O diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Arraes Pereira, assina na terça-feira (9) , na capital de Moçambique, Maputo, o projeto Pró-Savana Japão-Brasil-Moçambique, orçado em US$ 13,4 milhões, do qual a Embrapa é uma das parceiras. A assinatura está prevista na agenda da visita do presidente Lula ao país africano, onde outros compromissos estão agendados com instituições moçambicanas.
O Pró-Savanas será assinado entre a estatal brasileira, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica) e o Instituo de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM). O objetivo principal é o melhoramento da capacidade de pesquisa e de transferência de tecnologia para o desenvolvimento agrícola do corredor de Nacala – área de savana tropical que se estende desde a região Central até o Norte do país africano (veja mais detalhes abaixo)
Do total de US$ 13,4 milhões a serem aplicados em 63 meses nas atividades do Pró-Savana, US$ 7,3 milhões são da JICA e US$ 3,6 milhões são da ABC/MRE. A Embrapa e o IIAM entram com recursos calculados em horas técnicas – ou total de horas dedicadas pelos técnicos de ambas as instituições, numa espécie de contrapartida. Segundo Pedro Arraes, o programa dará condições de os moçambicanos melhorarem a competitividade do setor agrícola, seja quanto à segurança alimentar, seja na geração de excedentes exportáveis a partir do apoio técnico à agricultura orientada para o agronegócio.
Experiência bem-sucedida
A expectativa dos parceiros é de que seja possível criar nas savanas tropicais de Moçambique – muito semelhantes ao Cerrado brasileiro - modelos de desenvolvimento agrícola sustentáveis, que levem em consideração a conservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo o desenvolvimento agrícola e regional, com capacidade competitiva e com base nas leis do mercado. Os pesquisadores da Embrapa e da Jica acreditam na possibilidade de aproveitar a tecnologia existente no Brasil e que foi desenvolvida com êxito na execução do Programa Nipo-brasileiro de Cooperação para o Desenvolvimento Agrícola do Cerrado (Prodecer), que transformou o Centro-Oeste brasileiro.
Com base na realidade brasileira, os governos do Brasil e do Japão concordaram, em julho de 2009, durante a Cúpula de Áquila, em promover o desenvolvimento da agricultura em Moçambique – pois hoje a tecnologia que a Embrapa detém é aplicável às zonas de savanas tropicais. Assim, diversos estudos foram realizados desde o compromisso de Áquila com intuito de levar para o corredor de Nacala as experiências bem-sucedidas do Cerrado brasileiro, um dos principais produtores de grãos do Brasil.
A assinatura do Pró-Savana é um dos compromissos de Pedro Arraes em Maputo, como integrante da comitiva do presidente Lula ao país. A Embrapa tem na capital de Moçambique, desde o começo deste ano, um pesquisador que está sediado no IIAM. Além do Pró-Savana, a estatal brasileira executa em parceria com a Agência Interamericana de Desenvolvimento (USAID, sigla em Inglês) uma plataforma de inovação agropecuária para Moçambique no qual deverá ser aplicado um volume de aproximadamente US$ 10,7 milhões. Nesse caso a articulação também é trilateral, composta pelos governos do Brasil, de Moçambique e dos Estados Unidos.
Deva Rodrigues (MTb/RS 5297)
E-mail: deva.rodrigues@embrapa.br

