História

Nas últimas três décadas, mudanças nos contextos político, econômico e social proporcionaram à sociedade global uma nova percepção sobre desenvolvimento econômico e conservação dos recursos naturais na Amazônia. Na década de 1970, a região era vista como um vazio demográfico, que oferecia risco à segurança nacional, e a floresta representava uma limitação ao desenvolvimento econômico e social do País.

Na primeira década do século 21, os recursos naturais e a vasta diversidade cultural da Amazônia converteram-se em ativos capazes de oportunizar ao Brasil um modelo de desenvolvimento que permite conciliar crescimento socioeconômico e conservação ambiental, além da oferta de serviços ambientais.

A Embrapa Acre também passou por profundas transformações. Implantada em 1976, como Unidade de Pesquisa de Âmbito Estadual de Rio Branco (Uepae Rio Branco), a Empresa fez do compromisso com o desenvolvimento sustentável do estado o principal pilar para a sua atuação.

Com uma economia de base extrativista, o Acre importava quase tudo que consumia. Grande parte da carne consumida (60%) era trazida da Bolívia e de outras regiões do País, geralmente por via aérea, o que encarecia o produto e restringia seu acesso pelas populações de menor renda. Nesse contexto, a Embrapa nasce com a missão de desenvolver sistemas de produção agrícola e pecuários, em áreas recém-desmatadas, para aumentar a oferta de alimentos e abastecer o mercado interno.

Em um ambiente de planejamento centralizado na esfera federal, a Unidade tinha uma atuação predominantemente operacional, executando ações de pesquisa e transferência de tecnologias em consonância com as políticas definidas para a região. Assim, surgem os primeiros projetos com as culturas da seringueira, articulados com o Programa de Incentivo à Produção de Borracha Vegetal (Probor II); do café, no âmbito dos programas coordenados pelo Instituto Brasileiro do Café (IBC); e com a pecuária, em apoio ao Programa de Recuperação, Melhoramento e Manejo de Pastagens na Amazônia (Propasto).

Na década de 1990, após a redemocratização do País e descentralização do processo de gestão pública para estados e municípios, a Embrapa realinhou o seu modelo de pesquisa, focando as demandas da sociedade. Com a transformação da Uepae de Rio Branco em Centro de Pesquisa Agroflorestal do Acre, o desafio passou a ser o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a produção sustentável, com foco na geração de benefícios econômicos e sociais, por meio do manejo dos recursos naturais do Bioma Amazônia, em áreas de floresta e desmatadas.

Ao completar 35 anos, a Embrapa Acre contabiliza inúmeras vitórias na caminhada rumo ao desenvolvimento tecnológico do estado. Os avanços proporcionados pela pesquisa científica nos diversos setores produtivos do Acre impulsionaram a economia local, refletiram na melhoria da renda e qualidade de vida no campo, proporcionaram maior oferta de alimentos de qualidade na cidade e reduziram os impactos das atividades agrícolas, pecuárias e florestais sobre o meio ambiente.  Essas conquistas são compartilhadas com instituições públicas e privadas (nacionais e internacionais) e, especialmente, com diferentes grupos de produtores rurais que acreditaram no poder de transformação da união de esforços e ajudaram a assegurar o processo participativo no desenvolvimento e validação de dezenas de tecnologias da Empresa.