20/05/09 |

Ministério da Agricultura reconhece a raça bovina Crioula Lageana

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A raça bovina Crioula Lageana foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, por meio da portaria 1048, publicada e editada no dia 31 de outubro de 2008. Essa decisão beneficia os criadores da raça no Brasil e é uma vitória também para a equipe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Embrapa em Brasília, DF, que aposta na sua conservação desde a década de 80.

O reconhecimento dessa raça é um passo importantíssimo para afastá-la do perigo de extinção, afirma a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Maria do Socorro Maués, "já que representa um estímulo para os pecuaristas no Brasil".

A raça Crioula Lageana faz parte do Programa de Conservação e Uso de Recursos Genéticos Animais da Embrapa, que tem como principal enfoque a preservação de raças naturalizadas ou localmente adaptadas. Esses animais, que descendem daqueles que foram trazidos na época da colonização, são considerados ameaçados de extinção, pois ao longo de séculos vêm sendo substituídos por animais mais produtivos.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com associações de criadores, universidades e outras instituições de pesquisa, investe na preservação dessas raças pelo potencial genético que apresentam para programas de melhoramento, já que possuem características de rusticidade e adaptabilidade adquiridas ao longo dos séculos.

Associação de criadores teve papel fundamental no reconhecimento da raça

A raça bovina Crioula Lageana, que há quase quatro séculos habita o planalto catarinense, já estaria provavelmente extinta não fosse pelo trabalho de uma família de criadores de gado de Santa Catarina, a família Camargo que sempre acreditou no valor genético desses animais.  Na década de 80, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, incluiu essa raça no seu Programa de Conservação e Uso de Recursos Genéticos Animais e passou a desenvolver estudos genéticos com os exemplares da fazenda do senhor Antônio Camargo, ou seu Antoninho como era mais conhecido, hoje já falecido.

Em 2004, um passo importante foi dado para o reconhecimento do valor genético dessa raça bovina com a criação da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Crioula Lageana (ABCCL).  Essa ação foi resultado da iniciativa de 16 criadores da região sul, sendo a maior parte de Santa Catarina; um do Rio Grande do Sul e um do Paraná.

Dia de campo reúne autoridades para anunciar e comemorar a decisão do Ministério

Quatro anos depois, o reconhecimento da raça pelo Ministério foi o passo determinante para livrar essa raça da ameaça da extinção. Por isso, a decisão foi anunciada e comemorada pela ABCCL em um dia de campo realizado no dia 8 de maio, na Fazenda Igrejinha, em Lages-SC, que contou com a presença de mais de 400 pessoas entre autoridades, pesquisadores, professores e criadores.

Entre as autoridades presentes, destacam-se: o prefeito municipal de Lages, Renato Nunes de Oliveira; os secretários da Agricultura do Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina, Antônio Ceron e Onofre Santo Agostini; o Superintendente Federal da Agricultura  de Santa Catarina, Francisco Alexandro Pawell Van DeCasteele; e o Secretário de Desenvolvimento Regional de Lages, Osvaldo Uncini, entre outras.

Crioulo lageano: rusticidade e boa aptidão para carne e leite

O Crioulo Lageano é originário, provavelmente, dos antigos bovinos Hamíticos, caracterizados por chifres longos, introduzidos do sul da Espanha, provenientes da África do Norte.  Descendente direto do gado trazido pelos colonizadores portugueses e espanhóis, no Brasil, o gado Crioulo Lageano vem passando por um processo de seleção natural há quase quatro séculos no planalto catarinense.  Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arthur Mariante, a adaptação desse bovino ao longo dos séculos resultou em uma enorme rusticidade, traduzida numa adaptação às baixas temperaturas registradas naquela região, que estão entre as mais frias do país.

Os bovinos da raça Crioula Lageana são animais de grande porte produtores de carne, que também apresentam boa aptidão leiteira, que faz com que as mães apresentem uma excelente habilidade materna.  Apesar de todos esses aspectos positivos, o futuro dessa raça preocupava muito os pesquisadores da Embrapa, pois foi sendo substituída ao longo dos séculos por outras mais produtivas.

Livro conta a história da raça Crioula Lageana

Mais sobre a história desses bovinos pode ser conhecido no Livro "Raça Crioula Lageana: o esteio do Ontem, o labor do Hoje e a oportunidade do Amanhã" (foto) de autoria da pesquisadora Vera Maria Villamil Martins, que foi editado pela ABCCL e lançado durante o dia de campo em Lages.      

Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)Embrapa Recursos Genéticos e BiotecnologiaFones: (61) 3448-4769 E-mail: fernanda@cenargen.embrapa.br

Mais informações sobre o tema
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