14/02/17 |   Transferência de Tecnologia

Nova parceria em cooperação técnica levará tecnologias a oito países da África

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Foto: Cristiane Vasconcelos

Cristiane Vasconcelos -
Seis projetos de cooperação técnica foram selecionados pela plataforma M-BoSs: building on the successes of Marketplace com intuito de potencializar e expandir bons resultados alcançados em projetos finalizados com sucesso na primeira etapa do programa, o Agricultural Innovation Marketplace (MKTPlace). 
 
Os projetos trazem ações e tecnologias a serem adaptadas voltadas para o desenvolvimento da agricultura tropical de oito países africanos: Benin, Camarões, Etiópia, Gana, Nigéria, Quênia, Tanzânia e Uganda, além do Brasil, que também é um beneficiário destacado dessa cooperação.
 
A parceria Brasil e África vem de longa data e as contribuições para as duas partes, seja em termos de troca de conhecimentos, vivências ou soluções tecnológicas, é fato constatado. A plataforma de cooperação técnica M-BoSs é uma das iniciativas mais recentes nesse aspecto, coordenada pela Embrapa, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Fundação Bill e Melinda Gates, o Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DfID) e o Forum for Agricultural Research in Africa (FARA).
 
Para discutir os primeiros passos dos projetos, de 13 a 17 de fevereiro, as instituições parceiras que atuam no M-BoSs, os co-líderes africanos e brasileiros de cada projeto e os principais pesquisadores de cada equipe, participam do Fórum Anual do M-BoSs 2017, em Brasília (DF).
 
O Fórum marca o início dos projetos e quer também fortalecer a ação de cooperação técnica e compartilhamento de conhecimento entre as instituições e as equipes. Os seis projetos abordam diferentes áreas de interesse como fertilidade do solo, segurança alimentar, produção de mel e produção vegetal e animal, entre outras, e, em cada projeto, um centro de pesquisa da Embrapa atuará em parceria com uma instituição de pesquisa de cada país.
 
Thomas Giblin, assessor sênior para desenvolvimento internacional do DfID no Brasil, Olewole Fatunbi e Jonas Mugabe, do FARA, e Kate Kuo, da Fundação Bill & Melinda Gates, participam do encontro. A Embrapa está representada pelo pesquisador Paulo Eduardo de Melo, da área de cooperação técnica da Secretaria de Relações Internacionais (SRI) da Empresa e supervisor operacional da plataforma M-BoSs. Participam também representantes de outras 10 Unidades da Embrapa, além da SRI e da ABC.
 
O representante do FARA, Olewole Fatunbi, destaca que o M-BoSs é um passo natural após o MKTPlace. “O que faz do M-Boss um parceiro muito importante para o Fara, ao tomar tecnologias e conhecimentos para inovação, gerados ao longo de três anos no Marketplace, e ampliá-las permitindo um olhar mais holístico da agricultura nesses países e no continente africano.
 
Para Fatunbi, essa união de conhecimentos e pensamentos, no contexto de agriculturas tão próximas como a do Brasil e da África, em termos de clima, de pessoas e em algumas questões culturais, é um ganho mútuo para os dois lados. 
 
Como explica o representante do DfID, Thomas Giblin, o Marketplace testou ideias e possibilidades de tecnologias em seus projetos. Agora, com o M-BoSs, tem-se o lançamento de do que ele trata como ‘projetos-pilotos’ com maior escala e envolvendo mais países para criação de modelos factíveis em toda África.
 
Ele ressalta ainda a importância dessa fase de implementação dos projetos para identificar quais são realmente os grandes desafios para ampliação desses modelos na África. “É preciso adaptação a estruturas econômicas, de gênero, de cultura de cada país. A África precisa dessa transformação agrícola, considerando que há no continente uma população que continua a crescer sem nutrição adequada. É preciso achar modelos economicamente viáveis para atendê-los e, assim, atingirmos metas de desenvolvimento sustentável na qual o mundo inteiro está comprometido”.
 
