Embrapa, UFRRJ e Udelar subsidiam com ciência a nova política nacional de rotulagem de alimentos

Semáforo, lupa, triângulo ou octógono. Símbolos pretos, vermelhos ou amarelos. Esses alertas nutricionais frontais nos alimentos industrializados vão entrar no dia a dia dos brasileiros. Em 7 de outubro de 2020, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou por unanimidade a nova norma sobre rotulagem nutricional de alimentos: a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 429/2020 e a Instrução Normativa (IN) nº 75/2020. As medidas melhoram a clareza e a legibilidade das informações nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos industrializados e visam auxiliar o consumidor a fazer escolhas alimentares mais conscientes. As novas normas tiveram o apoio de uma equipe de cientistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Universidad de la República (Udelar) do Uruguai, sob coordenação da pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos Rosires Deliza.

Foram analisados modelos de rotulagem frontal empregados em diversos países, a fim de avaliar a melhor forma de se comunicar com o consumidor brasileiro. A crítica principal em relação ao sistema anterior é o fato de os rótulos de alimentos no Brasil serem muito técnicos, complicados e pouco transparentes para o consumidor por exigirem conhecimentos nutricionais avançados para seu entendimento. Além disso, a maioria das informações relevantes, como a lista de ingredientes, são apresentadas com letras muito pequenas e pouco legíveis. Por isso, o consumidor brasileiro tem dificuldade de entender as informações dos rótulos de alimentos e não sabe fazer diferenciações entre os produtos alimentícios, o que dificulta a escolha de produtos mais saudáveis. O resultado desse comportamento pode ser observado no número crescente de doenças crônicas decorrentes de má alimentação, como hipertensão e diabetes.

Semáforo, lupa, círculo, triângulo e octógono, pretos ou coloridos. Os alertas nutricionais frontais em alimentos industrializados foram implementados em vários países do mundo e estão prestes a serem adotados no Brasil. Arte: Marcos Mulin

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A nova regra vai estar nas gôndolas dos supermercados do País dentro de 2 anos. Estabelece mudanças na tabela de informação nutricional e nas alegações nutricionais, e inova ao adotar a rotulagem nutricional frontal. Essa rotulagem estimula a indústria alimentícia do Brasil a utilizar esse prazo de 2 anos para entregar alimentos mais saudáveis, uma vez que os consumidores estarão mais atentos aos produtos com alto teor de sódio, açúcar e gordura, por exemplo.

Confira nas tabelas abaixo a relação de tecnologias de Hortaliças e leguminosas que geraram impactos sociais, ambientais, institucionais e econômicos.

Impactos das soluções tecnológicas de Hortaliças e leguminosas

Legenda: nd (não definido).
Notas: (1) Participação da Embrapa; (2) Ano do último aprimoramento da tecnologia em adoção; (3) Adoção (quantidade); (4) Impacto ambiental; (5) Impacto institucional.
Metodologia: Avaliação dos impactos de tecnologias geradas pela Embrapa - metodologia de referência.

As campeãs de impacto econômico

Mandioquinha-salsa Amarela de Senador amaral

Com mais de 5 mil hectares plantados em 2020, a cultivar Amarela de Senador Amaral é atualmente a variedade de mandioquinha-salsa mais cultivada no Brasil. Ela tem como principais características a produtividade, acima de 25 toneladas por hectare, a qualidade de raiz e a precocidade, com ciclo de produção entre 7 e 8 meses. A adoção dessa tecnologia proporcionou um impacto econômico superior a 28 milhões de reais, em 2020. Saiba mais. Foto: Leandro Lobo

Feijão Guandu BRS Mandarim

Como outras leguminosas, o feijão guandu, pode ser utilizado para adubação verde e recuperação de pastagens degradadas. A BRS Mandarim é uma cultivar de fácil implantação e manejo, que possui alto potencial para alimentação animal. Ela pode ser usada em apoio ao processo de produção de cana e no cultivo consorciado com milho e braquiária. Em 2020, a cultivar BRS Mandarim foi cultivada em mais de 22 mil hectares, com impacto econômico de R$ 10,8 milhões. Saiba mais. Foto: Juliana Sussai

Trio da produtividade da cultura da mandioca

Seleção de manivas-sementes, plantio em espaçamento de 1m x 1m e capina manual durante cinco meses após o plantio da mandioca. Essas três técnicas de simples adoção têm permitido dobrar a produtividade dos plantios de mandioca sem aumentar o custo do produtor. Em 2020, O Trio da produtividade da cultura da mandioca foi aplicado em 9,8 mil hectares pelo Brasil, com impacto econômico superior a 9 milhões de reais.  Saiba mais. Foto: Leandro Lobo

Adoção das soluções tecnológicas de Hortaliças e leguminosas

Nota: (1) Ano do último aprimoramento da tecnologia em adoção.

Análise

Hortaliças e leguminosas fazem parte da alimentação do brasileiro e, dessa forma, também integram os programas de melhoramento da Embrapa. Em 2020, os agricultores de leguminosas e hortaliças que utilizaram as variedades da Embrapa obtiveram, conjuntamente, mais de 142,5 milhões de reais.

A adoção real de cultivos de fácil propagação é sempre um desafio, mas estima-se que a adoção das hortaliças e leguminosas destacadas da amostra sejam adotadas em mais de 558 mil hectares.

Adoção das soluções tecnológicas da Embrapa relacionadas a diferentes tipos de hortaliças e leguminosas