A diversificação das matérias primas para a produção do biodiesel é um dos principais interesses do setor agroenergético. Hoje cerca de 80% do combustível vem da soja, que apresenta como desvantagem balanço energético baixo, com rendimento menor que uma tonelada de óleo por hectare.
Na busca por fontes alternativas, o dendê apresenta boas
perspectivas, pois tem potencial para produzir 5 mil quilos de óleo por
hectare, além de ser domesticado e estudado há anos. Na quarta-feira
(3), a expansão da cultura para novas áreas foi discutida na I Reunião
Técnica sobre Dendê Irrigado, realizada na Embrapa Cerrados – unidade da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
No evento foram apresentados os primeiros resultados de uma pesquisa da
Embrapa Cerrados que visa estudar o dendê fora das áreas produtoras
tradicionais, que são quentes e úmidas, como a Amazônia e o sul da
Bahia.
A expansão da cultura para outras regiões mais secas, como o
Cerrado, depende de irrigação. Segundo o secretário executivo de
políticas agropecuárias do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia
(Idam), Edson Barcelos, a pesquisa sobre o dendê nessa região é
inovadora, já que há muitos estudos que indicam que isso seria inviável
devido à alta altitude e às temperaturas mais baixas, que causariam o
abortamento dos frutos.
No entanto, os experimentos irrigados, localizados em Planaltina (DF) e
Porto Nacional (TO), têm apresentado resultados surpreendentes. “Esses
experimentos mudam nossa visão sobre a fisiologia do dendê”, avalia
Barcelos. Segundo o pesquisador Nilton Junqueira, em quatro anos de
pesquisa, a planta tem-se mostrado produtiva, com a vantagem de não
apresentar doenças e pragas comuns nas regiões produtoras tradicionais.
Nos experimentos irrigados em Tocantins, conduzidos pelo pesquisador
Gustavo Campos, por exemplo, as plantas apresentaram inicialmente
desenvolvimento das plantas e peso dos cachos semelhantes às que foram
plantadas em sequeiro nas regiões tradicionais.
A partir das boas perspectivas geradas pelos resultados, os
participantes da reunião técnica passaram a articular uma rede de
pesquisa para ampliar os estudos. Foi proposta a criação de unidades de
observação em diversos estados brasileiros.
Segundo Barcelos, as ideias
serão formalizadas em um projeto a ser encaminhado ao Ministério do
Desenvolvimento Agrário. Para o órgão, que também foi um dos promotores
do evento, a perspectiva é de, no futuro, levar o dendê para as áreas
irrigadas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e
do Parnaíba (Codevasf) e do Departamento Nacionial de Obras contra as
Secas (DNOCS).
Clarissa Lima Paes (MTb 6472/DF)
Embrapa Cerrados
clarissa.lima@cpac.embrapa.br
(61) 3388 9945

