02/08/17 |   Produção vegetal

Embrapa e IMAmt validam manejo de sistema produtivo com algodão em área de produtor

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Foto: Luiz Gonzaga Chitarra

Luiz Gonzaga Chitarra - Parte do sistema foi plantado com o consórcio de milho com braquiária

Parte do sistema foi plantado com o consórcio de milho com braquiária

Um trabalho multidisciplinar envolvendo pesquisadores de diferentes Unidades da Embrapa e do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) está avaliando o uso de boas práticas agrícolas no manejo de sistema produtivo em Mato Grosso. As atividades começaram na safra 2015/2016 em uma Unidade de Referência Tecnológica e Econômica (URTE) instalada em uma fazenda do Grupo Nadiana Agropecuária, em Ipiranga do Norte (MT).

A iniciativa começou como uma forma de mostrar aos produtores, sobretudo aos cotonicultores, alternativas de manejo que possam solucionar, ou ao menos minimizar, problemas comuns da cultura no estado como a compactação e perda de fertilidade do solo e o aumento dos custos de produção.

Para isso, um talhão de 150 hectares da fazenda foi dividido em quatro faixas, sendo que duas delas são manejadas seguindo os procedimentos de rotina da propriedade e outras duas recebem o manejo recomendado pela equipe de pesquisadores. Todo o trabalho é monitorado e os dados são usados em uma avaliação econômica dos resultados.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Algodão lotado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), Luiz Gonzaga Chitarra, a expectativa é que as diferenças nos manejos adotados fiquem evidentes e gerem frutos a partir do quarto ano de trabalho. Porém, já a partir da próxima safra a URTE começará a receber dias de campo e visitas técnicas nas quais produtores e consultores técnicos poderão acompanhar o desenvolvimento dos sistemas.

Enquanto isso, mesmo com o trabalho ainda na fase inicial, já tem gerado mudanças na postura do próprio produtor.

“O importante para nós é que ele perceba a necessidade. Ele comprou equipamento novo. O que nós estamos fazendo diferente que ele está gostando, ele está assimilando e adotando na fazenda toda”, conta Chitarra.

Para o gerente da fazenda Edualdo Junior Simões, a expectativa tem sido grande em relação ao trabalho. Mesmo com muitos resultados ainda não sendo perceptíveis, ele afirma que a fazenda está aberta às melhorias.

“Muito importante para nós podermos comparar ideias, tecnologias e sistemas. Nosso objetivo não é competir e sim buscar alternativas. Tudo que a gente vê que é viável e é interessante a gente fazer, nós já estamos fazendo”, afirma o gerente da fazenda.

O trabalho também gera interesse de outros produtores da região. De acordo com Edualdo, técnicos de outros grupos produtores de algodão visitaram a fazenda durante a safra para verem como o sistema está sendo trabalhado.

Foco no sistema produtivo

No primeiro ano agrícola, as quatro faixas foram cultivadas com soja na safra. Na safrinha, duas foram semeadas com algodão e as outras duas com milho, sendo que na área de manejo Embrapa foi feito o consórcio do milho com braquiária Paiaguás.

Trincheiras abertas na área mostraram que a compactação do solo na camada de 9 a 27 centímetros limitou o crescimento das raízes do algodoeiro e que a braquiária foi capaz de romper a camada compactada, abrindo poros no solo e buscando nutrientes em áreas mais profundas. Porém, como a safra 2015/2016 teve pouca chuva, a restrição às raízes resultou em baixas produtividades em todas as culturas.

No segundo ano agrícola, optou-se por fazer uma escarificação do solo nas faixas da Embrapa. O procedimento foi seguido pelo produtor, que também o fez em suas áreas. A operação buscou quebrar a camada compactada, evitando problemas como o sofrido com a estiagem da safra anterior.

No segundo ano agrícola, na safra foi plantado soja em três faixas e em uma das parcelas da Embrapa optou-se por plantar braquiária com crotalária spectábilis, de modo a formar palhada para o algodão plantado na sequência. Além da faixa da Embrapa, o algodão também entrou em uma das faixas de manejo do produtor e o milho entrou nas outras duas, sendo consorciado com o capim na área conduzida pelos pesquisadores. Destaca-se que houve uma troca entre as faixas, de modo a não repetir a cultura do algodão dois anos seguidos no mesmo local.

Para a próxima safra, o planejamento é o de retomar com a soja nas quatro áreas e manter a proporção de duas faixas de algodão e duas de milho, sempre consorciado com a braquiária no manejo Embrapa.

Manejo das culturas

Durante o desenvolvimento das culturas, pesquisadores da Embrapa também estão orientando o controle fitossanitário das lavouras. Por meio do manejo integrado de pragas, por exemplo, faz-se o monitoramento constante e só são feitas as aplicações quando a infestação de insetos atinge o nível de dano. Assim, busca-se evitar operações desnecessárias de aplicação de inseticidas. Monitoramento semelhante é feito em relação às plantas daninhas e algumas doenças.

Além da redução dos custos com produtos químicos e com a pulverização, reduz-se o trânsito de máquinas, um dos principais motivos para a compactação do solo.

Outra preocupação dos pesquisadores é com a fertilidade do solo e com a quantidade de matéria orgânica disponível. Por isso, a braquiária exerce papel importante no sistema produtivo. Além de ajudar na descompactação do solo, a forrageira funciona como uma bomba de nutrientes, trazendo-os das camadas mais profundas para a superfície e disponibilizando-os novamente para as culturas comerciais.

Além disso, o pesquisador Sílvio Spera destaca o papel das raízes na descompactação, no aumento da permeabilidade e na reorganização de microagregados no solo. 

Gabriel Faria (mtb 15.624 MG JP)
Embrapa Agrossilvipastoril

Telefone: 66 3211-4227

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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