07/03/17 |   Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Cientistas criam espaguete com partes menos nobres de palmito pupunha

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Estudos de corte e aproveitamento das partes desprezadas do palmito pupunha resultaram no desenvolvimento de um novo produto para comercialização. A parte apical, mais próxima ao tolete, com textura mais firme e fibrosa, normalmente é descartada ou confere baixa qualidade ao produto em conserva in natura. Daí surgiu o espaguete de pupunha. Esse produto com alto valor agregado foi aprovado para ser consumido como entrada ou prato principal por 60 mulheres que fazem compras em supermercado. O estudo da atitude do consumidor frente a esse novo produto foi conduzido pela pesquisadora Daniela Freitas do Laboratório de Análise Sensorial da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ). A vontade de utilizar o produto em novos preparos culinários atraiu 45% das avaliadoras, que preferiram o espaguete ao palmito em tolete ou picado. 

O espaguete de pupunha minimamente processado foi o produto mais citado para consumo como entrada e prato principal, o que é uma novidade na forma de consumo convencional. “Foi observado um bom potencial de mercado para o palmito minimamente processado na forma de espaguete pelo fato de as consumidoras gostarem do produto, pelo desejo de provarem novas receitas e por considerarem valer o custo adicional”, disse a pesquisadora Daniela Freitas. O restaurante do hotel Portobello Resort, em Mangaratiba, RJ, já oferece diversos pratos com o produto como espaguete de pupunha com camarão, barquete de pupunha, palmito pupunha com creme e sopa de pupunha.

Outras pesquisas 

Revestimento comestível, embalagem ecologicamente correta e espaguete de palmito. Há mais de dez anos, os pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) realizam estudos para agregar valor ao palmito pupunha. As soluções tecnológicas desenvolvidas aumentam a vida útil e a qualidade do produto, e já foram adotadas por produtores do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

O revestimento comestível foi desenvolvido pelos pesquisadores da Embrapa para ser aplicado no tolete de palmito pupunha após o processamento mínimo, que inclui as etapas tradicionais de limpeza, pré-lavagem, descascamento e higienização. Ao final do processo, uma fina película é adicionada ao palmito, sem alterar a cor ou o sabor, diminuindo a velocidade de degradação do produto. Estudamos a fisiologia de cada material vegetal, as particularidades de cada um. No caso do palmito, o pupunha se mostrou mais apropriado em comparação com o açaí, juçara e palmeira real, porque não possui enzimas de escurecimento, que degradam rapidamente o alimento”, explica.

A equipe da área de pós-colheita também desenvolveu uma embalagem ecologicamente correta para palmito pupunha produzida de papel cartão, em conjunto com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A nova embalagem gera menor impacto mecânico e ambiental, mantém a qualidade sensorial e aumenta a vida útil do produto. A patente está depositada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).  “O mercado ainda utiliza muito aquela embalagem de isopor com filme plástico, que demora até oito anos para se decompor no meio ambiente. Essa embalagem de papel cartão que desenvolvemos se degrada em menos de 6 meses, e possui um preço bastante similar. Um grande produtor de palmito pupunha do sul fluminense vem utilizando essas embalagens há alguns anos”, conta Antonio Gomes.

 

Aline Bastos (MTB 31.779/RJ)
Embrapa Agroindústria de Alimentos

Telefone: 21 3622-9739

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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