Sugestões de pauta

Sistemas integrados de produção agropecuária

A Embrapa Agrossilvipastoril trabalha com o desenvolvimento de soluções tecnológicas para sistemas integrados de produção agropecuários, entre eles os chamados sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Fazem parte desse grupo todos as possíveis combinações entre os componentes (ILP, IPF, ILF e ILPF). Além das pesquisas, são realizadas atividades de transferência de tecnologia, visando capacitar técnicos e agentes de extensão rural, de forma a levar o conhecimento até o setor produtivo. Abaixo algumas sugestões de pautas dentro da temática ILPF:

Levantamento feito por meio de sensoriamento remoto mostrou que em 2019 a área com integração lavoura-pecuária em Mato Grosso era de 2,6 milhões de hectares. Em comparação com 2013, o aumento é de 1,1 milhão de hectares.

Os dados mostraram que o aumento inicial da adoção ocorreu em torno de locais onde a Embrapa desenvolveu atividades de transferência de tecnologia, como instalação de Unidades de Referência Tecnológica, realização de dias de campo e capacitações.

Referência:
Área com sistemas lavoura-pecuária em Mato Grosso ultrapassa 2,6 milhões de hectares


São realizadas pesquisas e atividades de validação de tecnologia em áreas de produtores rurais para o desenvolvimento de opções de consórcios forrageiros para serem usados em segunda safra em sistema de plantio direto ou integração lavoura-pecuária.

Esses consórcios visam aumentar produção de matéria seca, melhorar as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, quebrar ciclo de pragas e doenças e melhorar a produtividade das atividades agrícolas ou pecuárias.

O objetivo é o de oferecer ao produtor ferramentas para serem usados em diferentes situações, como descompactação do solo, aumento de matéria orgânica, reciclagem de nutrientes, mitigação de nematoides, entre outros.

São exemplos consórcios de capim com crotalárias, feijão-guandu, feijão-caupi, nabo forrageiro, niger, girassol, sorgo, entre outros, além das opções de consórcios múltiplos.

Referência:
Consórcios forrageiros usados em segunda safra melhoram o solo e elevam produtividade de soja


Primeiro consórcio lançado pela Embrapa Agrossilvipastoril, consiste no plantio consorciado de braquiária com feião-caupi após a colheita da soja, visando o pastejo animal em sistema de integração lavoura-pecuária. As plantas de caupi serão pastejadas pelo gado juntamente ao capim, elevando o teor proteico da dieta. Além disso, a leguminosa fixa nitrogênio no solo, melhorando a produção de massa seca da forrageira e resultando em ganho de produtividade na soja plantada na sequência.

Referência:
Sistema Gravataí - Consórcio de braquiárias com feijão-caupi destinado ao pastejo em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP)


A partir das pesquisas realizadas, é possível orientar produtores que querem implantar sistemas ILPF sobre a melhor configuração na definição do uso do componente arbóreo. Número de linhas em cada renque, espaçamento entre plantas e distância entre os renques. Essas recomendações são feitas conforme as espécies utilizadas na integração, a destinação dos produtos, condições locais da propriedade e maquinário disponível.


Em sistemas integrados com a presença de árvores, é possível manter a produtividade da lavoura mesmo com as árvores crescidas. Para isso é preciso fazer o manejo de copa, com podas, desramas e desbastes de indivíduos.

A pesquisa mostra como e quando esse manejo deve ser feito.

Referência:
Lavoura pode manter produtividade mesmo com árvores crescidas em sistemas ILPF


A escolha da espécie florestal a ser usada em sistemas ILPF é um aspecto importante em qualquer projeto. Por meio da pesquisa é possível recomendar aquelas espécies com melhor potencial de sucesso. Além da escolha correta, é preciso fazer o manejo adequado.

A pesquisa mostrou, ainda, que em sistemas integrados, o eucalipto cresce mais do que em monocultura. Além disso, essa espécie, a mais usada em ILPF, tem menor ocorrência de pragas.