Um dos pesquisadores participantes da equipe de um dos projetos, Murillo Freire Junior, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, destaca também o aspecto da troca de conhecimentos e experiências que os projetos do então MKTPlace, e agora do M-BoSs, permitem. Segundo ele, é essencial entender a realidade dos países africanos para usar a tecnologia já consolidada da Embrapa de modo que atenda as reais necessidades das produções locais. Isso porque, explica, nem sempre o nível de desenvolvimento da agricultura é o mesmo. “Temos que considerar que são realidades diferentes e aprender a lidar com isso da melhor forma para ambos”.
 
Ponto esse muito ressaltado quando Fatunbi e Giblin retratam a cooperação com a Embrapa. Para eles, o diferencial nessa cooperação tem sido o fato de a Empresa ter essa compreensão das diferenças e construir, junto com as instituições de pesquisa da África, as tecnologias adaptadas e não somente transferi-las sem esse cuidado.
 
“Há meio século, o Brasil tinha condições parecidas com da agricultura da África hoje. O que é mais uma oportunidade de levar esse conhecimento para nós. “É como se disséssemos, vamos trabalhar juntos e te ajudamos a ter o modelo de sucesso que tivemos. Um importante benefício para ambos”, disse Fatunbi.
 
Sobre o M-BoSs
 
Os projetos que integram o M-BoSs surgiram de iniciativas desenvolvidas no âmbito do MKTPlace, a Plataforma de Inovação Agropecuária, uma iniciativa internacional de cooperação técnica coordenada pela Embrapa, também em parceria com instituições internacionais. Em operação desde 2010, o MKTPlace foi reconhecido em 2016, pelo Escritório das Nações Unidas para Cooperação Sul-Sul (UNOSSC), durante a Global South-South Development Expo, como uma das estratégias de cooperação mais efetivas em nível global.
 
No caso do M-BoSs, em março de 2016 foi aberta a primeira chamada para projetos, tendo como candidatos apenas aqueles já finalizados e bem-sucedidos na Plataforma MKTPlace. A intenção é, assim, potencializar e expandir esses bons resultados.
 
O MKTPlace habilitou 30 projetos concluídos até 2015 para concorrer na chamada do M-BoSs. Desses, 21 apresentaram pré-propostas e, em seguida, 11 foram selecionadas para a fase de propostas. Por fim, seis projetos foram selecionados para execução no âmbito da nova plataforma. A relação dos projetos selecionados pode ser acessada no site do MKTPlace (www.mktplace.org). 
 
Cada um dos seis projetos selecionados receberá aporte financeiro entre 600 e 700 mil dólares, por três anos de duração. Os projetos selecionados têm propostas que buscam contribuir com o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida de pequenos agricultores.
 
Lista de projetos aprovados no M-BoSs:
 
• Ligando o conhecimento à ação: Codesenvolvimento de melhores opções para gestão integrada da fertilidade de solo, aumento dos ganhos e redução da pobreza em paisagens agrícolas da África (ICRAF, Quênia; Embrapa Solos).
• Melhoramento comunitário de abelhas melíferas para a segurança alimentar sustentável em domicílios rurais (Universidade de Mekele, Etiópia; Embrapa Acre) 
• Escalonamento dos benefícios de tecnologias de rizóbios inoculantes entre pequenos produtores de leguminosas do norte do Gana (CSIR, Gana; Embrapa Agrobiologia)
• Escalonamento de tecnologias de massa lêveda e lanches extrusados de milheto para subsistência sustentável na África ocidental (Universidade Federal de Abeokuta, Nigéria; Embrapa Agroindústria de Alimentos)
• Escalonamento de programas de melhoramento comunitários: abordagem atrativa e inovadora para melhorar as vidas de pequenos produtores em sistemas de baixos insumos (ICARDA, Etiópia; Embrapa Caprinos e Ovinos)
• Segurança alimentar e diminuição da pobreza na África por meio da implementação de tecnologias de pequena escala em sistemas de integração lavoura-pecuária (NARO, Uganda; Embrapa Meio-Norte).
 

Cristiane Vasconcelos (MTb 1639)
Secretaria de Comunicação

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