Mulheres de destaque em diversas áreas do conhecimento
estiveram reunidas em Brasília/DF na última semana para discutir as
relações de gênero na produção científica brasileira. A Embrapa foi
convidada a representar a pesquisa agropecuária no Encontro
Brasil-Reino Unido sobre Mulheres e Ciências. O evento teve promoção
conjunta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), do British Council Brasil e da Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres (SPM).
A diretora da Embrapa, Tatiana de Abreu Sá, e as pesquisadoras do
Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, Daniela Biaggioni Lopes, e
da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Myriam Silvana Tigano,
participaram do evento ao lado de figuras proeminentes da ciência como
a geneticista Mayana Zatz, reconhecida pelos trabalhos com células
tronco em doenças genéticas.
Participação
Segundo dados divulgados pelo CNPq durante o
encontro, apenas 34 por cento das bolsas de Produtividade de Pesquisa
distribuídas anualmente pelo Conselho são destinadas a mulheres. E
mais, quanto maior a hierarquia acadêmica ou cientifica, menor é a
participação feminina, embora a proporção de bolsistas mulheres
apresente crescimento nas diferentes modalidades oferecidas pela
agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Os números demonstram a necessidade de incentivar a consolidação de
políticas públicas visando à maior inserção e participação das
mulheres em todos os campos da ciência no Brasil e em outros países.
Para tanto, uma das propostas do encontro, em avaliação, é a criação
de um comitê assessor de políticas públicas em gênero.
Segundo Daniela Lopes, o comitê integraria o Programa Mulher e Ciência
(MCT/SPM/Ministério da Educação) e teria como missão discutir e
subsidiar políticas públicas específica para mulher na ciência além de
encampar várias das propostas discutidas no evento. A doutora em
fitopatologia, que atua como gestora de pesquisa da Embrapa, entende
que é importante envolver também os homens no debate, considerando que
devem ser parceiros na reversão do quadro atual, até porque ainda são
maioria nos postos de comando.
De acordo com dados apurados pela pesquisadora, de 2002 a 2009 as
mulheres lideraram 31% dos projetos do SEG, “que é proporcional à
percentagem de pesquisadoras - por volta de 33% existentes no quadro
da Empresa”, ressalta.
A pesquisadora Tatiana de Abreu Sá ocupa um dos quatro cargos da
diretoria da Embrapa e, segundo dados do Departamento de Gestão de
Pessoas da Embrapa - que coordena o Programa Pró-Equidade de Gênero -,
a porcentagem de mulheres no comando dos centros de pesquisa é de
quase dez por cento. Os números mostram ainda que os homens estão na
liderança de 72 por cento dos principais projetos de pesquisa da
instituição, aqueles voltados para os grandes desafios nacionais. **
Jornalista Valéria Costa – MTb. 15533/59/32 – SP
Embrapa Transferência de Tecnologia
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