Programa Balde Cheio viabiliza a produção de leite em pequenas propriedades do País

Mais de 4 milhões de pessoas estão envolvidas na produção de leite no Brasil; são produtores e seus familiares de pequenas propriedades rurais, com diferentes limitações para torná-las mais produtivas e continuar na atividade com dignidade. O leite é produzido em 99% dos municípios brasileiros e gera milhões de empregos em todas as etapas da cadeia produtiva. No entanto, a produtividade é muito baixa na maioria das propriedades leiteiras. A média de litros de leite por vaca em lactação é em torno de 4 L ao dia no Brasil, enquanto a média mundial é próxima a 10 L diários. O fraco desempenho das propriedades leiteiras está associado, principalmente, à gestão inadequada das fazendas e à falta de assistência técnica capacitada.

Para vencer esse desafio, a Embrapa Pecuária Sudeste criou, em 1998, o programa Balde Cheio. Em 2017 o programa passou a trabalhar em rede. Hoje ele reúne 16 centros de pesquisa da Embrapa. Existem parcerias com serviços de extensão rural governamental, associações de produtores, cooperativas de laticínios, cooperativas de técnicos, organizações não governamentais, prefeituras, fundações, agências de desenvolvimento e, principalmente, profissionais autônomos ligados à extensão rural. Essas parcerias são fundamentais para a execução da iniciativa em todo o País. Atualmente, o Balde Cheio atende a 19 estados brasileiros e 844 municípios.

A maioria dos produtores no programa produz mais de 200 L ao dia (75% dos participantes). A propriedade mais antiga do programa é a do produtor de leite Leonildo Gasquez, de São Francisco, SP. Ele começou no Balde Cheio com uma média de 200 L de leite ao dia. Hoje sua produção é de 2 mil litros de leite ao dia. A renda da atividade leiteira é que mantém toda a família na propriedade. Em 2013, Jairo de Oliveira Neves, da cidade de Colorado do Oeste, RO, produzia em torno de 70 L de leite ao dia. Atualmente, a média diária é de 750 L em 6 ha de terra. Ou seja, aumentou mais de 10 vezes sua produção. Produtor orgânico há mais de 20 anos, o ator Marcos Palmeira conta que sua propriedade era uma antes do Balde Cheio e agora é outra, mais eficiente. “Mudou toda a minha concepção de produção leiteira. Estamos virando outra fazenda. O programa faz a gente alinhar a teoria à prática”, falou.

Mais informações:

Programa Balde Cheio

Técnicos do Programa Balde Cheio

Fazenda Nata da Serra, Serra Negra, SP: descrição de caso de sucesso na produção orgânica de leite.

Outras publicações

 

Impactos das soluções tecnológicas de Produção animal

Legenda: nd (não definido).
Notas: (1) Participação da Embrapa; (2) Ano do último aprimoramento da tecnologia em adoção; (3) Adoção (quantidade); (4) Impacto ambiental; (5) Impacto institucional.
Metodologia: Avaliação dos impactos de tecnologias geradas pela Embrapa - metodologia de referência.

As campeãs de impacto econômico

Foto : Gabriel Faria

Cultivar de capim-marandu

Cultivar de capim-marandu

O capim-marandu tem como principais características resistência às cigarrinhas-das-pastagens, alta produção de forragem, persistência, boa capacidade de rebrota, tolerância ao frio, à seca e ao fogo. A adoção dessa tecnologia em mais de 20 milhões de hectares proporcionou um impacto econômico superior a R$ 5,4 bilhões em 2021.

Foto : Dalízia Aguiar

Cultivar de capim-mombaça

Cultivar de capim-mombaça

O capim-mombaça, uma alternativa para áreas de solo com maior fertilidade, tem ganhado espaço em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e na pecuária de leite, incrementando a produtividade dos rebanhos. Em 2021, essa cultivar foi utilizada em mais de 6,7 milhões de hectares no Brasil, com impactos econômicos acima de R$ 4,3 bilhões.

Adoção das soluções tecnológicas de Produção animal

Nota: (1) Ano do último aprimoramento da tecnologia em adoção.

Análise

Soluções de R$ 16,3 bilhões

Em 2021 os impactos econômicos gerados pelas soluções tecnológicas relacionadas à produção animal somaram mais de R$ 16,3 bilhões. Este montante equivale à soma que o setor ganhou em razão da adoção de uma amostra de tecnologias da Embrapa. Nesse tipo de solução tecnológica estão as raças melhoradas de suínos, aves, caprinos, ovinos, gado de leite e de corte. Encontramos também tecnologias que promovem a sanidade animal, e, finalmente, temos uma amostra da adoção e dos benefícios gerados pelos diversos tipos de manejo que a Embrapa desenvolve.

Vale lembrar que aproximadamente 90% da área plantada com forrageiras no Brasil utilizam variedades da Embrapa. Em linhas gerais, as tecnologias desse grupo são utilizadas em mais de 46 milhões de hectares e aplicadas em aproximadamente 8 milhões de cabeças.

Impacto econômico das soluções tecnológicas da Embrapa relacionadas à produção animal.

Rebanho de 29 milhões cabeças

As soluções tecnológicas geradas para a produção animal foram adotadas em total de mais de 67 milhões de hectares e abrangeram quase 39 milhões de cabeças. Essas soluções se dividem em manejos de corte/leite, usadas em 7,2 milhões de cabeças; forrageiras, plantadas em 46 milhões de hectares; manejo de pastagens, que alcançou 20,4 milhões de hectares; sanidade animal, usada em 31,5 milhões de cabeças; e, por fim, em sistemas e serviços, disponibilizados para mais de 30 mil hectares.

Adoção das soluções tecnológicas da Embrapa relacionadas à produção animal.