28/09/17 |   Recursos naturais

Livro aborda história de ocupação do Nordeste Paraense

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 - Obra é resultado de tese de doutorado

Obra é resultado de tese de doutorado

A história da colonização do Nordeste Paraense desde os meados dos anos de 1800, passando pela construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança, as migrações e o sonho de transformar a região em celeiro da capital paraense no período áureo da borracha, estão no livro “História da Colonização do Nordeste Paraense – Uma reflexão para o futuro da Amazônia”, que tem lançamento nesta quinta-feira (28), às 18h30, na Fox Livraria, em Belém (PA).

O livro tem autoria do pesquisador Fabrício Rebello, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) em parceria com o pesquisador Alfredo Homma, da Embrapa Amazônia Oriental. Lançado pela Editora Edufpa, a obra traz em seis capítulos o relato de como ocorreu o processo de colonização e ocupação da terra e uma importante reflexão para que os erros do passado possam inspirar novos modelos de produção mais sustentáveis e tecnificados não só no Pará, mas para toda a Amazônia.

“O objetivo do livro é mostrar como ocorreu esse processo de colonização e inspirar novos modelos de produção na região. Dessa história tem-se muito a aprender e refletir para que não se repitam erros que foram cometidos naquela época”, diz o professor Fabrício Rebello.

O pesquisador Alfredo Homma, um dos autores, enfatiza que a Amazônia passou por diferentes ciclos ao longo dos séculos, refletindo os modos de transporte e ocupação da terra predominantes em cada época. “De início o transporte se baseava nas embarcações. Era uma civilização de beira de rio. Depois o capital gerado pelo ciclo da borracha tornou possível a construção de estradas de ferro. E por fim, surgiu uma civilização de beira de estrada a partir dos anos 1960”, explica o pesquisador.

Iniciada a construção em 1883, a ferrovia Belém-Bragança contribuiu para um processo de interiorização entre as duas cidades. “Até então predominava a ligação pela costa oceânica com diversos portos ao longo do caminho”, afirma. Com a estrada de ferro, surgiram cidades como Castanhal, São Francisco do Pará e Igarapé-Açu. “Era uma necessidade da época expandir a fronteira agrícola para essa região abastecer com alimentos Belém e os altos rios da Amazônia, onde os seringalistas não permitiam o cultivo de roçados”, diz Homma.

Em 1971, uma edição da revista Realidade, lembra Homma, previa que a região de Belém a Bragança se transformaria em um deserto, dado o elevado desmatamento causado por décadas de agricultura baseada na derrubada e queima. Mas não foi o que ocorreu. “Outras culturas, como a da pimenta-do-reino, ocuparam o espaço se utilizando de adubos, mecanização e criando uma nova sustentabilidade”, explica o pesquisador.

Segundo Homma, atualmente a região é uma área de grande produção de dendê, soja, fruticultura, avicultura, entre outras atividades. E mesmo nos locais onde o terreno não é propício para a agricultura, o pasto para a pecuária pode ser cultivado. “A publicação traz importantes apontamentos sobre como o desenvolvimento sustentável, com o apoio da tecnologia, pode auxiliar no desenvolvimento da região, para que não se cometam os mesmos erros passados. Também é importante cuidar e resgatar essa memória, pois há poucos livros sobre a estrada Belém-Bragança e as pessoas conhecem pouco dessa história”, diz o autor.

O livro é resultado de um trabalho de anos de investigação e que integram parte da tese de doutorado do professor Fabrício Rebello, “Da lenha ao óleo de Palma: a transformação da agricultura no Nordeste Paraense”, orientado pelo professor Alfredo Homma.

 

Vinicius Soares Braga (MTb 12.416/RS)
Embrapa Amazônia Oriental

Telefone: (91) 3204-1192

Kélem Cabral (MTb 1981/PA)
Embrapa Amazônia Oriental

Telefone: (91) 3204-1099

Adriane Terra Faturi
Universidade Federal Rural da Amazônia

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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