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Tecnologias desenvolvidas e aplicadas na Fazendinha

 

Em suas áreas de produção de hortaliças e frutas, pastagens e preservação ambiental, a Fazendinha Agroecológica Km 47 prioriza a reciclagem de nutrientes, a integração da produção animal com a vegetal e a autossuficiência em nitrogênio, por meio de rotação e diversificação de culturas. Diversas tecnologias foram desenvolvidas e testadas neste espaço, entre produtos, serviços e práticas agropecuárias. Suas técnicas de manejo têm sido adotadas por agricultores de diferentes regiões do Brasil. Abaixo você conhece mais sobre os princípios tecnológicos adotados na Fazendinha.

Adubo e substrato orgânico 100% vegetal

Os adubos orgânicos tradicionalmente utilizados, como o esterco bovino e a cama de aviário, possuem custo elevado e são de difícil obtenção em algumas regiões, geralmente apresentando elevada contaminação química e biológica, além de outros problemas. A Fazendinha Agrobiologia produz adubos e substratos orgânicos de origem inteiramente vegetal, a partir da compostagem de materiais como a torta de mamona ou a palhada de leguminosas, misturados ao bagaço de cana-de-açúcar ou à palhada de capim-elefante, sem que haja necessidade de aplicação de aditivos para acelerar o processo de compostagem. Leia mais.

Produção de mudas de hortaliças

O sucesso do cultivo de hortaliças depende, em grande parte, da qualidade da muda utilizada, que deve apresentar padrão uniforme e vigor, sendo isenta de quaisquer doenças e pragas. Na Fazendinha, são produzidas anualmente cerca de 150 mil mudas de hortaliças, a paritr do uso de tecnologias adaptadas à realidade da agricultura orgânica. A estufa utilizada é de um modelo simples e eficiente, desenvolvido de forma a atender agricultores familiares. O substrato foi desenvolvido na própria Fazendinha, a partir da mistura de materiais facilmente obtidos na propriedade ou no mercado. Leia mais.

Gongocompostagem

A gongocompostagem é mais uma possibilidade de compostagem de resíduos orgânicos de origem vegetal. Ela é realizada pelos gongolos - também conhecidos como piolhos-de-cobra, maria-café ou embuás -, pequenos invertebrados que possuem uma excepcional capacidade trituradora, sendo capazes de se alimentar de materiais fibrosos como bagaço de cana-de-açúcar, sabugo de milho, aparas de grama e até papelão. O composto gerado dá origem, em cerca de 90 dias, a um substrato para produção de mudas muito leve, o que facilita o transporte no campo. Além disso, esses organismos são facilmente encontrados nas propriedades rurais e seu manejo é muito semelhante ao das minhocas. Eles vivem escondidos embaixo de folhas, pedras ou troncos de árvores, sendo às vezes confundidos com pragas. Leia mais.

Sistemas agroflorestais

Sistemas agroflorestais - ou SAFs - são modelos de produção que associam árvores com culturas agrícolas e, às vezes, também com animais, de maneira simultânea ou sequencial. Na Fazendinha, alguns modelos têm sido testados, desde os mais simples, como o cultivo em aleias, até os mais complexos, como o sistema agroflorestal regenerativo e análogo (Safra), no qual são plantadas mais de 50 espécies por hectare. No cultivo em aleias são plantadas árvores em fileiras, com espaçamento entre as linhas de cinco a seis metros, onde são cultivadas diferentes espécies agrícolas. Já o Safra é utilizado na Fazendinha para fazer a interligação de fragmentos florestais, amortizando os custos do reflorestamento com espécies nativas da Mata Atlântica a partir do cultivo concomitante de aipim, feijão, abacaxi, banana, espécies frutíferas e madeireiras. O Safra apresenta grande potencial na recomposição de áreas ciliares em propriedades rurais, onde o agricultor poderá associar rendimento econômico com conservação ambiental. Leia mais.

Moirão vivo

As cercas fazem parte da paisagem rural brasileira. Tradicionalmente, os moirões utilizados para sua construção são retirados do meio ambiente a partir do corte de árvores e, após tratamento para aumentar sua durabilidade, são fixados no solo. Em seguida, é esticado por eles o arame para cercar a área. O conceito do moirão vivo baseia-se na lógica da não derrubada de árvores para a construção de cercas, mas de seu plantio na linha divisória da área que se quer isolar para, a partir daí, esticar-se o arame. Algumas espécies, como o mulungu (Erytrina spp) e a gliricídia (Gliricidia sepium), podem ser utilizadas para esse fim. Ambas possuem boa porcentagem de brotação a partir de estacas, sem a necessidade de adição de hormônios de crescimento, sendo que, cerca de dois anos após o plantio, já podem receber o arame para fazer o isolamento da área. Essa tecnologia exige planejamento por parte do agricultor, mas possui vantagens como baixo custo e maior durabilidade, além de um efeito paisagístico belíssimo. Leia mais.

