O zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar para a produção de etanol e açúcar no Brasil, lançado no mês passado, em Brasília, é o tema da palestra a ser proferida na Embrapa Instrumentação Agropecuária na quinta-feira ( 22), às 10 horas, pelo pesquisador Celso Vainer Manzatto, chefe geral da Embrapa Meio Ambiente e um dos responsáveis pelo estudo.
A proposta do zoneamento é fornecer subsídios técnicos para formulação de políticas públicas visando à expansão e produção sustentável de cana-de-açúcar no território brasileiro. O pesquisador explica que no trabalho foram utilizadas técnicas de processamento digital para avaliação do potencial das terras destinadas à produção da cultura de cana-de-açúcar em regime de sequeiro, sem irrigação plena.
Para isso, considerou-se como base várias características dos solos,
expressos espacialmente em levantamentos de solos e em estudos sobre
risco climático, relacionados aos requerimentos da cultura, como
precipitação, temperatura, ocorrência de geadas e veranicos. Os
principais indicadores considerados na elaboração do Zoneamento
Agroecológico foram à vulnerabilidade das terras, o risco climático, o
potencial de produção agrícola sustentável e a legislação ambiental
vigente.
De acordo com Manzatto, as terras com declividade superior a 12% foram
excluídas, observando-se a premissa da colheita mecânica e sem queima
para as áreas de expansão, as áreas com cobertura vegetal nativa, os
biomas Amazônia e Pantanal, as áreas de proteção ambiental, terras
indígenas, remanescentes florestais, dunas, mangues, escarpas e
afloramentos de rocha, reflorestamentos, áreas urbanas e de mineração.
Outra área excluída nos Estados da Região Centro-Sul, foram as
cultivadas com cana-de-açúcar no ano safra 2007/2008, com base no
mapeamento realizado pelo Projeto CanaSat – INPE.
“As áreas indicadas para a expansão compreendem aquelas atualmente em
produção agrícola intensiva, produção agrícola semi-intensiva, lavouras
especiais -perenes e anuais- e pastagens. Estas foram classificadas em
três classes de potencial: alto, médio e baixo, discriminadas ainda por
tipo de uso atual predominante (Ag – Agropecuária, Ac – Agricultura e
Ap – Pastagem) com base no mapeamento dos remanescentes florestais em
2002, realizado pelo Probio-MMA”.
Os estudos foram realizados para os Estado da Federação não contemplados
totalmente pelo bioma Amazônia. Foram empregadas as melhores informações
temáticas e cartográficas disponíveis no país com escala de abstração de
1:250.000, quando possível. Os resultados estão apresentados em mapas de
vários formatos e em tabelas com estimativas de áreas aptas à produção
de cana-de-açúcar por município e tipo de uso da terra. O pesquisador
informa que as estimativas demonstram que o país dispõe de cerca de 64,7
milhões de hectares de áreas aptas à expansão do cultivo com
cana-de-açúcar, sendo que destes, 19,3 milhões de hectares foram
considerados com alto potencial produtivo; 41,2 milhões de hectares como
médio e; 4,3 milhões como de baixo potencial para o cultivo. As áreas
aptas à expansão cultivadas com pastagens, em 2002, representam cerca de
37,2 milhões de hectares. “As estimativas demonstram que o país não
necessita incorporar áreas novas e com cobertura nativa ao processo
produtivo, podendo expandir ainda a área de cultivo com cana-de-açúcar
sem afetar diretamente as terras utilizadas para a produção de alimentos”.
Perfil palestrante
Celso Vainer Manzatto é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Concluiu os cursos de Mestrado em Ciência do Solo na mesma Universidade em e o de Doutorado em Produção Vegetal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense em.
Foi consultor de empresas
de engenharia em projetos de irrigação e drenagem, assentamentos humanos
e estudos de impacto ambiental. Desde 1995, é pesquisador da Embrapa
Solos, onde já foi chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento e chefe
geral. Em agosto de 2009, assumiu a chefia geral da Embrapa Meio
Ambiente. É membro do Conselho Superior da FAPERJ desde 2005 e do
conselho de Administração da PESAGRO Rio desde 2007. Possui experiência
na área de Agronomia, com ênfase em Produção Vegetal, atuando
principalmente nos temas de pedologia, aptidão agrícola, zoneamentos e
assentamentos humanos.
Joana Silva MTb 19554
Embrapa Instrumentação Agropecuária
Contatos:(16) 21072901

