As plantas têm nomes estranhos, pornunça e pustumeira, mas os pesquisadores da Embrapa Semiárido identificaram nelas qualidades muito procuradas por agricultores familiares das áreas dependentes de chuva do Nordeste: resistência à seca, alto teor de proteína e produtividades elevadas. Por isso estão expostas na Feira SemiáridoShow, que acontece na cidade de Petrolina-PE, de 5 a 8 de outubro.
As duas espécies estão entre as plantas recomendadas como forrageiras para uso em sistemas de criação caprina, ovina, bovina e pequenos animais. Ambas apresentam bons níveis nutricionais e são bem consumidas pelos animais. São características que tornam as duas “excelentes” reservas para períodos de estiagem e fazem crescer o interesse pelo cultivo comercial dessas plantas nativas da região.
Produtividade - De acordo com a engenheira agrônoma Alineáurea Florentino Silva, pesquisadora da Embrapa Semiárido, a pornunça é fruto de um cruzamento natural entre a mandioca e a maniçoba. “Da primeira, adquiriu o formato das folhas e dos frutos. Da segunda, o caule”, revela a pesquisadora. Contudo, ainda não se tem a denominação científica para a planta.
O híbrido herdou as qualidades forrageiras e rusticidade das espécies que são bem adaptadas ao ambiente da caatinga. E foi além: é mais produtiva que as espécies que lhes deram origem, retém as folhas por mais tempo no período da seca, além de, com volumes medianos de chuva, o agricultor que tenha a planta cultivada na sua roça pode dar até 3 cortes. O feno da pornunça tem, em média, 15% de proteína.
Em testes experimentais conduzidos em área de produtores, sem qualquer insumo químico em solo representativo do semiárido, o cultivo da pornunça alcançou produtividade na faixa de 40 t/ha, da parte aérea da planta. É uma quantidade bem acima da registrada com a parte aérea da maniçoba, 12 t/ha – que á a utilizada pelos pecuaristas no processamento de forragem. E também, da mandioca, que alcança 25 t/ha.
A produtividade da mandioca, no entanto se equivale à da pornunça porque suas raízes também podem ser utilizadas na preparação de material forrageiro para a alimentação animal, explica Alineáurea.
Perene – A pustumeira começou a ser pesquisada na Embrapa de forma casual. Segundo o pesquisador Francisco Pinheiro de Araújo, durante viagem a trabalho, a planta atraiu sua atenção por estar bastante verde, num solo pobre em nutrientes e praticamente sem água, e a vegetação em torno já estava completamente seca. Em conversas com agricultores da região, tomou conhecimento de que era uma das fontes de alimentos que os animais costumavam pastejar nos períodos de estiagem mais intensos.
Ao analisar as qualidades nutricionais da planta no Laboratório de Nutrição Animal outra surpresa boa para o pesquisador: a pustumeira possuía altos níveis de proteína nas folhas (22,6%) e no caule (13%). Além do mais, ao ser distribuída como ração em testes experimentais na Embrapa constatou que era muito palatável e de fácil consumo pelos animais.
Hoje, Pinheiro já sabe que a planta, de ramos finos e tenros, tem grande potencial forrageiro para uso nos sistemas de produção pecuária do semiárido. Além de perene, tem uma rusticidade que confere alta resistência à seca. O cultivo da planta aumenta a capacidade de suporte dos animais nas propriedades, afirma Pinheiro.
Biodiversidade – A pustumeira e a pornunça são nativas da caatinga. O pesquisador considera que identificar plantas com essas características na rica biodiversidade desse bioma contribui para estabelecer manejos sustentáveis de atividades agrícolas que estão presentes na grande maioria das propriedades do sertão nordestino.
A Feira SemiáridoShow demonstra tecnologias da Embrapa Semiárido, Embrapa Transferência de Tecnologia, Embrapa Hotaliças, Embrapa Caprinos e Ovinos, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Meio-Norte, Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Embrapa Algodão, Embrapa Instrumentação Agropecuária, Embrapa Agroindústria Tropical, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Tabuleiros Costeiros, Embrapa Solos e da Embrapa Informática Agropecuária.
Contato:
Alineáurea Florentino Silva – pesquisadora;
alinefs@cpatsa.embrapa.br
Francisco Pinheiro de Araújo – pesquisador;
pinheiro@cpatsa.embrapa.br
Marcelino Ribeiro – jornalista
marcelrn@cpatsa.embrapa.br