Referências:
Eucalipto cresce mais em sistemas ILPF comparado ao plantio em monocultura
Sistemas ILPF alteram a dinâmica de ocorrência de pragas


Pesquisas mostraram que sistemas ILPF proporcionam maior ganho de peso para novilhos da raça nelore. Quando o sistema conta com árvores, proporcionando maior conforto térmico para os animais, a produtividade é ainda maior.

O resultado obtido na avaliação feita entre julho de 2016 e julho de 2017 também mostrou que o aumento da tecnologia usada na pecuária, com aumento de adubação e da suplementação proteinada, pode resultar em ganhos de produtividade.

Referência:
ILPF resulta em maior ganho de peso na pecuária de corte


Novilhas nelore em sistemas de integração lavoura-pecuária ganharam mais peso e tiveram maior espessura de gordura da garupa. Em sistemas silvipastoris, novilhas apresentaram maior concentração sérica do fator de crescimento IGF-I. Conforto térmico (proporcionado pela sombra) e disponibilidade de pastagem de melhor qualidade são determinantes para melhoria nos indicadores de precocidade sexual.

Além disso, bezerros nascidos em sistemas integrados apresentaram cerca de dez quilos a mais, em média, em comparação aos filhotes de vacas que ficaram somente em pastagem.

Referência:
Estudo registra melhores índices de precocidade sexual de novilhas em sistemas integrados


Uso de sistemas integrados afeta comportamento e ocorrência de insetos-praga. Em sistemas de ILP com rotação anual, não foram encontradas cigarrinhas nas pastagens, eliminando a aplicação de químicos de controle. Lagarta desfolhadora que ataca eucaliptos não ocorre em sistemas IPF, ILF e nem ILPF. Sistemas integrados promovem aumento da biodiversidade de insetos e eleva a presença de inimigos naturais. A diversidade maior de microrganismos no solo também reduz incidência de doenças.

Referência:
Sistemas ILPF alteram a dinâmica de ocorrência de pragas


Sistemas integrados são consideradas formas de produção com menor balanço de emissão de gases causadores de efeito estufa. A pastagem bem manejada e as árvores, quando usadas, sequestram carbono no solo e em forma de biomassa. Esse sequestro reduz o impacto ou pode até mitigar, em termos de equivalência de carbono, as emissões de metano feitas pelo gado e pelo solo. A Embrapa Agrossilvipastoril mensura as emissões de gases e o estoque de carbono, como forma de obter indicadores ambientais sobre cada sistema produtivo.


Pesquisas mostraram que o uso de sistemas integrados reduz os riscos para os produtores. A diversificação de produtos garante maior estabilidade diante de quadros de desvalorização ou queda de produção de uma única cultura. Em cenários testados com variação de preços de grãos e arroba do boi, os sistemas integrados sempre se mantiveram lucrativos.

Referência:
ILPF reduz riscos de mercado para produtores


Estudo inédito, realizado nos biomas Cerrado e Amazônia, comparou desempenho econômico e ambiental de três configurações produtivas: lavoura em sucessão soja-milho X pecuária extensiva X sistemas de integração lavoura-pecuária. A lavoura se mostrou mais lucrativa, porém, com alto custo ambiental. Já a ILP, além de lucrativa, foi mais sustentável.

Os sistemas ILP tiveram balanço positivo na relação carbono-emergia, ou seja, sequestraram carbono. Já a lavoura e a pecuária extensiva tiveram balanço negativo, apresentando emissão de carbono. Resultados mostraram que sistemas integrados são alternativa viável para uso em grande escala, possibilitando suprir a demanda pela produção de alimentos, com um menor impacto ambiental.

