A cafeicultura orgânica é um sistema de produção que não usa agrotóxicos e adubos químicos sintéticos. Faz uso de princípios agroecológicos e de conservação ambiental, reduzindo a degradação do ambiente e os danos à saúde do homem. A Embrapa Agrobiologia há dez anos desenvolve pesquisas com café orgânico, com ênfase no cultivo do café arborizado e na utilização da adubação verde. Estes estudos mostram que a arborização de cafezais, especialmente com espécies leguminosas, pode reduzir a necessidade de aporte de insumos, reduzindo os custos de produção; diminuir a ocorrência de pragas, doenças e de plantas invasoras. Isto é possível porque estas espécies possibilitam a introdução de nitrogênio de forma natural por meio do processo conhecido como “fixação biológica de nitrogênio”. Além disso, o uso das leguminosas promove uma diversidade de espécies de plantas no sistema, incorpora fitomassa e aumenta a ciclagem de nutriente.
O cultivo do café orgânico associado a árvores e outras espécies de interesse comercial como a banana, por exemplo, também vem sendo estudado pela Embrapa Agrobiologia. São os chamados sistemas agloflorestais. Neste caso, além das vantagens já citadas, o produtor tem a possibilidade de um ganho extra com a comercialização dos demais produtos gerados.
A pesquisa da Embrapa identificou algumas cultivares mais promissoras para o sistema arborizado (ou sombreado). Durante a pesquisa, foram avaliadas seis cultivares de café arábica, sendo as mais promissoras para o sistema arborizado as cultivares Tupi, Icatu e Obatã, as quais apresentaram produtividade maior quando cultivadas no sistema arborizado. As demais cultivares avaliadas foram iguais em termos de produtividade, tanto no sistema a plano sol, como no sombreado.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia Marta Ricci, o uso desta tecnologia representa uma oportunidade para pequenos e médios produtores. “Ao optar pelo café orgânico, o cafeicultor tem que estar atento ao uso correto de um sistema de produção. Com isso, ele pode aumentar as oportunidades no agronegócio do café”, afirma a pesquisadora.
Ana Lucia Ferreira (MTB 16913/RJ)
Embrapa Agrobiologia
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