Começou na manhã de terça-feira (22 ) a XI Reunião Sul-Brasileira sobre Pragas de Solo. Na abertura do evento, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e coordenador do evento, José Francisco da Silva Martins, falou da importância do evento que acontece pela primeira vez em Pelotas. “Nosso foco é discutir a racionalização do uso de agrotóxicos”, explica ele. Para isto serão debatidas, durante os três dias de evento, alternativas para o manejo das pragas, como o controle biológico.
“As pragas de solo são controladas principalmente por agrotóxicos aplicados de forma preventiva. E a facilidade para a aplicação desse tipo de controle pode ser a responsável pela pouca intensidade de estudos sobre outras alternativas de manejo”, explica Martins. Segundo ele, nas últimas reuniões em que o tema foi debatido é pouca a presença de trabalhos que abordem outros tipos de controle, além do químico.
Segundo o Chefe Geral da Embrapa Clima Temperado, Waldyr Stumpf, as pessoas preocupam-se muito hoje em dia com o consumo de alimentos seguros. “O Brasil é um grande consumidor de agrotóxico, e o seu uso indiscriminado pode causar problemas ao solo, a água e aos alimentos”, diz ele.
A primeira palestra da reunião foi a do pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, José Waquill sobre “Perspectivas para otimização do uso de métodos alternativos ao controle químico de pragas de solo”. Segundo ele, um dos grandes problemas para o manejo das pragas subterrâneas é que ele tem sido feito preventivamente. Entretanto, essa atitude que não está de acordo com o Manejo Integrado de Pragas (MIP), no qual se utiliza mais de um método de controle para proteger a lavoura contra o ataque de pragas.
Segundo ele, outra alternativa para lidar com as pragas mais importantes e que são mais freqüentes é o Manejo Ecológico. “Trata-se do monitoramento anual da praga em questão, nos seus diferentes ambientes, procurando fazer o seu controle na época em que o inseto estiver mais fragilizado”, explica Waquill.
Finalmente, o pesquisador salienta que é preciso modificar a dinâmica de controle das pragas. “O grande problema é que ficamos tentando eliminar completamente um inseto, que muitas vezes nem sequer conhecemos completamente sua dinâmica populacional, ou seja, ainda não compreendemos suas características, necessidades e ciclo de vida. Necessitamos ampliar o conhecimento ecológico dessas pragas para estabelecer formas de manejo que reduzam os prejuízos causados pelos insetos para as lavouras”, conclui.
Christiane Rodrigues Congro – Mtb-SC 00825/9
Colaboração: Manoela Soares (estagiária)
Embrapa Clima Temperado
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