Referência:
Sistema ILP associa desempenho econômico e menor custo ambiental


Outros temas

Qual, ou quais as melhores estratégias para recuperar áreas degradadas nos biomas Cerrado e Amazônia? As respostas estão sendo buscadas em quatro grandes experimentos conduzidos em diferentes regiões de Mato Grosso. São testadas técnicas de regeneração natural, plantio de mudas nativas, plantio de mudas nativas e exóticas, semeadura direta, semeadura a lanço e combinações de diferentes técnicas. Embora as respostas completas possam demorar décadas, já há informações suficientes para recomendações a produtores e instituições que necessitam revegetar áreas.

Referência:
Regeneração natural não é eficiente em áreas de agricultura


A fusariose é uma doença causada por fungo presente no solo que mata todos os pés de maracujá após cerca de dois anos, inviabilizando a cultura onde o problema ocorre. Pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril e Embrapa Cerrados identificaram variedades resistentes à fusariose testaram-nas como porta-enxertos, usando técnica desenvolvida pela empresa. As pesquisas e a validação demonstraram a eficiência de alguns dos materiais, possibilitando o retorno do cultivo da fruta em regiões onde não era mais viável, como a região norte de Mato Grosso. A pesquisa é desenvolvida em parceria com a Coopernova, que já está produzindo e comercializando mudas.

Referências:
Enxertia resistente à fusariose revive produção de maracujá em Mato Grosso
Publicação da Embrapa mostra técnica de enxertia em maracujazeiro-azedo


A Embrapa Agrossilvipastoril é responsável pela validação do Zarc para diferentes culturas em Mato Grosso, como grãos, fibras e frutas. Pesquisadores coletam e trabalham com dados referentes à clima, solos, aptidão da região, cultivares, entre outros, para indicar qual a melhor janela de plantio de cada cultura em cada município do estado. Além disso, são definidos outros dois períodos, nos quais o risco de frustração de safra é um pouco maior. Essas informações são usadas tanto para a liberação de crédito rural, quanto para que o produtor possa acionar o seguro agrícola.

Referência:
Embrapa valida zoneamento para algodão, arroz e feijão-caupi em Mato Grosso


O monitoramento frequente da lavoura permite ao produtor identificar com maior precisão a ocorrência de pragas e verificar se a população presente representa risco de danos. Essas informações servem de subsídio para a tomada de decisão de forma mais precisa, evitando-se aplicações desnecessárias de inseticidas. O uso racional dos agrotóxicos contribui não só para o menor impacto ambiental, como permite a sobrevivência de inimigos naturais dos inseto-pragas e a redução nos custos de produção. A menor exposição das pragas aos inseticidas reduz a velocidade do processo de seleção e resistência.

Pesquisas conduzidas pela Embrapa demonstram os benefícios desse manejo integrado de pragas (MIP) em grandes áreas, trazendo economia de milhares de reais aos produtores.

Referências:
Produtores de Mato Grosso mostram que é possível fazer MIP em grandes áreas
Prosa Rural - Uso do MIP para redução de custos de produção em grandes áreas


O Amaranthus palmeri é uma planta daninha de crescimento acelerado que compete com diferentes culturas agrícolas por água, nutrientes, espaço, luz e CO2. Foi identificada no Brasil pela primeira vez em 2015 na região médio-norte de Mato Grosso. Um trabalho realizado pelo Mapa, Indea, Embrapa, universidades e produtores visou, com êxito, suprimir as populações, buscando uma total erradicação. Ao mesmo tempo, pesquisadores analisaram as melhores estratégias para controle da planta. Pesquisa da Embrapa concluiu que o uso do controle químico, com aplicação de herbicidas em pré e pós-emergência, e de controle cultural, com semeadura de braquiária em consórcio com milho, é uma das estratégias mais eficientes de manejo dessa praga. A rotação de culturas e de mecanismos de ação de herbicidas também é fundamental para evitar novas seleções de resistência.

Referência:
Associação entre controle cultural e químico é melhor opção no combate ao Amaranthus palmeri