Substrato orgânico para mudas

Uma das dificuldades da produção de hortaliças em sistemas orgânicos é a obtenção de substratos para a produção de mudas. Além de ser certificado como orgânico, é necessário que seja eficiente na produção de diversas espécies e que seja de custo reduzido e fácil obtenção. Para atender à demanda da Fazendinha, foi desenvolvido um substrato constituído pela mistura de húmus de minhoca, fino de carvão vegetal e torta-de-mamona. Essa formulação tem se mostrado promissora para a produção tanto de hortaliças folhosas quanto de hortaliças de fruto, constituindo-se em uma alternativa adequada e de custo reduzido na composição de substratos para mudas orgânicas. Leia mais.

Minhocultura ou vermicompostagem

A minhocultura ou vermicompostagem é o processo de reciclagem de resíduos orgânicos por meio da criação de minhocas, sendo uma importante alternativa para resolver os problemas dos dejetos orgânicos. O húmus de minhoca é um excelente fertilizante e pode ser utilizado como matéria-prima para a obtenção de substratos. Esta é uma linha de pesquisa estudada na Fazendinha Agroecológica, resultando no desenvolvimento de diversas técnicas e estruturas para o sucesso da criação das minhocas, como cercados de alvenaria ou bambu e manilhas de poço. Leia mais

Uso de energia renovável na irrigação

A energia elétrica é um dos insumos básicos para a erradicação da miséria no campo - e sua falta é um grande entrave ao desenvolvimento rural. Para muitos agricultores, a irrigação é uma prática essencial, sem a qual não se produz, devido à falta de chuvas regulares. O uso sustentável da irrigação está ligado à racionalização do uso da água e, como a maioria dos sistemas pressurizados usa a energia elétrica, a utilização de energias renováveis (solar e eólica) tende a minimizar os custos de produção, além de viabilizar a irrigação em locais com fornecimento inadequado de energia. Esse trabalho é realizado na Fazendinha, e alternativas viáveis já existem para o melhor aproveitamento de energias limpas e com custos muito mais baixos do que os das fontes tradicionais.

Café arborizado

O cafeeiro pode ser cultivado em sistemas agroflorestais com níveis de sombreamento variando de 20% a 40%. Dentre os benefícios provenientes da associação do cafeeiro com árvores, destacam-se o aumento da longevidade da cultura e a melhoria das condições de solo, com o aumento do teor de matéria orgânica, da ciclagem de nutrientes e da infiltração de água e a redução da compactação do solo e da erosão. Ocorre também a melhoria das condições climáticas, bem como a diminuição da demanda nutricional, permitindo colheitas em solos de fertilidade mais baixa. Sistemas diversificados são mais protegidos contra pragas, doenças, ventos e geadas. Outras vantagens do cultivo arborizado são a redução da necessidade de capinas e o amadurecimento mais lento do fruto, resultando na produção de grãos maiores e mais uniformes, o que muitas vezes caracteriza produtos de melhor qualidade e valor de mercado. Espécies arbóreas que têm apresentado sucesso na arborização do café são a Erytrina spp e a Gliricidia sepium. Leia mais.

Resgate de germoplasma da araruta

O resgate e a preservação da araruta (Marantha arundinacea), uma espécie nativa das florestas tropicais brasileiras, é um dos serviços desenvolvidos na Fazendinha. Do rizoma da araruta extrai-se um amido leve e de alta digestibilidade - o chamado polvilho de araruta, cuja comercialização foi praticamente abandonada pela indústria, devido ao plantio escasso da planta. A cultura é altamente eficiente no uso dos recursos naturais, com produtividade em torno de 20 toneladas de rizoma por hectare em solos de baixíssima fertilidade e sem adição de insumos. Por ser propagada vegetativamente por meio do plantio dos rizomas, a araruta depende do replantio constante. A recomendação do polvilho de araruta para pessoas com restrições a glúten despertou interesse pela cultura. A Fazendinha mantém um banco ativo de materiais coletados no Brasil, orienta o plantio e estimula a troca de materiais com as pessoas interessadas, além de manter uma publicação que resgata a culinária tradicional e os antigos sabores.

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