De 23 a 25 de setembro ocorre o Encontro Científico dos Pós-Graduandos (ECPG) do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), em Piracicaba, SP. Este evento é realizado há 14 anos e consolidou sua importância como um marco científico na instituição. O tema desse ano é biodiversidade e evolução genética.
De acordo com a Comissão Organizadora do evento “a perda da diversidade biológica é uma das facetas mais trágicas do manejo inapropriado do patrimônio natural. Por conta da destruição de ecossistemas e extinção de espécies, o homem não apenas interfere nos ciclos e processos naturais que dão sustentação à vida, mas degrada um dos maiores heranças que o planeta tem a oferecer, pondo em risco até mesmo a sua própria existência”.
O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) José Maria Gusman Ferraz participa, em 23 de setembro, a partir das 14h, da mesa – redonda sobre Biodiversidade: valores ecológicos e econômicos, com Cláudia Maria Calório da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente – MMA e Luciana Martins, da Natura. Ferraz vai falar sobre agricultura e biodiversidade - do extrativismo à sustentabilidade.
Diversidade Biológica
Segundo a Convenção sobre a Diversidade Biológica – CDB, o termo biodiversidade biológica significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, abrangendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte, compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.
Foram catalogadas no mundo todo cerca de um milhão e setecentas mil espécies, das quais 15 a 20% são encontradas em território nacional. Entre as espécies nativas já documentadas no país, menos de 1% já foi pesquisada geneticamente, o mesmo ocorrendo sobre a aplicação medicinal da flora brasileira, onde 99% ainda não foram estudadas sobre esse potencial.
“Estima-se que existam mais de 3 milhões de espécies desconhecidas no Brasil, que se não tomarmos cuidado, desaparecerão antes de as conhecermos”, enfatiza Ferraz. “Somos o primeiro em termos mundiais em número de espécies de anfíbios e o segundo em mamíferos, quarto lugar em répteis e muitos desta fauna são endêmicos, ou seja, só ocorrem aqui”, explica o pesquisador.
O avanço indiscriminado das monoculturas de pastagens, soja, cana, pinus e eucalipto, notadamente em ecossistemas frágeis, associados ao uso indiscriminado de agrotóxicos, pois também somos o país que mais utiliza esses produtos do mundo, coloca em risco esta enorme biodiversidade.
“São vários os estudos sobre a perda da biodiversidade no mundo causado por diferentes tipos de impactos ambientais, mas as estimativas falam de 27 a 30 mil por ano. Calcula-se que e em 2022 — daqui a 13 anos — teremos perdido cerca de 22% da biodiversidade terrestre”.
Um trabalho de Robert Constanza, economista do Instituto de Economia Ecológica da Universidade de Maryland (EUA), estimou o valor dos serviços da biodiversidade — como geração de água, chuva, polinização, oferta de oxigênio, produtos medicinais, alimentos, inimigos naturais, equilíbrio do clima, entre outros. Esse valor chega a 33 trilhões de dólares por ano. No Brasil esses valores chegam a 4 trilhões de reais por ano. “Para se ter uma idéia da grandeza desses serviços, o PIB do Brasil em 2005 foi de 1,9 bilhões de reais”.
“Além disso, os agroecossistemas deixaram de ser policultivos, com enorme biodiversidade, para passarem a ser monocultivos, produzidos de forma industrial. Por exemplo, não temos mais grandes variedades de milho, assim como de arroz, trigo e batata. Isso deixa o agroecossistema mais frágil, pois necessita cada vez mais de agrotóxicos e demais insumos externos. Outro fator preocupante para a biodiversidade é a utilização de transgênicos, que também reduz drasticamente as variedades de cada cultura, tornando-se um problema sério para a segurança alimentar”, conclui o pesquisador.
Cristina Tordin, MTb 28.499
Embrapa Meio Ambiente
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