Por que inserir árvores nos sistemas agropecuários?

A Mata Atlântica é uma das maiores reservas mundiais de diversidade biológica, ainda que sua cobertura vegetal original tenha sido reduzida em muito. Sua vasta riqueza vegetal, ainda pouco conhecida, é estimada em aproximadamente 20 mil espécies, que estão sob constante ameaça de extinção, o que o situa o bioma entre as cinco regiões do mundo prioritárias para conservação. 

Grande parte das alterações ocorridas no uso do solo na Mata Atlântica se deu pela expansão de sistemas de produção agrícola e pecuária, baseados no uso intensivo dos recursos naturais e na retirada da cobertura arbórea nativa. Essas atividades acabam por gerar uma paisagem rural fragmentada, deteriorando a biodiversidade local e os serviços ambientais essenciais para o manejo ecológico dos agroecossistemas.

A inserção do elemento arbóreo é uma alternativa para a intensificação ecológica dos sistemas produtivos. Mas a ausência de informações a respeito das possibilidades de uso das espécies florestais nativas acabou por estimular a adoção de espécies exóticas. No entanto, é possível e viável inserir espécies nativas, visando a atender funções ou cadeias produtivas como a madeireira, a frutífera e a melífera (para produção de mel), bem como para estimular a fertilização do solo e o aumento da biodiversidade.

 

Localização dos experimentos e pesquisa de espécies nativas viáveis para inserção

O estudo que culminou neste sistema de suporte à tomada de decisão para inserção das árvores nativas da Mata Atlântica foi desenvolvido na bacia hidrográfica Guapi-Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, tendo como área focal o assentamento São José da Boa Morte. A bacia está localizada a leste da Baía de Guanabara e abrange os municípios fluminenses de Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Itaboraí. A região faz limite ao norte com o Parque Estadual dos Três Picos e a noroeste com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde, a cerca de 1,7 mil metros de altitude, nasce o Rio Macacu.

 

O mapa de solos do assentamento foi tomado como base para criar situações comumente encontradas, possibilitando a identificação da peculiaridade de cada uma das áreas quanto à cor do solo e à vulnerabilidade em relação a encharcamento.

A lista de espécies de árvores nativas para uso foi obtida a partir do reconhecimento da diversidade arbórea existente na região. Esse reconhecimento foi realizado, inicialmente, utilizando a lista de espécies obtida de levantamentos realizados em nove áreas de remanescentes de vegetação nativa da bacia Guapi-Macacu. Em seguida, foram analizadas as características ecológicas e funções econômicas das espécies, visando à composição de sistemas produtivos.

Além disso, foi realizado um levantamento etnobotânico junto aos agricultores do assentamento, no qual foi levado em consideração seu conhecimento sobre as espécies locais quanto ao potencial produtivo e preferências de solo e clima. As informações foram consolidadas e estão disponíveis aqui.

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