O lançamento do livro “Mudanças climáticas e desertificação no semiárido brasileiro” aconteceu no seminário “Estratégias para uma gestão municipal de convivência com o semiárido”, realizado durante a feira SemiáridoShow, em Petrolina (PE) . A publicação faz um diagnóstico e projeções sobre as conseqüências da elevação do clima e da degradação ambiental para a região.
A pesquisadora Francislene Angelotti, que fez palestra sobre o tema no seminário, esclareceu que o livro é uma contribuição de especialistas do Brasil e do exterior à formação de uma “inteligência institucional” apta a equacionar as questões climáticas, integradas às demandas sociais e à capacidade de elaborar políticas públicas locais e regionais.
O livro é organizado em 17 capítulos divididos em quatro partes: Desertificação e as Mudanças Climáticas Globais, A Degradação Ambiental e a Situação Atual dos Recursos Naturais no Semi-Árido, A Convivência com o Semi-Árido e Inovações, As Políticas Públicas e os Instrumentos para um Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido Brasileiro. Cada capítulo corresponde a palestras apresentadas por 30 especialistas no I Simpósio Brasileiro sobre Mudanças Climáticas e Desertificação no Semi-Árido Brasileiro, realizado na Embrapa, em Petrolina-PE, em abril do ano passado.
A obra foi editada por pesquisadores da Embrapa Semiárido (Francislene Angelotti, Iêdo Bezerra Sá e Eduardo Assis Menezes) e da Embrapa Informática Agropecuária (Giampaolo Queiroz Pellegrino). De acordo com os editores, as mudanças climáticas provocam fenômenos sobre os biomas do planeta que abrem um novo campo de investigações nas instituições de Ciência e Tecnologia (C&T).
O impacto da elevação da temperatura sobre atividades agrícolas, diversidade ambiental e segurança alimentar requer programas inovadores de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que orientem a ação humana sobre os recursos naturais. Na região Nordeste, estão identificados mais de 660.000 km² em processo de desertificação, afetando diretamente mais de 2,6 milhões de pessoas. Cerca de 400.000 km² encontram-se em estágios avançados de degradação.
Para Francislene Angelotti, a convivência com o semiárido e o processo de desertificação se tornam mais complexos com o processo de aquecimento global. Ela aponta que a principal conseqüência desse fenômeno é a redução da disponibilidade hídrica, tanto pelo aumento da temperatura, como pela diminuição da precipitação. Numa região com pouco uso de alternativas para o manejo adequado da terra, esse processo deve levar à intensificação do processo de desertificação, seja pelo agravamento da condição climática, seja pela redução da capacidade de suporte do ambiente, o que vai agravar a capacidade de convivência na área seca do Nordeste, afirma.
Com o livro, os editores esperam que os conhecimentos gerados nas instituições de pesquisa sejam revertidos em ações e políticas públicas que se traduzam em alternativas e soluções para uma melhor qualidade de vida para a população da região.
Marcelino Ribeiro (1127/BA)
Embrapa Semi-Árido
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