implantados duas unidades didáticas naquele país para capacitar empresários, estudantes e a comunidade em geral sobre boas práticas de processamento. Para tanto, sete técnicos passarão por uma capacitação de duas semanas promovida pela Embrapa Agroindústria Tropical.
O Ipeme, revela Madina Ismail, foi criado no ano passado para dar suporte ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas de Moçambique. Com a unidade, será possível criar uma alternativa á grande quantidade de desperdício de frutas que ocorre nas regiões produtoras, além de possibilitar a geração de emprego e renda ao povo moçambicano.
Segundo Madina, o primeiro contato com a Embrapa ocorreu em novembro do ano passado, durante um curso realizado na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical (Cruz das Almas-BA). “Após termos feito um curso sobre produção, queríamos, agora, um curso voltado mais para a área de processamento de frutas. A Embrapa é uma referência em Moçambique. Ela é muito bem-vinda lá”, ressalta.
O curso é organizado pelo Ipeme e financiado pela Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas (Unido). Fazem parte ainda dessa parceria, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), o Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG) e o Instituto Agrário de Boane, todos de Moçambique.
Fábio Paiva, supervisor do Núcleo de Inovação Tecnológica da Embrapa Agroindústria Tropical, afirma que essa parceria é estratégica para a Embrapa. “Moçambique fica próximo à África do Sul, um país que é referência em sucos e processamento de frutas. Além disso, estamos instalando um escritório de transferência de tecnologia em Maputo (capital moçambicana), que servirá como um eixo de transferência de conhecimentos para toda a África. Historicamente, Moçambique chegou a ser o maior produtor de caju do mundo”.

