30/10/18 |   Estudos socioeconômicos e ambientais

Campinas foi palco do debate sobre serviços ecossistêmicos na América Latina e Caribe

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Foto: Embrapa

Embrapa - Parte do grupo da Embrapa que esteve em Campinas

Parte do grupo da Embrapa que esteve em Campinas

A Conferência Regional da Parceria em Serviços Ecossistêmicos (ESP, da sigla em inglês), rede mundial para desenvolver a ciência, a política e a prática de serviços ecossistêmicos para conservação e desenvolvimento sustentável, que aconteceu na Unicamp, Campinas (SP), de 22 a 25 de outubro, buscou discutir o que a América Latina e Caribe estão fazendo para cumprir as metas relacionadas com os quatro principais Acordos Multilaterais do Meio Ambiente no contexto dos serviços ecossistêmicos.

A ESP é uma rede internacional de pesquisa no tema serviços ambientais, e  seus encontros são uma oportunidade de apresentar e discutir diferentes aspectos relacionados ao tema. Ana Paula Turetta, pesquisadora da Embrapa, é representante da rede brasileira do ESP.

Para a cientista, “essa conferência possibilitou o encontro e interação dos profissionais e estudantes que atuam no tema na America Latina. A presença deste forum no Brasil também indica a importância e a qualidade dos trabalhos sobre serviços ecossistêmicos que desenvolvemos”.

De acordo com a pesquisadora da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), Maira Padgurschi, representante do comitê local do evento, as conclusões do encontro foram analisadas por todos os grupos, inclusive com comparações das conclusões da edição anterior. "Esse ano será elaborado um documento que será publicado como nota, mostrando os resultados desses trabalhos e como a América Latina entende essa questão".

Maíra destaca a discussão sobre serviços ecossistêmicos em todos os setores e em todas as áreas de conhecimento. "Tivemos uma aproximação entre os negócios e a sociedade civil organizada. Conseguimos trazer as pessoas para essa debate tão importante, diversa e rica".

Na sessão de 23 de outubro aconteceu uma avaliação de políticas e intervenções para a promoção de serviços ecossistêmicos na América Latina. Buscou-se entender como esses serviços foram incorporados nas principais políticas e programas do continente, discutiram-se os principais desafios e oportunidades para integrá-los na lei e foram identificadas orientações e tendências para o desenho de políticas, lacunas de pesquisa e aplicação da abordagem de serviços ecossistêmicos com base em evidências científicas e experiência prática.

O estudo "Como os serviços ecossistêmicos foram incorporados às políticas e programas públicos no Brasil?" foi apresentado pelas pesquisadoras da Embrapa Monica Matoso, Bernardete Pedreira, Elaine Fidalgo, Emile Coudel, Fabiana Aquino, Lucilla Parron e Rachel Prado. Nele, foi apresentada uma síntese sobre como os serviços ecossistêmicos foram incorporados às principais políticas e programas de conservação no Brasil, com identificação das principais políticas e programas lançados no país nos âmbitos nacional e estaduais, incluindo leis, planos nacionais, decretos e programas. Essa sessão contou com a participação de representantes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Instituto Internacional de Sustentabilidade, Universidade Federal do Rio de Janeiro, SEMA e Universidade de São Paulo.

No simpósio Múltiplos Serviços Ecossistêmicos na Agricultura, organizado pelas pesquisadoras da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) Azeneth Schuler e Ana Paula Turetta, o profissional da Embrapa Ricardo Figueiredo falou sobre seu trabalho em monitoramento da qualidade de água como uma ferramenta para avaliar um programa de pagamento por serviços ambientais (PSA) em Extrema (MG). “As pequenas bacias estudadas do Ribeirão das Posses e do Ribeirão Salto de Cima, são afluentes do Rio Jaguari, e contribuem para o Sistema Cantareira, responsável por suprir parte substancial da demanda hídrica da área metropolitana de São Paulo. Essa ferramenta avalia o benefício potencial na qualidade da água fluvial resultante da implantação do Programa de PSA", disse Figueiredo.

O trabalho mitigação de gases de efeito estufa em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, dos pesquisadores Mônica Matoso, Thomaz Costa e Miguel Gontijo Neto, analisou como a agricultura depende de numerosos serviços ecossistêmicos para o seu funcionamento. Além de ser uma consumidora, as atividades agrícolas também podem ser fornecedoras desses serviços, por meio da gestão de agroecossistemas. Conforme os pesquisadores, sistemas integrados são mais eficientes na exploração de recursos naturais, além de serem alternativas para a produção agrícola sustentável. O sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (CLFI), além do fornecimento de alimentos vegetais, ração animal e madeira, melhorou a fertilidade do solo, o ciclo de nutrientes, a diversificação de culturas e o sequestro de carbono. O sequestro de carbono é um serviço ecossistêmico valorizado.

Os pesquisadores da Embrapa Mariella Uzêda, Julian Wilmer e Rodrigo Condé Alves abordaram fragmentos florestais e árvores: contribuição para a geração de serviços ecossistêmicos, subsistência e renda produtiva na Mata Atlântica. Apesar do crescente interesse na pesquisa de serviços ecossistêmicos nas últimas três décadas, a contribuição das florestas e árvores para a conservação dos processos ecológicos que garantem a produção de alimentos permanece limitada. "Nosso trabalho na comunidade de São José da Boa Morte sintetiza evidências da contribuição de árvores nativas e florestais para serviços ecossistêmicos, produção agrícola e meios de subsistência para agricultores familiares, onde a produção intensiva frequentemente ocorre em complexos de mosaico sujeitos a fortes pressões antrópicas", explicam.

Na sessão sobre serviços multiplos, participaram representantes da Universidade Federal de Goiás,Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São João Del Rey, PUC-Rio, USP e Universidade Autônoma de Queretaro (México)

Já no colóquio sobre repositórios de dados a avaliações de serviços ecossistêmicos, com abertura da pesquisadora Debora Drucker, houve apresentação de experiências que relacionam a utilização de repositórios de dados com a avaliação dos serviços ecossistêmicos para intervenções de programas ou projetos. Participaram representantes da Universidade de Salamanca (Espanha), da Unesp, do Centro de Referência em Informação Ambiental, da Universidade Federal de São Carlos, do Inpe e da PUC-Rio.

A sessão Mudanças no Uso da Terra, Suporte e Regulamentação de Serviços Ecossistêmicos, em 25 de outubro, coordenada pela Embrapa, teve a apresentação do trabalho Priorização de áreas para transferência de tecnologia de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, de Sandro Pereira, Celso Manzatto, Ladislau Skorupa, Maria Isabel Penteado, Margareth Simões, Renan Novaes e Priscila de Oliveira. Nele, foram exploradas as implicações do uso de análise multicritério e sistemas de informações geográficas, juntamente com ferramentas de previsão de planejamento estratégico para mapear áreas prioritárias para ações de transferência tecnológica de integração lavoura-pecuária-floresta. Embora sejam trabalhos usuais, não há uma abordagem estabelecida para a definição de objetivos, diretrizes e critérios. Celso Manzatto, pesquisador da Embrapa, também apresentou trabalhos da Plataforma ABC (agricultura de baixo carbono). Participaram representantes do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt (Colômbia), Instituto Internacional de Sustentabilidade, Universidade de São Paulo, Inpe, The Nature Conservancy e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Texto Cristina Tordin (Embrapa Meio Ambiente) e Carlos Dias (Embrapa Solos)

 

 

 

Carlos Dias (20.395 MTb RJ)
Embrapa Solos

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