Muita tecnologia, conhecimento e integração com a natureza. Esse deve ser o modelo de fazenda do futuro, que tem aguçado a curiosidade de crianças e adultos no VII Ciência para a Vida, aberto ao público até o próximo domingo, dia 2 de maio, em Brasília. Um painel mostra como deve funcionar a fazenda do futuro e um fazendeiro virtual interage com o público em tempo real, deixando muita gente com a pulga atrás da orelha.
O objetivo da instalação é mostrar que a imagem do matuto não combina mais com a evolução vivida no campo nos últimos tempos. A mecanização substitui o trabalho braçal e as novas tecnologias ligam o produtor às redes de televisão e à rede mundial de computadores. O fazendeiro do futuro terá, cada vez mais, acesso ao conhecimento gerado pela pesquisa para produzir e viver melhor.
O que as fazendas terão no futuro é o que os cientistas estudam hoje e algumas promessas do passado já são realidade no presente. Tecnologias de satélite permitirão com facilidade monitorar o clima, a erosão do solo, pragas, doenças, queimadas ou derrubadas. Os animais serão rastreados desde o nascimento. Pragas e doenças serão controladas com o mínimo necessário de produtos químicos ou com inimigos naturais que não agridam ao meio ambiente.
Mas a inteligência da fazenda do futuro não está apenas nos equipamentos de alta tecnologia e sim no conceito de integração com a natureza. É isso que está por trás da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), estudada em todo o país pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Com a iLPF, a fazenda do futuro poderá experimentar, em uma mesma área, rotação de culturas em lavouras de soja, arroz ou milho, por exemplo. Pastagens poderão ser manejadas em consórcio com árvores de interesse econômico. A madeira produzida será aproveitada para a construção de cercas ou instalações na propriedade, sem a necessidade de derrubada da floresta nativa, que vai proteger os rios e as áreas mais frágeis.
Isso não significa que não se possa tirar proveito das matas nativas. É possível fazer um manejo para extração racional de madeira ou para a produção de biocombustíveis. A Embrapa estuda a produção de biodiesel com o óleo de plantas como babaçu, macaúba, dendê, tucumã, pinhão-manso e inajá. Galhos, folhas e raízes das árvores também poderão ser transformados em biocombustível para uso em fornos e caldeiras.
O mistério do fazendeiro virtual
Ele se chama Zé Bob e pode ser encontrado todos os dias até o próximo domingo na Fazenda do Futuro. O personagem mais carismático do VII Ciência para a Vida é um fazendeiro virtual que interage com o público em uma tela de televisão. Por meio de uma câmera posicionada no topo da tela, um operador enxerga e ouve os visitantes. O boneco virtual reage aos movimentos do operador e parece ter movimentos, voz e vida própria.
“É muito legal ver a reação das pessoas. Quando as crianças descobrem que o boneco pode ouvir e realmente conversar, elas ficam eufóricas, começam a pular e a falar ao mesmo tempo”, conta o fazendeiro. “Teve um senhor que quase caiu duro. Ele ficou perguntando coisas sobre o espaço sideral pra descobrir se o boneco não tinha apenas respostas prontas para perguntas básicas sobre a pesquisa agropecuária.”
A Fazenda do Futuro faz parte de uma grande instalação do VII Ciência para a Vida que mostra ainda os quatro principais desafios da pesquisa agropecuária e também como será o consumidor do futuro. O VII Ciência para a Vida reúne em Brasília tecnologias da Embrapa desenvolvidas em todo o país e funciona diariamente, até dia 2 de maio, das 9h às 21h.

