Zoneamento, plano estratégico municipal e plano de desenvolvimento rural no município são alguns dos instrumentos que gestores municipais podem utilizar como estratégias de convivência com o semiárido. Cada um deles foram apresentados nesta terça-feira (6) durante o seminario “Bases Tecnológicas para uma Gestão Municipal de Convivência com o Semiárido” que teve início ontem (5), durante a feira SemiáridoShow, em Petrolina (PE).
O representante do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica pelo Desenvolvimento (Cirad), organismo francês, Marc Piraux, falou sobre a importância do zoneamento como estratégia de planejamento, considerando a diversidade dos municípios. Para isso ele exemplifica o caso do zoneamento municipal participativo, por entrevistas com pessoas chaves, desenvolvido em conjunto com a Embrapa e o Cirad. “É uma ferramenta que vai permitir organizar e sistematizar as informações disponíveis”, explicou, ressaltando a importância desse diagnóstico ser apropriado pelas pessoas e não ficar somente no papel.
Piraux explicou, ainda, como é possível fazer esse zoneamento. Segundo ele, é necessário fazer uma análise social, institucional espacial do município para se obter uma visão sistêmica do território municipal. “A visão sistêmica significa ter a capacidade de entender um conjunto de elementos que são interligados com forte interação. Logo, é preciso compreender as relações sociais, ambientais e econômicas para justamente desenvolver uma visão holística, sistêmica do território”, afirmou.
O consultor da Embrapa Semi-Árido Clóvis Guimarães Filho abordou os principais elementos para elaboração de um plano estratégico municipal de enfrentamento à seca. Algumas das diretrizes levantadas por eles foram a agroecologia como um sistema produtivo diversificado; produção voltada para o mercado; mudança incremental nos padrões de adoção de tecnologia; valorização dos produtos locais; e interação entre as atividades como perímetros irrigados, turismo rural, entre outras.
Porém, o consultor adverte para os fatores limitadores do desenvolvimento da agricultura familiar, a exemplo da estrutura fundiária excludente; descapitalização; debilidade organizativa e baixo nível de capacitação gerencial. A partir daí, ele explica quais as linhas de ação que se deve adotar. “É necessário adotar ações de organização do produtor; mudança de padrão tecnológico; apoio à valorização e à melhoria das condições de processamento e comercialização dos produtos.
Dessa forma, ele finaliza, explicando que para enfrentar a seca são necessárias ações institucionais, como a criação de comitês municipais; acordos e parcerias; e garantia de um sistema de crédito voltado para a preservação do capital mínimo.
O seminário teve fim nesta terça-feira (6) com o último painel coordenado pelo diretor-executivo da Embrapa Kepler Euclides Filho sobre alternativas agropecuárias para o desenvolvimento do semiárido. Os pesquisadores Gherman Garcia Leal e Francisco Pinheiro, ambos da Embrapa Semi-Árido, apresentaram aos participantes as alternativas tecnológicas para o desenvolvimento sustentável da agropecuária em condições de sequeiro.
Juliana Freire (Mtb 3053/DF)
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