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16/03/17 |   Agricultura familiar

Projeto pretende melhorar óleo de pequi

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Foto: Leto Saraiva

Leto Saraiva - Safra é comercializada na região e pouco aproveitada pela indústria

Safra é comercializada na região e pouco aproveitada pela indústria

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical querem oferecer uma alternativa para melhorar o processo de extração do óleo do pequi. A equipe está envolvida em um projeto que deve estabelecer os parâmetros de obtenção dos óleos da polpa e da amêndoa. O projeto inclui estudos de estabilidade e avaliação da qualidade.
Entre os dias 5 e 10 de março, a equipe do projeto viajou às cidades de Juazeiro do Norte e Iguatu, para beneficiar a matéria-prima que será utilizada na primeira etapa dos estudos. Os 15 mil caroços de pequi adquiridos foram despolpados no IFCE Campus de Iguatu, onde uma despolpadeira foi adaptada para a extração da polpa do pequi.
Uma das principais motivações do projeto, de acordo com a pesquisadora Elisabeth Barros, é investigar como melhorar as condições sanitárias do processamento, preservando as propriedades originais da matéria prima no produto. Os catadores de pequi produzem o óleo em carcaças de geladeira no meio da mata, cozinhando os caroços por mais de 8h em fornalhas alimentadas com madeira da região. Essa forma tradicional de produção, além de apresentar elevado risco de contaminação e degradação de seus constituintes, favorece o desmatamento e as queimadas na floresta nacional do Araripe.
A ideia do projeto é desenvolver um método de extração de óleo da polpa e da amêndoa a frio. “Dessa forma, compostos presentes no óleo, como a pró-vitamina A, dentre outros, não se perdem com o aquecimento”, explica Elisabeth Barros. Serão testados processos aquosos, de prensagem e centrifugação.
O projeto também contempla o processamento da amêndoa para obtenção do óleo. O produto tem aplicação na culinária regional e na indústria cosmética, dentre outros usos. A amêndoa, que fica dentro do caroço do pequi, é de difícil extração devido aos finos espinhos que a envolvem. Os óleos obtidos serão caracterizados do ponto de vista químico e físico-químico. Serão realizados ainda testes de aceitação sensorial do aroma e aceitação global.
 
Saiba mais:
Na Chapada do Araripe, o pequi (Caryocar coriaceum Wittm.) se destaca pela importância socioeconômica. Os frutos - ricos em ácidos oleico, palmítico, linoleico e carotenoides - são utilizados tanto na culinária regional, como na farmacopeia popular e na indústria cosmética. A safra, que vai de janeiro a março, é comercializada na região e pouco aproveitada pela indústria. Considerando dados da CONAB, o principal produto obtido do fruto, o óleo, apresenta má qualidade, o que interfere negativamente na comercialização. Para preparar um litro de óleo da polpa, que é vendido a R$ 60; são utilizados mil caroços de pequi. Já para preparar um litro do óleo da amêndoa com o método tradicional são necessários cerca de 5 mil caroços. Essa quantidade de produto é comercializada pela comunidade por cerca de R$ 80.

 

Verônica Freire (MTB 01225 jp)
Embrapa Agroindústria Tropical

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
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