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Dinâmica da sucessão ecológica e biodiversidade de microrganismos simbiontes às plantas (fungos ectomicorrízicos, endomicorrízicos e bactérias fixadoras de nitrogênio) nos reflorestamentos na Floresta Amazônica após atividades antrópicas

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Foto: MEDEIROS, Daniel

A exploração mineral e as atividades agrícolas e pecuárias são consequência do desenvolvimento humano, mas requerem, muitas vezes por força da legislação, a recomposição da flora e da fauna originais do local explorado. Embora estudos sobre recomposição florística e recuperação das áreas degradadas venham sendo realizados por vários grupos de pesquisadores brasileiros, muitos utilizam uma metodologia conhecida como "tapete verde". Essa metodologia não atende às exigências das autoridades fiscalizadoras do meio ambiente, que exigem uma revegetação mais próxima à original do ambiente, encontrada antes do processo exploratório.

Muitas vezes a revegetação de áreas degradadas no Brasil é feita com a utilização de um coquetel de espécies de gramíneas e leguminosas para a cobertura vegetal dos taludes, sendo que as espécies de leguminosas raramente são inoculadas com rizóbios altamente eficientes na fixação de nitrogênio e muito menos com fungos micorrízicos. Em consequência, esses plantios recebem, anualmente, quantidades relevantes de adubos à base de nitrogênio, fósforo e potássio, além de calcário, em algumas situações.

Além de ser um processo oneroso, o uso desses elementos pode contaminar cursos de água e, ainda mais grave, não possibilita o recrutamento de outras espécies da flora local para a área a ser recomposta. Experimentos demonstram que plantas que vivem em simbiose mutualística com microrganismos são mais aptas a colonizarem áreas degradadas. A simbiose resulta no surgimento de propriedades emergentes na planta hospedeira, que, no caso de leguminosas, bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos, resulta em plantas auto-suficientes em nitrogênio, devido ao efeito das bactérias, e com maior capacidade para absorver nutrientes e água, em consequência das micorrizas. Essa combinação enriquece o solo com a deposição de matéria orgânica, permitindo que espécies não leguminosas possam se estabelecer, facilitando o recrutamento mais rápido de espécies da flora local.

A experiência pioneira da Embrapa Agrobiologia demonstra que o emprego de leguminosas inoculadas simultaneamente com bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos é mais eficaz e barato do que métodos convencionais de revegetação, tanto em áreas de mineração de ferro, bauxita e ouro quanto em taludes de corte de estrada, entre outras áreas severamente impactadas. No entanto, o sucesso no emprego de espécies nativas depende, muitas vezes, do isolamento e da caracterização de microrganismos associados.

Várias espécies de plantas necessitam de fungos micorrízicos para que possam se desenvolver satisfatoriamente. Atualmente, com o emprego de técnicas de biologia molecular, tem sido demonstrada a ocorrência de especificidade hospedeira na simbiose micorrízica. Relatos demonstram que espécies que evoluirão para uma condição simbiótica e que apresentam especificidade hospedeira têm problemas para se desenvolverem na ausência do microssimbionte. Possivelmente, este deve ser o problema apresentado por várias espécies de plantas nativas do Brasil, que são difíceis de serem multiplicadas em condições controladas.

Ecossistema: Floresta Atlântica

Situação: concluído Data de Início: 12/2007 Data de Finalização: 01/2008

Unidade Lider: Embrapa Agrobiologia

Líder de projeto: Sergio Miana de Faria

Contato: sergio.defaria@embrapa.br

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